<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392</id><updated>2012-01-25T03:27:06.792-02:00</updated><category term='Crônicas'/><category term='Ficção'/><category term='Nostálgicas'/><category term='Viagens'/><category term='Contos'/><category term='Resenhas'/><category term='Poesia'/><category term='Líricas'/><category term='Ensaios'/><title type='text'>Essays</title><subtitle type='html'>Ceci n'est pas un blog.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>63</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-356592639148046567</id><published>2012-01-02T13:59:00.000-02:00</published><updated>2012-01-02T13:59:13.357-02:00</updated><title type='text'>Asfixilia: modo de usar</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;   &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;   &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;img src="http://img2.blogblog.com/img/video_object.png" style="background-color: #b2b2b2; " class="BLOGGER-object-element tr_noresize tr_placeholder" id="ieooui" data-original-id="ieooui" /&gt;&lt;style&gt;st1\:*{behavior:url(#ieooui) }&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha relação com objetos comocintos e sacos plásticos nunca foi parecida com a de outras pessoas. Devo dizerque minha peculiaridade começou antes de eu ter acesso a estes perigososinstrumentos. Iniciei minhas atividades com as infinitas possibilidades dasmãos. Não, não. Para regredir ainda mais, acho que minha condição foideterminada já durante o parto. Posso dizer que nasci assim.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Agora que estou ofegando novamenteno hospital, por ocasião bem diversa, vêm-me à mente diversos momentosdisparatados de minha vida. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu quase morri quando estavasaindo do ventre de minha mãe. Houve um problema pouco antes de eu irromper nomundo e, por alguns momentos, fiquei sem respirar. Foram poucos segundos, mas osuficiente para alarmar os médicos e desesperar minha mãe. Eu parei no meio docaminho, não conseguiam tirar-me de lá e foi exatamente neste momento que o arparou de entrar em meus pulmões. Me expulsaram com força e conseguiramreviver-me. Logo depois de receber os tapas procedimentais do médico em posiçãovertical e o beijo amoroso de minha genitora, fui colocado na UTI e, da formamais torturante, metido dentro de uma incômoda estufa de oxigênio.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Às vezes penso que aquela paradaacidental não foi um mero acidente.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Por conta deste percalço, fuitratado com enorme cuidado e o máximo de carinho que meus pais eram capazes dedar. Eu era um milagre, uma dádiva. Era perceptível que vivia o melhor dosmundos quando me comparava ao tratamento das outras crianças do meu bairro, commenos brinquedos e menos atenção.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A vida, porém, não é perfeita, emeus pais foram obrigados, em certo momento, a colocar-me sob os cuidados deuma babá. Ela não me considerava um milagre ou dádiva alguma. No entanto, eu jáme havia acostumado àquela vida, visto que era a única que eu conhecia. Minha preceptorahavia tido uma vida bem diferente, e eu não a culpo por isso. Foi por conta deencontros fortuitos como este que meu destino foi sendo progressivamentetraçado.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estava brincando com um de meusinúmeros bonecos do exército e joguei alguns deles na direção da janela,simulando uma explosão que definiria o lado vencedor daquela carnificina. Umdeles bateu numa jarra cheia de leite sobre a cômoda que, por sua vez, caiusobre a cama e verteu seu conteúdo também sobre o carpete. Eu sequer deiatenção ao fato e continuei brincando, agora utilizando o leite como leito deum rio onde os mortos esquartejados jaziam. Foi quando a babá entrou e viu oespetáculo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ela me repreendeu e começou alimpar, enquanto eu logo voltava a sorrir entretido com a brincadeira. Nestemomento, algo dentro dela partiu. Provavelmente, pensou que eu estava rindodela ou, na melhor das hipóteses, que eu era indiferente ao trabalho que lhedava diariamente. Foi a gota d’água, a última gota de leite derramado que iriasuportar calada. Diante da minha gargalhada com outra explosão sanguinária,resolveu acabar com ela apertando meu pescoço até que eu lhe implorasse parasoltar. Ah, se eu pudesse explicar o que senti naquele momento! No entanto,poucos são os bem-aventurados capazes de compreender.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu não pedi desculpas. Em vez doque minha benfeitora esperava, eu a olhei fixamente. Profundamente. Ela entãocedeu e logo percebi o estranhamento no fundo de seus olhos. Acho que elatambém viu algo no fundo dos meus, e teve medo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Depois daquele episódio, passei aprovocá-la de todas as maneiras possíveis. Ela, todavia, nunca mais encostou amão em mim. Poucodepois foi embora e nunca mais voltou a minha casa. Não me recordo mais se foidemitida pelos meus pais, diante das claras evidências de que eu me tornaramais endemoninhado, ou se ela se demitiu, por não suportar mais os meus jogosinfantis.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Desenvolvi uma obsessão, queperdurou por toda a minha adolescência, por mulheres que tinham mãos com dedoslongos. Aliás, nunca entendi como podiam estranhar meu fetiche, diante daimensidão de homens com sua insólita devoção aos pés ou aos quadris. Em minhamodesta opinião, não há sequer comparação. Mãos são muito mais atraentes do quepés. Portanto, nunca levei a sério que minhas confissões sobre meu grandeobjeto de desejo fossem recebidas com estranhamento, enquanto os outrosesperavam que eu recebesse suas confissões com naturalidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Depois de muitas buscas em vão emuitos relacionamentos insignificantes, namorei finalmente uma mulher com dedoslongos e fortes, capazes de circunscrever diâmetros consideráveis. Após alguns contatosanódinos, tomei coragem para pedir-lhe no meio do ato que me apertasse opescoço. Meu pedido pegou-a desprevenida. Sua pele ficou pálida, ficou imóvel, nãosoube o que falar. Foi quando tomei a sua mão e lhe mostrei como fazer. Ela sorriu.Foi meu momento de glória. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Conheci a felicidade plena pordois anos, cinco meses e catorze dias. Eu andava por aí em estado de nirvana.Era como se tivesse fones de ouvido tocando eternamente a música celestialreservada somente aos anjos. Nada mais me importava. Irritava os outros comaquela cara de adolescente perdidamente apaixonado. Comia pouco. Dormia pouco.Era incapaz de me concentrar em qualquer coisa que não tivesse a ver com minhagrande história de amor. Minhas notas na escola nunca foram tão medíocres, sendoque antes eu costumava estar entre os melhores estudantes. Meus pais chegaram acogitar uma terapia. Embora eu lhes reiterasse constantemente minha alegria,eles temiam que minha enorme dependência tornasse uma eventual separação algoinsuportável para mim. E foi.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Quando Beatriz foi embora paraoutra cidade, com outros homens e outros pescoços, levando o éden consigo,perdi a vontade de respirar. Cada dia parecia durar séculos. Perdi a vontade desair da cama, de escovar os dentes ou tomar banho, tinha desgosto de sair àrua. Meus pais me colocaram em três terapias diferentes quando me viram perderpeso como se tivesse uma doença grave e incurável. Afundei-me nos mais diversosremédios. Alguns com tarjas vermelhas e pretas, outros sem tarjas ouembalagens. Mas eu sabia que droga alguma me curaria daquela falta.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Uma parte de mim havia sido amputada. Semaviso, sem anestesia, sem substituto possível.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Fui submetido a contínuaslavagens cerebrais e estomacais até conseguir tornar-me um ser humanoordinário, destes que se vê em cada esquina e que sorriem quando se conta umapiada.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Fui tomando fôlego, perdi a forteansiedade e voltei à vida diária. Logo, conheci uma mulher maravilhosa, emcujas mãos sequer reparei, que me deu a paz de que eu precisava.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Mais tarde e bem menos miserável,já na faculdade de medicina e morando longe de meus pais, uma pesquisa sobrealguns tipos de distúrbios me levou a descobertas vitais. Estava na internetbuscando o que havia de mais atual a respeito de algumas compulsões e,acidentalmente, reconheci-me de imediato no relato de um holandês traduzidopara o francês. Perdi a respiração. Era como se o mundo se mostrasse subitamentede novo, como se as portas da felicidade se abrissem, depois de tantos anos denegação.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que as pessoas buscam na arte,na ciência, nos entorpecentes e nas religiões, eu obtive isso tudo e muito maisem simples objetos presentes nas residências mais ordinárias. Não há lugar nomundo contemporâneo em que eu não tenha acesso ao paraíso. As visões inefáveis,as sinfonias de sensações, o êxtase antes reservado aos deuses em suas elevadasmontanhas, tudo disponível com o simples uso de cordas comuns, cintos, sacosplásticos, gases ou até aparelhos mais sofisticados, disponíveis em casasespecializadas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Foi nos momentos de isolamento,longe de minha vida pública, em viagens clandestinas, que entendi o casamentode Eros com Tânatos, que tomei a coragem de viver uma vida no limite com vistasa atingir o clímax. Os aventureiros, os destemidos, os praticantes de esportesradicais não obtêm nada perto das emoções que tenho a chance de experimentar.Já tive as visões mais etéreas, já tomei o néctar e comi a ambrosia, fui alugares que a quase nenhum homem foi dado conhecer.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Admito que é preciso coragem paraabandonar o vício medíocre em oxigênio. Mas os benefícios do acúmulo de gás carbônico nocérebro são comprovadamente verificados e praticados desde pelo menos o séculoXVII. Muito antes da invenção do LSD e das anfetaminas. Os fumantes, os quetiram prazer em dirigir em avenidas movimentadas, os suicidas por enforcamentoou asfixia são para mim covardes que misturaram as coisas, que não conseguiramir até o fim ou nunca tiveram a ideia óbvia de misturar seus prazeres com o quehá de mais absoluto na vida das sensações, ou seja, o orgasmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu não estou sozinho. Meu amor aoprazer e ao perigo simultâneos é compartilhado provavelmente por milhões de semelhantesno mundo, muitos dos quais ainda temem seguir sua linha do destino. Não tenho apretensão de esconder que muitos de nós já morremos por passar do limite numaatividade cuja natureza implica estar no limite. Estas mortes, porém, mesmosendo milhares ao ano, muitas confundidas com suicídio, comprovam a nossaincontestável existência. Apesar disso, sou obrigado pela sociedade, da maneiramais cruel, a manter uma vida hipócrita.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tenho família, tenho amigos,tenho emprego e uma vida mais do que respeitável. Sou, aliás, um conhecidopsiquiatra e já salvei ou viabilizei inúmeras vidas. Os que me rodeiam têmapreço por mim. No entanto, é sozinho em quartos de hotel durante conferênciasmédicas, enquanto me atraso ao próximo compromisso, em momentos de profundasolidão ou de encontros clandestinos, que sigo minha verdadeira vida, comarrebatamentos que quase ninguém sonhou em alcançar, a ponto de perder aconsciência ou de não ter a mais remota ideia de quem sou. São minhas &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;petites mortes&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O que os outros conhecem porminha vida é em realidade a minha mortificação, a minha condenação ao degredo,minha &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;post-coital tristesse&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Ontem, com a visão enturvada poruma música com sons de uma pessoa enforcada, tive um acidente. Eu voltava de umlugar comprometedor e talvez seja obrigado a explicar o que estava fazendo. Outalvez morra aqui mesmo, tal como nasci, torturado por um tubo de oxigênio. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Exijo a dignidade de sobreviver econtar a minha história.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Depois disso, caso eu morra realmenteem busca do âmago do meu ser, sei que alguns terão vergonha de mim ou mesmocuspam sobre meu caixão. Minha mulher e meus filhos sofrerão, embora sejam osque mais tentei proteger, em nome do amor que tenho por eles. Mas não meintimidarei diante das barreiras construídas pelos vulgares. Se posteriormenteeu for encontrado com o rosto negro ou azulado numa luxuosa suíte de hoteleuropeu de cinco estrelas pendurado por um cinto de uma marca luxuosa e caríssima,ou quem sabe no quarto do bordel mais promíscuo da cidade mais sórdida com umsaco plástico de padaria ao redor do meu rosto, meu último desejo é que tomemconsciência das verdades escritas aqui e gravem na minha lápide o contrário doque reina na &lt;a href="" name="_GoBack"&gt;&lt;/a&gt;atmosfera asséptica dos ressentidos:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Vale a pena.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-356592639148046567?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/356592639148046567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=356592639148046567' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/356592639148046567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/356592639148046567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2012/01/asfixilia-modo-de-usar.html' title='Asfixilia: modo de usar'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-4140383250492030954</id><published>2011-11-11T18:57:00.001-02:00</published><updated>2011-11-11T19:01:59.553-02:00</updated><title type='text'>Coesão 2</title><content type='html'>&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:WordDocument&gt;  &lt;w:View&gt;Normal&lt;/w:View&gt;  &lt;w:Zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;  &lt;w:HyphenationZone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;  &lt;w:PunctuationKerning/&gt;  &lt;w:ValidateAgainstSchemas/&gt;  &lt;w:SaveIfXMLInvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;  &lt;w:IgnoreMixedContent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;  &lt;w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;  &lt;w:Compatibility&gt;   &lt;w:BreakWrappedTables/&gt;   &lt;w:SnapToGridInCell/&gt;   &lt;w:WrapTextWithPunct/&gt;   &lt;w:UseAsianBreakRules/&gt;   &lt;w:DontGrowAutofit/&gt;  &lt;/w:Compatibility&gt;  &lt;w:BrowserLevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt; &lt;/w:WordDocument&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt; &lt;w:LatentStyles DefLockedState="false" LatentStyleCount="156"&gt; &lt;/w:LatentStyles&gt;&lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt;&lt;style&gt; /* Style Definitions */ table.MsoNormalTable {mso-style-name:"Tabela normal"; mso-tstyle-rowband-size:0; mso-tstyle-colband-size:0; mso-style-noshow:yes; mso-style-parent:""; mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; mso-para-margin:0cm; mso-para-margin-bottom:.0001pt; mso-pagination:widow-orphan; font-size:10.0pt; font-family:"Times New Roman"; mso-ansi-language:#0400; mso-fareast-language:#0400; mso-bidi-language:#0400;}&lt;/style&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Antes, lamentava por não terdinheiro para comprar todos os livros que lia. Hoje,lamento por saber que compro mais livros do que tenho tempo para ler.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Antes, achava que a arte viriacom a maturidade. Hoje, acho que o ímpeto se perdeu em algum momento de minhajuventude.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No mundo das redes sociais, todosos homens exibem a felicidade, a força, a sabedoria, a beleza, a coragem, aatitude “cool” que têm diante do mundo. Até mesmo a intolerância é controlada,pois é preciso que o ódio seja ainda capaz de receber alguns apoios. A tristeza,a fragilidade, a ignorância, a feiúra, a hesitação, a vergonha, a careticequase não existem lá. Quem dera as pessoas fossem de verdade como são nofacebook!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os parques das cidades estãoabarrotados de pessoas pregadas em celulares e tabletes eletrônicos. Muitastiram fotos e enviam notícias de sua diversão em tempo real. É preciso urgentementelevar essas pessoas para passear.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Vive-se uma ditadura dajuventude. Nunca foi tão reiterada a afirmação sobre as vantagens de ser“jovem”. Nunca se falou tanto da necessidade de sempre estar em atividade, de“nunca parar”, “nunca desistir”. Nunca as indústrias de dieta, moda e cosméticosfaturaram tanto. Nunca se ignorou tanto os mais velhos. Nunca a história foitão ignorada e o presente, tão eterno. Nunca se meditou tão pouco sobre asfases da vida. Nunca se utilizaram tanto as palavras “frescor” e “novidade”, esuas contrapartes “ultrapassado” e “obsoleto”. Nunca se falou ou se refletiutão pouco sobre a morte, não a morte dos outros (sempre tão comentada), mas amorte em si.&lt;span&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Acordei de mal de mim. De novo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-4140383250492030954?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/4140383250492030954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=4140383250492030954' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4140383250492030954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4140383250492030954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/11/coesao-2.html' title='Coesão 2'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7894739908162781605</id><published>2011-11-01T14:19:00.003-02:00</published><updated>2011-11-01T19:51:01.676-02:00</updated><title type='text'>O homem da calçada</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-pGsg3U5poEU/TrBpri6Im2I/AAAAAAAABQg/t2gpYbXDppU/s1600/Homem+na+cal%25C3%25A7ada.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="217" src="http://4.bp.blogspot.com/-pGsg3U5poEU/TrBpri6Im2I/AAAAAAAABQg/t2gpYbXDppU/s320/Homem+na+cal%25C3%25A7ada.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Um homem está parado na calçada, em pé, contemplando o vazio com uma expressão de desespero. Taciturno, tem o olhar perdido em direção a um ponto muito distante e inexistente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ao seu redor, inúmeras pessoas andam apressadamente em múltiplas direções. Alguns trombam com ele, que parece não ver e não sentir absolutamente nada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele espera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;No meio do turbilhão, subitamente surge uma mulher que o fita demoradamente... e para. Para a quatro passos de distância dele.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele a vê.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os dois permanecem assim, encarando-se por alguns minutos, que mais parecem horas, em meio à multidão e seu movimento incessante: entre gravatas, tailleurs, cachorros, jóias, carrinhos de bebê, bicicletas, pombos, luvas, maquiagens, sorvetes, jornais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele se volta para ela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela dá um passo à frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele dá um passo à frente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela dá outro passo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele, um mais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os dois agora estão com os narizes quase encostados, sondando-se fixamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ambos encostam a fronte no ombro um do outro, fecham os olhos e se abraçam. Forte. Cada vez mais forte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;À medida que o abraço torna-se mais apertado e mais cúmplice, o som dos veículos, dos passos rápidos dos pedestres, do ritmo alucinante dos anúncios, das conversas, do vento, de tudo o que desnorteia na rua, enfim, vai diminuindo lentamente, cessando, até transformar-se em silêncio absoluto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O movimento, em contraste, acelera-se. Os corpos dos dois são empurrados inadvertidamente pela multidão interminável da rua, que finalmente os faz espatifar no cimento da calçada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Caídos no chão, ainda abraçados, protegem um ao outro. Os transeuntes pisam em seus pés, pernas, costelas, braços, cabelos, tropeçam em suas costas, em suas cabeças. Passam por cima da água entre os espaços dos ladrilhos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Os dois conseguem, por fim, levantar-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Entreolham-se novamente, um frente ao outro, com ambas as mãos dadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sorriem-se.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Um sujeito passa entre os dois e os obriga a soltar-se as mãos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ambos contemplam-se novamente, observam suas roupas sujas e amarrotadas, depois verificam a calçada onde estavam há pouco estirados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O barulho da cidade, agora, é ensurdecedor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela, então, deixa de sorrir, começa a ponderar algo e adquire uma feição séria. Ajeita o vestido e limpa a maquiagem borrada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele a mira com olhar mendigo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela responde: “eu não posso”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele tenta encostar novamente sua mão na dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela repete: “eu não posso”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele tenta abraçá-la.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela repele: “eu não posso”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele volta os olhos à calçada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ela mira-o por um tempo, dá-lhe um beijo apressado na fronte e... some na multidão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O homem fica parado na calçada, em pé, contemplando o vazio com uma expressão de desespero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7894739908162781605?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7894739908162781605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7894739908162781605' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7894739908162781605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7894739908162781605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/11/o-homem-da-calcada.html' title='O homem da calçada'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-pGsg3U5poEU/TrBpri6Im2I/AAAAAAAABQg/t2gpYbXDppU/s72-c/Homem+na+cal%25C3%25A7ada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-943697746042178453</id><published>2011-10-18T22:37:00.000-02:00</published><updated>2011-10-19T12:21:52.579-02:00</updated><title type='text'>Início, meio e fim</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-NQCXBN5VXG0/Tp4bO5XGUDI/AAAAAAAABPc/CyzCd39ZDp8/s1600/The+end.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="249" src="http://2.bp.blogspot.com/-NQCXBN5VXG0/Tp4bO5XGUDI/AAAAAAAABPc/CyzCd39ZDp8/s320/The+end.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;H. está no meio de um parque olhando aspessoas tomando sol. Sentado em um banco, entre crianças brincando com babás ecasais namorando, começa a escrever em seu caderno azul cheio de rabiscos quecarrega dentro da mochila surrada e suja de terra:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;“Minhas histórias não começam no meio, ouno fim, ou no início. Minhas histórias, ao contrário do que me ensinaram naescola, não têm início, meio e fim. Em outras palavras, não são histórias nosentido literal. A vida é cheia de histórias, mas nenhuma delas tem início,meio e fim, no sentido literal, porque o início, o meio e o fim sempre poderiamser alterados. As histórias, os casos, os fatos, todos possuem um contexto queos circunda, ou seja, que poderiam ter começado antes ou terminado depois. E issomuda seu sentido. Por isso, cada um entende ou dá sentido às histórias damaneira que têm capacidade ou vontade para fazê-lo. As minhas, afinal, parecemsempre ter começado depois e terminado antes. Alguma mistura de preguiça, umamania de episódios, de falas que chamam a atenção ou que ficam na minha cabeçae que as ditam. Isso pode ter a ver, quem sabe, com a minha história, que não seiqual é e que, por isso, não tem fim nem começo, pé nem cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;As histórias estão na rua. Eu, queprefiro o papel, gosto mesmo de palavras, preto no branco, garranchos em cadernos,especialmente aqueles escritos às pressas ou fruto da imaginação de alguém que não sabeo que começou a escrever enquanto não termina. O fim é nada mais que o ponto em quealguém resolve parar de escrever, e isso é absolutamente aleatório. Como amorte. Como a vida. Começa do nada, termina assim sem mais nem menos. No meio,tentamos entender algo, o fio da meada, aquilo que mantém o leitor ali,desesperado para conhecer. Não há fio da meada, há somente a criação. Todahistória é movida por algo mais fundo, que circunda o que se entenderá e o quenão se poderá compreender. No fundo, bem no fundo, só há o desejo. O desejo quemove a vida, que move a escrita, que move a leitura. E eu não sei exatamente oque eu desejo. Eu procuro. Eu procuro, somente. O quê&lt;/span&gt;&lt;span dir="ltr" id=":2cy"&gt;?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Vem chegando V., um amigo, com seuscachecóis de sempre mesmo diante do sol. Seu estilo que tanto atrai a atenção,inclusive a de seus próximos. Abraço de amigos que se veem sempre. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- O dia está bonito.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Queria te contar uma coisa. Uma coisaimportante.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Claro. Diga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- De vez em quando eu fico pensando...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Por favor, não venha com depressõeshoje. Você pensando sempre dá em besteira! Eu, por exemplo, nunca vou quererler nada do que você fica escrevendo aí nesse caderno. Não deve haver nada de aproveitável.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Minha tese. Está me deixando maluco.Fico o dia todo em casa, lendo, escrevendo, não sei onde vai chegar. Acho quenão vou conseguir terminar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Fica tranquilo, todo mundo que escrevetem essa mesma ideia, mas no final sempre dá certo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Não, o problema não é esse. Eu leioalgo, e imediatamente depois esqueço o que li. Parece que não consigo meconcentrar. Daí, digamos, eu consigo escrever, mas logo depois penso que talvezo que eu escreva não seja o que eu quero para mim, vou ficar preso nisso, numatese que eu não sei se é verdadeira, por mais que eu consiga, quem sabe,defendê-la bem, e que depois vai me prender não só pela tese defendida como tambémpelo assunto que ela toca. É aterrorizador. Isso vai acabar definindo minhavida toda. Não sei se estou pronto para isso. Nunca consegui me prender a nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Calma. Se você não quiser maistrabalhar com isso algum dia, você muda. Ninguém está preso a nada. Oimportante, agora, é terminar. Não fique pensando demais a longo prazo, porqueaí não termina nada. Depois, ao menos, você consegue um emprego e conseguetrabalhar na área.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Aí é que está, “na área”. Sei lá sequero trabalhar nesta área!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Você nunca trabalhou nessa área ou emárea alguma e já está com medo? Você também gosta de complicar as coisas. Voute arrumar um emprego lá no meu escritório como contínuo, e te garanto que vocêsempre vai mudar de área. Geográfica, topográfica, pelo menos. Nunca vai ficarna sua cadeira. Seu sonho realizado, mudar sempre de cadeira. Não na faculdade,mas na empresa, ao menos. Nenhum compromisso fixo, nenhum pensamento a longoprazo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Tudo seu é na brincadeira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Pois é exatamente por isso que sou seumelhor amigo. Sou o cara que te livra da sua própria loucura e dos seusproblemas imaginários.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- É, isso é verdade. Eu sozinho consigopensar na mesma coisa por dias a fio.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Isso porque você acabou de dizer quenão consegue se concentrar em nada por muito tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Só consigo me concentrar nisso, ouseja, na minha falta de concentração. Você entendeu o que eu quero dizer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Entender? Eu não entendo ninguém. Massempre respondo o que me perguntam.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Chega I., a namorada de V.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Ois!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Beijo no rosto de H., beijo na boca de V.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Soube de uma festa legal na casa de M.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Vamos lá!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Se eu for, não vou conseguir trabalharmais hoje nem amanhã, por causa da ressaca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Pô, bebe menos que você consegue. Vaite ajudar a sair das suas paranoias e render mais amanhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Vou ficar em casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Você sempre com esse papo, né. Desdeque fui apresentada a você, vi que essa sua barba malfeita era mais um indíciode uma eterna dúvida interior do que de um estilo. Sempre aí, no meio termo,sem saber se se barbeia sempre ou se deixa crescer de vez. Vamos lá, dessa vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Melhor não.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Vamos tomar um café, então, que tal?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Tá bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Ótimo. Vamos lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Sentados no café na esquina do parque.Pedem três cafés para uma garçonete com cara de cansaço, mas muito simpática. V.,então, declara:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Enquanto o café nãochega, vou ao banheiro. Me dá um beijo que eu vou sentir saudades.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Dá beijo em I, e sai.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Eu tenho mais saudades de você, te vejotão pouco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Como pode ser que eu goste tanto devocê e dele?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Somos iguais. É uma forma de amor tortaque nos une assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- O amor deveria ser sincero, aberto,transparente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Há milhões de tipos de amor, e a nossaforma de amor é mais uma mistura confusa e inclassificável, mas que não deixade ser amor. É uma pena e uma bênção que a vida seja maior e mais complicada doque as suas e as minhas ideias sobre ela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Eu não sei o que fazer.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;- Simples. Não faça nada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Pés se encostando embaixo da mesa. Pésdepois distantes. O café tomado, as risadas, a sensação de contentamento, deestar à vontade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Mais tarde, no mesmo caderno azul, com amesma letra apressada:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;“Não contei nada do que queria contar. Oassunto muda e eu próprio não tenho coragem. E eu só queria perguntar se eraerrado dar um tempo. Viajar. Sumir para sempre (um pouco). Esperar o tempopassar para ventar em cima de tudo e, quando eu olhar de novo, estar diferente. Senão o mundo, ao menos eu. Nemisso consigo dizer. Preciso me afastar, pensar, pensar, longe de tudo. Ganharperspectiva. É sempre isto, tudo parece&amp;nbsp;in-co-mu-ni-cá-vel”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;H. para de escrever e vai tomar banhopara ir à festa com V. e I. Conversam, dançam e voltam de manhã para casa.Muitas gargalhadas. H. bebe demais, tem uma ressaca de querer se esconder numquarto escuro. Naquele domingo chuvoso, toma mil cafés, fuma um maço decigarros e pensa que tem que mudar sua vida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia,'Times New Roman',serif;"&gt;Na segunda-feira, acorda bem disposto epensa que está atrasado em todos os prazos possíveis e imagináveis já estabelecidospara terminar sua tese. Passa o dia escrevendo alucinada e concentradamente nabiblioteca da universidade, com breves pausas na lanchonete, onde encontraalguns colegas da turma de doutorado. O que havia passado nos dias anteriores era como um filme mudo antigo, com os letreiros passando depois do "the end".&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-943697746042178453?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/943697746042178453/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=943697746042178453' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/943697746042178453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/943697746042178453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/10/inicio-meio-e-fim.html' title='Início, meio e fim'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-NQCXBN5VXG0/Tp4bO5XGUDI/AAAAAAAABPc/CyzCd39ZDp8/s72-c/The+end.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5026225614388617038</id><published>2011-10-04T19:03:00.001-03:00</published><updated>2011-10-05T12:10:02.133-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Descolorido</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Baby, I’m blue. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Do que você ta falando, meu amor&lt;span class="hp"&gt;?&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Blue, blue, blue. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Realmente, algumas vezes fico mesmo azul de raiva de você. Mas aqui as ruas não são azuis, são todas meio pasteis. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Oh, baby, I’m blue. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sabe, meu amor, algumas vezes essa sua tristeza me cansa. Saímos de férias e você está sempre com essa cara amarrada. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;These are dark years, baby.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;É, tudo bem, são mesmo. Desde que me casei com você, tenho sempre notado isso.&lt;br /&gt;Everything is pretty much the same as it always were. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Essa sua inteligência sempre em exibição, essa sua mania de falar comigo na língua do país em que estamos ou então em inglês, meio que cansa, sabe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No sé qué pasa, no sé quién soy.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nem eu mesmo sei mais, você me confundiu, mas agora estou pensando melhor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Let’s mourn.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sim, você é morno mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;No, let’s cry.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Claro. Enquanto você faz mais do mesmo, eu vou ali entrar naquele lugar chamado “La vie en rose”. Sem você.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5026225614388617038?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5026225614388617038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5026225614388617038' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5026225614388617038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5026225614388617038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/10/descolorido.html' title='Descolorido'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3417428077322284789</id><published>2011-06-26T16:20:00.000-03:00</published><updated>2011-06-26T16:20:47.677-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Circuito fechado</title><content type='html'>&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt; &lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;Desejava-a como coisa fora do comum e difícil, por ela ser nobre,&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;por ela ser rica, por ela ser devota - imaginando que devia ter&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;delicadezas de sentimento, raras como as suas rendas, amuletos ao&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;pescoço e pudores na depravação.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: xx-small;"&gt;&amp;nbsp;(Gustave Flaubert - A educação sentimental)&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Uma sala. Na entrada dela, uma placa com a sigla CFTV. Após o umbral, um conjunto de televisões coloridas de última geração em tela plana, cada uma mostrando um ponto diferente do interior do imóvel. Esta sala encontra-se desabitada neste momento e ninguém percebe o que se pode descobrir de uma casa e de seus proprietários a partir daquele cômodo. Os monitores acompanham cada detalhe do terreno. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Um lar daqueles de revistas (é possível conferir algumas fotos na edição de agosto da “Design de Interiores” e, muito em breve, em outras publicações). &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;O estilo da casa de Claudia Cavalcanti é visível logo na porta, defronte a qual se vê um par de quadros icônicos do modernismo brasileiro, assinados por Burle Marx (com formatos harmônicos nas cores preto e branco, similares aos famosos jardins de tantos lugares no Rio de Janeiro e próximos a alguns prédios públicos de Brasília). Os quadros estão em uma parede perante a qual também se nota um peculiar anteparo com fotografias da família (todas em preto e branco, similares aos quadros pendurados logo acima).&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;O aparador foi herança da avó, um móvel em jacarandá que constava do palácio da família (que deu lugar a um edifício residencial), em estilo bastante em voga no período do Segundo Império.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Passando-se à sala de estar, a pequena área do vestíbulo (cuja sensação de intimidade faz entender porque a ele coube abrigar objetos caros à história da família) é substituída pela amplidão do enorme cômodo, com proporcionalmente poucos móveis, sobre tapetes persas e entre paredes ricas em pinturas.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Há uma fotografia antiga de uma fazenda, uma paisagem típica em Pernambuco, onde posam crianças e, ao fundo, um negro com torso forte e pele brilhante, carregando uma peça de moinho. Do lado, uma cena familiar de Portinari ao ar livre, como que complementando o ambiente histórico. Na parede oposta a ela, uma paisagem de Di Cavalcanti.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;A residência é uma aula de história e geografia do Brasil. A Amazônia está ali, representada pela poltrona aguapé dos irmãos Campana, defronte à mesa Tulip de Saarinen, que acabou adquirindo um tom mais brasileiro. O piso é todo em madeira de lei, o que faz com que a diversidade dos espaços na sala seja dada pelos diferentes tons das paredes, entremeadas por enormes janelas e saídas para o terraço que dá para o jardim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;O ambiente externo conta com um projeto de paisagismo, assinado por um famoso arquiteto e que incluiu uma grande área gramada com diversas espécies de flores e plantas ornamentais.&lt;span style="mso-spacerun: yes;"&gt;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;Há, em vários pontos, conjuntos de cadeiras de madeira, especialmente perto da piscina e da área de lazer. Ao redor, um muro de três metros de altura, coberto de trepadeiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Uma pessoa que viajou tanto quanto Claudia não poderia deixar de possuir móveis como o sofá em couro de três lugares de autoria de Le Corbusier (seu pai, aliás, formou-se em engenharia em Paris), que forma um ambiente com uma cadeira Barcelona de Mies van der Rohe (ela, aliás, formou-se em design em Chicago), ao lado de uma escultura de Bruno Giorgi (seu avô, aliás, formou-se em medicina no Rio de Janeiro), logo abaixo de um quadro de José Malhoa (seu bisavô, aliás, político influente outrora, formou-se em direito em Coimbra) e de uma gravura de Oscar Niemeyer (dizem que o corpo de seu irmão desaparecido, aliás, foi devorado lentamente pelas águas da Guanabara).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;A intimidade do casal pode ser observada nesta tarde de quinta-feira por meio da câmera instalada atrás do espelho do quarto de Claudia (que acabou de chegar de um congresso internacional de design em Milão) e do marido (que está participando de uma reunião sobre responsabilidade social em Dubai). O amplo cômodo é povoado somente por uma cama &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;queen size&lt;/i&gt; e por dois criados-mudos em forma de baús, por cima dos quais há luminárias Miss Sissi e algumas publicações de arte, de auto-ajuda e de administração (sem quaisquer sinais de terem sido folheados). Os livros provavelmente foram retirados (ou não) das grandes estantes do escritório do outro lado da casa, que possuem livros raros de Nabuco e de Machado de Assis, bem como os últimos lançamentos de Chico Buarque e Pierre Bourdieu, de Gloria Kalil e Norbert Elias, do Dalai Lama e de Roberto Shinyashiki. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Não é possível elencar todas as roupas de estilistas dentro do closet.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;Claudia está tomando uma ducha. Sua pele alvíssima, seus novos seios redondos e suas sessões de masturbação podem ser vistos em um monitor instalado dentro do armário da sala CFTV, que capta as imagens de uma micro-câmera instalada atrás de um dos espelhos laterais do banheiro (sem o conhecimento dos proprietários). Claudia está cansada e com os olhos inchados, acabou de passar trinta minutos sentada embaixo do chuveiro. Em cima da bancada negra de granito, um jornal aberto com a notícia do noivado de um conhecido publicitário. Aquele dos antigos boatos, que foram imediatamente desmentidos por Claudia, sobre uma suposta amizade íntima demais. O distanciamento foi natural, ela não poderia dar margem a comentários. Os rumores sobre os dois logo sumiram para dar espaço a outros rumores sobre outras celebridades.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;No monitor da cozinha, as cinco empregadas domésticas retiram seus uniformes para ir embora, a pedido da própria Claudia, que as dispensou do restante da carga horária diária. O caseiro podia ser visto dando o recado, embora não fosse possível ver exatamente o que era conversado. O &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;coq au vin&lt;/i&gt;, encomendado para aquela noite, era agora jogado no lixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;O caseiro é o maior ocupante da sala de circuito fechado de televisão. Possui a confiança do casal. É filho de uma senhora que passou praticamente toda a vida a serviço dos Cavalcanti. O caseiro, único ocupante de um pequeno anexo da casa, já teve noites insones pensando no corpo de Claudia e muitas outras noites sonhando ser o marido de Claudia, que lhe daria atenção e não admitiria quaisquer boatos sobre a fidelidade de sua mulher. As câmeras nos lugares mais recônditos da casa foram instaladas por ele, para que pudesse assisti-la, a ela, sempre. O caseiro, posteriormente, passou a odiar Claudia (que lhe dava beijos na infância, pedidos na juventude e ordens após seu casamento e a morte de seu pai), passou a detestar seu patrão e toda a família. Seu salário tinha deduções pela moradia que o confundiam. A sala do CFTV passou, então, a ser sede de reuniões com dois amigos, que não deixaram de perceber que havia um revólver calibre 38 dentro de uma caixa na parte superior do closet.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12.0pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;MS Minngs&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;A imagem do caseiro vai passando agora por vários monitores: o da cozinha, passando pelo da sala de estar, do vestíbulo, dos bambus, até sumir em direção à própria sala com os monitores (não há câmeras dentro deste aposento). Ele dá uma olhada em cada um deles, observa por um tempo. Parece hipnotizado, por alguns instantes, pela tela instalada dentro do armário, em que Claudia aparece passando hidratante nos cabelos, ainda nua, ainda de olhos vermelhos. Observa em seguida que seus dois conhecidos aparecem no monitor da sala de estar, caminhando em direção ao quarto do casal. Ele, então, desliga todos os monitores, apaga o último minuto das gravações e retira-se daquela sala, novamente em direção ao interior da casa.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3417428077322284789?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3417428077322284789/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3417428077322284789' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3417428077322284789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3417428077322284789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/06/circuito-fechado.html' title='Circuito fechado'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1785170766910620282</id><published>2011-03-30T16:24:00.002-03:00</published><updated>2011-03-30T17:55:09.199-03:00</updated><title type='text'>Para nunca completar</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;À Pilar da minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-SVXSe35fpgc/TZOCD3AgnmI/AAAAAAAAAuI/VEJOBxBzRLs/s1600/Marc-Chagall-Au-dessus-de-la-ville_2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="216" src="http://2.bp.blogspot.com/-SVXSe35fpgc/TZOCD3AgnmI/AAAAAAAAAuI/VEJOBxBzRLs/s320/Marc-Chagall-Au-dessus-de-la-ville_2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Escrever devaneios. Ver notícia boa no jornal. Caminhar na praia. Dirigir na estrada. Sentir o cheiro de mato depois da chuva. Ouvir música bonita no escuro. Chorar no cinema com medo de alguém perceber. Ler um poema maravilhoso pela primeira vez. Lembrar de um sonho bom. Dormir muito cansado. Dormir na beira da praia. Ventinho bem fresco no calor. Mergulhar e boiar nas águas do mar. Ter aquele breve, aquele brevíssimo momento em que se tem a sensação de plenitude. Dar e ganhar presentes. Casa nova. Água e tudo que tem a ver com água (bebê-la, afundar nela). Dançar como se ninguém estivesse assistindo, ou pular enlouquecidamente por não saber dançar. Não levar absolutamente nada (muito menos eu mesmo) a sério. Subir em árvores. Deitar no colo de alguém querido. Receber carinho. Sorrir do nada ao lembrar uma coisa boa que aconteceu em tempos imemorais. Passear e pensar na vida. Jogar sinuca e boliche. Suar muito depois de praticar algum esporte. Correr. Nadar. Andar de bicicleta. Comer com muita fome. Qualquer comida que chegue e deixe com água na boca. Comida caseira (ainda mais a comida da mamãe ou da vovó). Ir a bistrôs e trattorias. Explorar padarias. Bruschettas. Azeite, manteiga, manjericão, pimenta, curry. Tomate cereja. Penne, fetuccine, pizza e lasanha. Filé mignon alto e ao ponto francês (ou argentino). Estrogonofe. Feijoada. Guacamole. Comer frutos do mar na beira da praia. Madeleines e financiers. Torta de chocolate. Sorvetes da Haagen Dazs (especialmente o de cheesecake de morango). Chocolates suíços e belgas. Baklava. Alfajor. Bolo saindo do forno. Frutas como amora, morango, manga, goiaba, siriguela. Salada de frutas. Banana com canela e chocolate, banana frita com açúcar, banana. Limonada suíça, suco de laranja, de acerola e de manga. Vinhos espanhóis, chilenos, australianos, sul-africanos, espanhóis, italianos. Cerveja, principalmente Heineken e Paulaner. Café espresso quentinho (especialmente pela manhã, quando faz um friozinho, e com um cigarro). Pão de queijo quentinho e fresquinho. A mulher, meu deus, a mulher. A mulher e a alma feminina e tudo o que ela mostra e o que ela oculta. E, no capítulo do corpo feminino, os lábios carnudos, os olhos com cílios longos, os seios, as pernas, a barriga, a bunda, os pelos, o nariz, o umbigo, os ossos do quadril proeminentes. Estar apaixonado. Sentir o olor do campo. Aromas cítricos e amadeirados. Chance, da Chanel. Acqua de Giò feminino. 212. Cheiro de solventes e inalantes (já me vi tantas vezes cheirando cola pelas rodoviárias). Cheiro de bebê. Assistir a aulas que dão vontade de sair correndo para começar a ler 50 livros antes da próxima. Matar aulas. Terminar o dia de trabalho com a sensação do dever cumprido. Ter um dia bom no trabalho. Matar um dia de trabalho. Retirar nacos de gelo do congelador de geladeiras antigas daquelas que precisavam ser descongeladas sempre. Cortar um item de uma lista de coisas a fazer. Cortar o cabelo. Andar pelado pela casa. Deparar-me comigo mesmo no espelho e constatar que está tudo muito bem. “Sejam bem vindos ao voo...”. “No fígado está tudo bem”. “É benigno”. “Exatamente o que eu pensei”. “Vou gozar de novo”. “...”. Ler tirinhas do Calvin e Hobbes, da Mafalda, do Laerte, do Angeli. Humor negro. Piadas de português e de advogados. Mapas de cidades. Cortinas de linho cru. Tênis Converse All Star. Capas de livro e livros bonitos. Cartazes antigos. Álbuns de fotografias. Dicionários. A textura do veludo, do algodão, da seda. A sensação de deitar em um colchão macio. A arte e as artes. Tentar tocar violão. Cantar, cantar (e desafinar, claro). Ouvir românticos em música erudita (para horror dos que entendem de música muito mais do que eu). Piano e violino. Carmem, de Bizet. Ir a um show da banda de rock que não canso de ouvir naquele exato momento. Ouvir Beatles. Festas com música boa. Restaurantes com música boa. Músicos de rua. Roda de samba. Bossa nova. Chico Buarque. A geração de 1960 da MPB. Ouvir discos antigos de Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, Cartola. Cinema, sempre, quase como a satisfação de uma necessidade física. Filmes em preto e branco. Filmes do Kubrick, do Bergman, do Woody Allen. Jean Seberg, Anouk Aimée, Ingrid Bergman, Brigitte Bardot, Catherine Deneuve, Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, Isabelle Huppert, Meryl Streep, Juliette Binoche, Irène Jacob, Jodie Foster, Julianne Moore, Naomi Watts, Natalie Portman... e esta ciência de que muitas outras virão. Lembrança daqueles dias em que o cinema salva minha vida, como no dia em que entrei triste e sozinho na sessão noturna para assistir “O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain” e saí da sala outra pessoa. MOMA, Guggenheim, Museu d’Orsay, National Portrait Gallery, Prado, Hirshhorn. Pinturas de Picasso, Maggritte, Monet, Van Gogh, Rothko. Todas as pinturas do Chagall, especialmente aquelas com pessoas voando. As fotografias do Cartier-Bresson, os livros de fotografia do Sebastião Salgado. Ler a orelha do livro que vou começar a ler. Terminar o livro que estou lendo (e, então, assinar meu nome, colocar a cidade onde estou, a data e a hora exata). Ler na cama. Ler em cafés. Ler em bibliotecas. Ler, simplesmente. Romances do Dostoiévski, do Guimarães Rosa, do García Marquez, do Proust, Thomas Mann, Kafka, Coetzee, Paul Auster, Clarice Lispector. Contos do Tchekov, do Rubem Braga e do Luis Fernando Veríssimo. Machado de Assis, este monstro que nasceu bem aqui. Romances de formação. Um poema que faz chorar. Ler, ler de novo, reler de novo (infinitamente) poemas do Fernando Pessoa e do Carlos Drummond de Andrade (na cama, em cima do tapete, no sofá, na cozinha, no mato e na praia). T. S. Eliot e Vinicius de Moraes. Tragédias gregas. Cartas a jovens escritores. Os escritores russos do século XIX. Freud, Nietzsche, Sartre. Filosofia e psicanálise e história e política. Tentar decifrar alfabetos desconhecidos. Aprender uma língua nova. Ouvir e falar francês. Palavras e frases intraduzíveis para outra língua. Rir de palavras e frases em espanhol, principalmente quando eu tento falar. Tantas palavras, como inefável, nuvem, invisível, amorosamente. Outras engraçadas, como otorrinolaringologista, tatibitate, tucupi, quiproquó. Viajar com amigos. Viajar com namorada. Viajar sozinho. Viajar. O desconhecido (e o medo do desconhecido). Ipanema. A Lagoa Rodrigo de Freitas. Praias do Nordeste do meu país. Praias especificamente da Bahia (no sul da Bahia, então, nem se fala). Tantas e tantas urbes: Paris, Nova York e Chicago, Barcelona, Amsterdã, Atenas, Buenos Aires, Ouro Preto, Salvador, Rio de Janeiro, Goiânia. O interior da Casa Batlò em Barcelona, e o Parc Guel, e a Sagrada Família com seus guindastes (a distribuição da luz de Gaudí). O Fórum Romano. A Esplanada dos Ministérios em Brasília e o interior da catedral da mesma cidade. O jardim do Palácio de Versalhes. O parque de esculturas Vigeland, em Oslo. O Bairro Alto em Lisboa. A pirâmide do Louvre. Descobrir que, na Grécia, metaphora é como se designa transporte público. Comer na Pont des Arts, em Paris, no verão. Pôr-do-sol em Bali. Paisagens com lagos e montanhas. Piscinas naturais no meio do mar. Orquídeas. Árvores muito, muito altas. Pinheiros e álamos. Ipês em flor no meio do cerrado. Pé de jabuticaba carregado. A linha azul claro-escuro entre o céu e o mar. A aurora boreal. A aurora e o pôr-do-sol. O céu estrelado. Conhecer um novo melhor amigo de infância. Rir junto em mesa de bar. Ir a festas de casamento. Receber ligação que estava esperando. Receber ligação de quem não estava esperando e de quem sentia tantas saudades. Ficar sabendo de algum segredo. Contar um segredo. Conversar com os bons e velhos amigos de sempre e rir das histórias do passado (especialmente lembrar pela milésima vez das histórias contadas e recontadas, principalmente das coisas hilárias e surreais que aconteceram todas em um ano, 1998). Conversar com alguém e ver que compreende essa pessoa e que essa pessoa realmente compreende você. Gostar de alguém do jeito que a pessoa é, e saber que a pessoa gosta de você do jeito que você é. Falar o que pensa de verdade sem preocupar. Mãe. Os causos e memórias dos avós, as confusões e as opiniões do papai, as broncas e os conselhos da Raquel, as enrolações e as demonstrações amorosas da Ana. Reuniões de tios e primos nas cidades pequenas dos meus pais. O leite tirado na hora da vaca na fazenda do meu avô materno na minha infância. Pensar na filhinha que ainda não tenho. Sentir um bebê apertando com a mão o meu dedo. Ver uma garotinha com roupa de bailarina. Gente engraçada. Encontrar subitamente e por acaso um amigo de longa data. Ver um casal de velhinhos (e acreditar mais uma vez no amor). Estar apaixonado e pensar nela.&amp;nbsp; Assistir filmes no domingo à noite com ela, especialmente quando está frio e ficamos juntos embaixo da mesma coberta. Dormir junto. Mãos dadas. Beijo na boca, de-mo-ra-da-men-te. Sexo. Orgasmos. Ouvir “eu te amo” antes de dormir. Seu cheiro (que está no cabelo, na nuca, nos ombros, na barriga...). Seus furinhos nas costas. Amar. Amar mais e ser amado. Viver. Viver ao máximo. Descobrir que para isso é só querer. Saber que esta lista não tem fim. Continuar a expandi-la.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1785170766910620282?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1785170766910620282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1785170766910620282' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1785170766910620282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1785170766910620282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/03/para-nunca-completar.html' title='Para nunca completar'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-SVXSe35fpgc/TZOCD3AgnmI/AAAAAAAAAuI/VEJOBxBzRLs/s72-c/Marc-Chagall-Au-dessus-de-la-ville_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1889357109589750858</id><published>2011-03-14T17:46:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T17:40:28.396-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Noturno</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="https://lh4.googleusercontent.com/-J-G7BLlDnmI/TX598j-TinI/AAAAAAAAAuA/_YwSVhNRm6k/s1600/RothkoBlackonGrey2.bmp" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="280" src="https://lh4.googleusercontent.com/-J-G7BLlDnmI/TX598j-TinI/AAAAAAAAAuA/_YwSVhNRm6k/s320/RothkoBlackonGrey2.bmp" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Aquela noite estava especialmente estrelada. Uma fraca lua se via bem ao longe, de modo que o céu inteiro parecia aproximar-se do globo para fazer-se mais visível. Astrônomos no deserto do Atacama conseguiam enxergar melhor as cerca de 300 bilhões de estrelas de nossa galáxia. Em algumas partes mais isoladas e em cidades pequenas, crianças faziam reiterados pedidos em silêncio, cada vez que flagravam outro aerólito, isto é, outro meteoro, isto é, outra estrela cadente, sorridentes, com pensamentos maliciosos sobre os presentes que certamente seriam recebidos nos dias seguintes ou até o Natal, sem dúvida. Estas crianças conseguiriam contar, se todas tivessem ido à escola e soubessem contar (o que não é o caso), se todas tivessem tempo para isso, e se a noite não acabasse nunca, quase 5 mil estrelas. Muitas não contavam, naturalmente, não somente por estas limitações, mas porque tinham medo de criar verrugas nas pontas dos dedos. Mas elas viam, as crianças, e isto era o mais importante, um mundo de estrelas, um céu leitoso que dava gosto de ver, ou seja, que deleitava. Era uma noite especial.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Os habitantes das cidades maiores não costumam olhar tanto para o céu, por haver sabidamente muito ao que prestar atenção aos lados, como nessa cidade da história. E se alguns moradores dessa capital sul-americana específica por acaso se distraíssem e de esgar reparassem o firmamento, ficariam imediatamente inteirados da excepcionalidade daquela abóbada, de tão iluminada. Essa mesma cidade teve a bênção de contar, nos últimos anos, com uma administração pública absolutamente engajada na promoção da iluminação para todos. Após licitações diversas (quase todas comprovadamente imparciais), optou-se por luminárias públicas que espalhavam indistintamente a luz (pelo preço, pela empresa escolhida, pelas influências de sempre). A propagação dessa iluminação teve vários efeitos paralelos, em geral aprovados pela população. Tornou o céu cada vez mais vermelho, de modo que se alguém dirigisse por uma estrada poderia notar a aproximação dessa cidade a mais de cem quilômetros de distância, pela mera observação astronômica. Era comum mencionar que o céu era mais bonito e distinto, e que aquilo ainda por cima havia diminuído a violência em várias áreas notoriamente problemáticas. Houve, igualmente, mas isso não foi tão comentado, perda da visibilidade das estrelas. Antes da construção da cidade, podia-se ver mais de 4 mil estrelas do local específico em que o protagonista está agora, uma festa eletrônica perto do centro da cidade. Após a construção da cidade e até mais ou menos 1950, o número de estrelas visíveis a olho nu passou para 2 mil. Com a já citada política intensa de iluminação pública com os postes de iluminação arbitrária, o número passou para exatamente nove estrelas. Os desavisados contavam onze, mas dois eram planetas. Nove estrelas pode não parecer muito, mas naquele céu vermelho naquele ponto específico da saída da festa, as nove estrelas estavam absolutamente cintilantes. Os planetas (talvez seja importante ressaltar), também. Já existem notícias sobre algumas cidades em que não é visível uma estrela sequer, um planeta sequer. Era definitivamente uma noite especial.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;São 4 horas e quarenta e sete minutos. C. nota que seu cérebro desacelera entre a pista de dança e a primeira conversa sobre ir embora da festa, porque está tarde e porque é preciso fazer isso ou aquilo amanhã, um amigo está cansado, e outro se envolveu numa discussão desagradável perto do bar e acha que a festa perdeu a graça. A maioria das mulheres já foi embora, inclusive a que C. beijou em algum momento entre a segunda e a terceira idas ao banheiro. A festa era agora preenchida por pessoas que não iriam embora tão cedo por terem tomado comidas infantis (balas, doces, entre outras guloseimas), por terem bebido vodka suficiente para não terem idéia de que a festa está acabando, e por pessoas que simplesmente não desistem nunca. Alguns, dizem, ainda se divertiam. Mas o grosso é formado pelos primeiros casos, e aquela festa era uma festa normal, ordinária mesmo. C. era invadido pelo cheiro sufocante da mistura de suor e cerveja que o chão emanava e constatou ainda que dançar não era mais possível depois que toda a bebida derramada havia secado e formado uma gosma que grudava na sola do pé e que o impedia de sincronizar seus movimentos com os da música. Tudo aquilo no meio do gelo seco e das luzes coloridas (ele tinha nostalgia daquelas festas dos anos 80 em que só havia estroboscópios, mas sabe que aquilo é passado). Um sujeito não parava de esbarrar nele enquanto dançava, apesar de todo o espaço disponível para qualquer tipo de passo naquela hora. Algumas meninas olhavam gargalhando para um rapaz que não era ele, quase afogado na bebida em cima do balcão. Também sorriam para o sujeito espaçoso. Talvez fosse melhor ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;C. fica um pouco para trás na fila do caixa e, definitivamente, tudo adquire uma velocidade bem menor agora. O mundo volta a rodar devagar depois que a música frenética fica um pouco mais distante. O caminho para a saída de boates é sempre negro, que sempre cria tons negros e cinzentos que deprimem e que impedem de acreditar num mundo cor de rosa. As pessoas se vestem de preto, as paredes são negras, isso sem falar na maquiagem carregada e agora desbotada de várias meninas (e alguns meninos) ao meu redor. Pouco antes de chegar ao caixa, uma criatura reclama do valor da conta, disse que bebeu somente duas cervejas (seus olhos cabisbaixos e vermelhos dizem o oposto, sua falta de equilíbrio diz o oposto), e o gerente é chamado para resolver o problema. Uma menina logo atrás não cessa em mexer o cabelo e enfiar suas madeixas na cara de C., que finalmente chega à frente da fila e paga sua conta. Está bêbado, naturalmente.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;Sai do bafo quente e impossível da entrada e dá de encontro com os perdidos da noite, as pessoas que não partem quando já foram embora. Os que estão comendo, os que bebem as latas de cerveja mais barata vendida por ambulantes na calçada, aqueles cujo efeito das guloseimas não passou nem vai passar agora, os náufragos da festa, os abandonados na estação, os desesperados e os esperançosos, os que não desistem nunca (persistentes ou obstinados, a depender do ponto de vista), estão todos ali. É comum constatar que o lugar onde em geral não acontece nada é o mesmo onde as pessoas esperam que algo aconteça. Algo que vá redimir a noite, que vá dar algum sentido definitivo aos ensaios que ocorreram desde que saíram de casa. Ou até mesmo desde que acordaram. Desde que nasceram. O encontro. O acontecimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;C. procurava os amigos quando subitamente uma pancada no lado esquerdo da sua face o faz desviar por vários e vários passos em falso, acompanhado de um grupo que ele não havia distinguido. Algumas gotas de sangue mostravam o caminho da pancada até o lugar onde foi parar, onde a cor vermelha ficou mais volumosa e mais intensa.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Palhaço. Agora vai aprender a não ficar mexendo com mina dos outros.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Hehehehehe. Mete a mão, bróder. O cara é um babaca. Achou que tinha se dado bem, hehe, agora se fodeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Amor, vamos embora, vamos. Não precisa disso, não devia ter te contado que tinha sentido uma mão na minha bunda.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Toma, toma, toma. Fica no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Mete o chute na cara, na cara, porra, agora mete um na barriga. No saco, o veado vai virar mulher. De veado pra mulher é pouco, hahahaha!&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Ai, essa deve ter doído. Olha o sangue na cara, hehehe. Quebra o nariz, quebra o nariz.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Tá bom, amor. Foi só uma mão na bunda.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Mulher minha não é vagabunda e não vai pra casa sem apontar o filha da puta que tentou bolinar ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Amor, eu ainda acho que você pegou na bunda de uma mulher do lado. Amor, vamos embora, vamos. Isso está a mesma história de ontem e do fim de semana passado.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Toma, toma, toma, filha da puta.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Tá bom, bróder, vai acabar matando o cara e dando problema depois.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Amor, pensando bem, acho que o menino atrás de mim tinha cabelo loiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Loiro? Peraí, então pode ser aquele panaca ali de verde. Não é? Galera, vamos ali ter uma conversinha com o primo ali.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Maluco, olha pra trás!&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Caralho, o magrelo conseguiu levantar e dar uma porrada, agora vai morrer.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Puta que pariu, vem cá, filha da puta! Deita no chão de novo, deita no chão, fica no chão, porra, vai ficar no chão. Murro de veado, dois murros de veado antes de cair no chão e ficar aí pra sempre. Nem doeu, caralho.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Bem, essas devem ter doído mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Amor, para com isso. Tá pior do que aquele que ficava me encarando ontem. Eu não posso te dizer essas coisas, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Cara invocado. Agora tomou o que merecia.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Putz, bicho, vamos embora daqui, vamos embora daqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- E o loiro, porra?&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Cara, tô vazando, tô me mandando mesmo. Fui. Tchau.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Deixa o cara aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- A polícia acha depois.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Vamos pro carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Amor, voce tá sujo.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Cala a boca, vagabunda, toda hora alguém pega em você.&lt;/div&gt;&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;- Desculpa, amor, desculpa.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Os palhaços foram embora. Covardes. Basta verem alguma luz vermelha que saem correndo. Estão acostumados a fazer tudo e a nunca sofrer nada. Eu não olhei para mulher alguma, muito menos peguei em alguém, não fiz absolutamente nada, e agora estou estirado no meio da rua com dor demais para tentar sair daqui. Por que isso acontece, meu deus, por quê? Simplesmente tive azar hoje. Não existe previsão astrológica ou deuses que expliquem como essas coisas acontecem com a gente. E como dói. Física e moralmente. Fui humilhado, fui humilhado sem razão alguma. Simplesmente por ser fraco, por estar ali, por ser uma vítima fácil. Não consigo ver ninguém, cadê as pessoas? Talvez eu tenha que tentar andar de novo. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não consigo. Aliás, nem sei como me levantei e fui para cima do cara, só senti minha perna tremendo e subitamente me levantei, e meti dois murros, e teria distribuído mais, se não estivesse tão fraco e tão bêbado. Nada calculado, algo como um instinto, como a conseqüência do excesso de adrenalina. Coisa de animal, coisa irracional. E me orgulho disso: tudo, menos a razão pura. E descubro assim que não devo morrer como um cachorro se protegendo dos chutes do dono que o maltrata e que ele respeita. Nada de desobediência civil, sou só revolta diante da dor. Talvez por isso eu tenha apanhado, algum olhar orgulhoso de que ele não gostou e quis tirar da minha cara. Nada a ver com a namorada, nada a ver com nada. Também meu revide não tivesse a ver com nada. Sou um joguete do destino, tanto pelo que me acontece como pela maneira como reajo. Eu estava alegre e tranqüilo na hora errada, no meio das pessoas erradas. A culpa, quem sabe, foi minha. Eu devia ter aprendido alguma luta. Babaca mesmo, veado mesmo, filho da puta mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nada a fazer senão sentir essa dor nas costelas, essa dor na barriga, na boca, no nariz, no pé, na cabeça (na alma? - quanta frescura eu penso, metafísica de lixo na hora em que a gente precisa de tudo menos de filosofia, ainda mais filosofia barata. Eu devia evitar essas consolações da filosofia barata e dos artigos de analistas ou jornalistas pedantes). Começo a divagar. Vou morrer divagando e olhando para o céu por falta de uma posição melhor. Espero que não tentem deduzir qual foi o meu último pensamento, do qual certamente terei vergonha.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Opa, finalmente algo se mexendo ali. Talvez alguém da festa me tenha visto caído no meio do asfalto. Pode ser, uma pessoa vindo devagar. Ou um cachorro vindo devagar. Uma pessoa. Alguém para me ajudar. Carregando algo. Talvez um gari. Um policial. Um bêbado. Talvez um assaltante.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;*&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt;"&gt;Enquanto via aquela sombra movente, C. percebeu, inesperadamente, uma das nove (que pareciam ser onze) estrelas do céu apagar e desaparecer. Poderia ser essa a razão de seu enorme brilho, era seu momento de supernova, e daqui a pouco tempo poderá haver um buraco negro que puxará tudo que houver de matéria por perto, talvez até alguma estrela menor e pouco distante. C. enxerga o fenômeno e o interpreta como um presságio de algo bom ou ruim. Seja como for, sua interpretação egoísta ignorava o fato de que isso já teria acontecido há milhões de anos e que, portanto, C. olhava antes para um ser já inexistente, já morto muito antes de ele nascer e de ter olhos para ver, morto antes do início da humanidade, morto antes de haver vida e, consequentemente, de haver morte neste mundo. Havia também a possibilidade de que a estrela houvesse sumido pela renovação e fortalecimento da iluminação em um bairro pobre perto do local da festa, onde terá aumentado também a popularidade do prefeito junto à população local. Também poderia ser mera ilusão causada pelo desespero ou pelo desequilíbrio orgânico atual do seu corpo. No entanto, por ser a possibilidade mais otimista e poética (e que ainda agradará aos já mencionados astrônomos no observatório do deserto do Atacama), é preciso que se acredite que C. tenha acabado de presenciar o final de uma supernova. Uma compensação que a imaginação e a arte (além do otimismo e da estupidez) humanas são capazes de prover neste universo aparentemente sem sentido &lt;st1:personname productid="em que C." w:st="on"&gt;em  que C.&lt;/st1:personname&gt; agora (ou ainda) habita.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1889357109589750858?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1889357109589750858/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1889357109589750858' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1889357109589750858'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1889357109589750858'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/03/noturno.html' title='Noturno'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='https://lh4.googleusercontent.com/-J-G7BLlDnmI/TX598j-TinI/AAAAAAAAAuA/_YwSVhNRm6k/s72-c/RothkoBlackonGrey2.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7849325096271741589</id><published>2011-02-16T13:27:00.002-02:00</published><updated>2011-03-18T17:41:01.064-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Moto-contínuo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Ao meu pai e ao filho que não tive.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Faça&lt;br /&gt;Mala&lt;br /&gt;Pra&lt;br /&gt;Fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fuja&lt;br /&gt;Para&lt;br /&gt;Não&lt;br /&gt;Tornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torne&lt;br /&gt;Tudo&lt;br /&gt;Menos&lt;br /&gt;Falaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fale&lt;br /&gt;Nada&lt;br /&gt;Pra&lt;br /&gt;Sentir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinta&lt;br /&gt;Tudo&lt;br /&gt;Para&lt;br /&gt;Amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ame&lt;br /&gt;Para&lt;br /&gt;Dois&lt;br /&gt;Tornar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torne&lt;br /&gt;Tudo&lt;br /&gt;Sempre&lt;br /&gt;Um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Una&lt;br /&gt;Surge&lt;br /&gt;Outro&lt;br /&gt;Rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rapa&lt;br /&gt;Prato&lt;br /&gt;Pra&lt;br /&gt;Crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresce&lt;br /&gt;Muda&lt;br /&gt;Novo&lt;br /&gt;Ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seja&lt;br /&gt;Outro&lt;br /&gt;Pra&lt;br /&gt;Viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vive&lt;br /&gt;Pensa&lt;br /&gt;Quer&lt;br /&gt;Mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mude&lt;br /&gt;Pra&lt;br /&gt;Vida&lt;br /&gt;Fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faça&lt;br /&gt;Mala&lt;br /&gt;Pra&lt;br /&gt;Fugir. &lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7849325096271741589?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7849325096271741589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7849325096271741589' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7849325096271741589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7849325096271741589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/02/moto-continuo.html' title='Moto-contínuo'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3810990940173239031</id><published>2011-02-15T11:38:00.002-02:00</published><updated>2011-03-18T17:47:39.061-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Em si</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem todos os pensamentos correspondem àquela repetida imagem do vento que revira a poeira de uma sala imensa e abandonada. Alguns pensamentos pesam, estão mais para a água (não têm nada de ar) que faz a poeira virar lama e grudar pelo assoalho, passando pelos corredores e pelas escadarias até o limiar da entrada. E quando passa de lá, sai fora do corpo aquela água salgada que cai no assoalho de fora do corpo. Alguns pensamentos pesam. Há momentos, inclusive, em que o peso deles (em que eles pesam tanto) faz ter vontade de existir como mera coisa, como algo que exista somente, sem saber disso, sem qualquer forma de interioridade. Momentos em se quer existir, não se sabe bem como, como uma canção. Uma melodia que se ouvisse por acaso nos momentos em que outras pessoas sentissem este mesmo peso e as fizesse sentir-se (que seja por um momento breve como o de uma canção) mais leves. Ou que as fizesse esquecer. Nessa hora, o medo incessante de não mais existir, de acabar de vez e para sempre, essa vaidade inútil de permanecer, cessa. Fica essa vontade, insisto, de existir somente como invocação para os outros que se sentem como se sente agora a pessoa cujos pensamentos pesam. É preciso ser possível tornar-se vez por outra uma invocação na forma do gosto de manga, do perfume de um chá exótico do oriente antigo, da textura de uma blusa de veludo, de um assobio, de uma fotografia de uma paisagem distante. Ser aquela lembrança inesquecível que você esqueceu e que, no esforço imenso de lembrar, você gargalha por não conseguir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3810990940173239031?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3810990940173239031/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3810990940173239031' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3810990940173239031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3810990940173239031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2011/02/em-si.html' title='Em si'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-4496348580973478035</id><published>2010-12-01T11:32:00.002-02:00</published><updated>2011-04-08T10:48:32.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Manhã</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O homem acorda às sete horas da manhã e dirige-se ao banheiro para tomar uma ducha. A mulher dorme na cama por mais 20 minutos, quando finalmente decide pegar suas roupas em seu quarto, na próxima porta. Uma decisão acertada, quartos separados, suas coisas sempre previsivelmente nos lugares adequados. O homem sai do banheiro, cheiro de sabonete com loção pós-barba, refletindo, novamente em seu quarto, sobre a gravata que seus colegas de trabalho verão pendida sobre sua camisa branca. A mulher sai do banheiro já vestida, abre a porta para deixar sair o vapor e começa a maquiar-se, preocupada com o fim próximo do batom de que mais gosta, preocupada sobre a possibilidade de usar a sandália mais bonita num dia provavelmente chuvoso, preocupada com os prazos e as entregas do dia. O homem olha o dia cinza através da janela enquanto seu café esquenta no fogão. Ele pega o corredor em direção à sala para fumar um cigarro na mesa de centro. Ouve passos do casal de vizinhos saindo para levar seus filhos correndo para suas escolas, para depois seguirem para o trabalho. Eles não têm filhos, não sabem mais se querem&amp;nbsp; ter. A mulher entra na cozinha, pega a salada de frutas e duas torradas, tira uma xícara de café do bule que esfria. O homem pega suas chaves penduradas no corredor, avista a mulher na cozinha e diz “tchau” e desce pelo elevador. A mulher termina de comer suas torradas, calça suas sandálias, desce os dois lances de escada que a separam da garagem, entra no carro e vai para seu escritório. Havia uma chuva monótona caindo sobre o pára-brisa dos dois carros, que seguiam por avenidas paralelas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-4496348580973478035?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/4496348580973478035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=4496348580973478035' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4496348580973478035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4496348580973478035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/12/manha.html' title='Manhã'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5429261283645258467</id><published>2010-10-18T12:11:00.001-02:00</published><updated>2011-03-18T17:43:42.614-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Estas coisas</title><content type='html'>&lt;div style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Estas coisas me definem.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Olhando longe pela janela,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Penso sempre em minha sina&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Quando se forem todas elas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Haverá sentido em falar&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;De mim como sou (estarei morto?),&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Em vez de outro, ignaro&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Do ser anterior, agora oco?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Mortas coisas e pessoas,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Morto eu? Falso sobrevivente,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Andando a esmo inutilmente,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Corpo sem mente?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Ser sem nexo,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Renascido das cinzas&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Não para ser Fênix&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Mas novamente cinzas?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Do que chamar este estranho&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Bando de cacos, ator sem roteiro,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Amnésia ambulante,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Sem eira, sem beira e sem paradeiro?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Chamar pelo mesmo nome?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Palavras deslizam entre entes&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Díspares ao longo do tempo,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Sem algo que as dome.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Este alter ego nascido&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;No meio da vida, com peito&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;E cabeça vazios, exige&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Porém algum respeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt; min-height: 15px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Que ninguém ouse&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Desacatar este novo senhor,&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Esta outra coisa&lt;/div&gt;&lt;div style="font-size-adjust: none; font-stretch: normal; margin: 0cm 0cm 0.0001pt;"&gt;Que logo sou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5429261283645258467?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5429261283645258467/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5429261283645258467' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5429261283645258467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5429261283645258467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/10/estas-coisas.html' title='Estas coisas'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5265659562946441310</id><published>2010-10-05T19:04:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T18:16:57.633-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Líricas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>La chica de la noche</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Nós nos viamos há vários anos. Às vezes, quando já estavamos juntos, alguém deixava cair uma colherinha e acordávamos. Pouco a pouco fomos compreendendo que nossa amizade estava subordinada às coisas, aos acontecimentos mais simples. Nossos encontros terminavam sempre assim, com o cair de uma colherinha na madrugada. (Gabriel García Márquez - Olhos de Cão Azul) &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Não vou fazer uma declaração de amor. O que eu sinto é sobretudo este espanto de entender que meus olhos são olhos transparentes de sentimento quando te vejo. Quando te beijo. Nas noites insones em que conversamos, sua pele clara semeava luz no meio da escuridão, eu me perdia profundamente no seu corpo. Minha vontade era seguir suas veias evidentes e me perder eternamente para não me encontrar nem jamais saber de mim. Ser isto: seu sangue, sua carne. Te habitar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Nossa vida foi sempre formada por sonhos que não esquecemos ao acordar. Nossa vida nunca teve coerência alguma com nossa vida juntos e nós não ligamos para isso. Você é la chica de la noche, já que eu nunca pude tê-la como belle du jour e penso que talvez seja melhor assim. Nem você pôde me ter como queria. Foi tudo da maneira que são os sonhos, foi tudo fugaz, algo se escorreu entre nossos dedos e não pudemos acreditar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A vida sonhada é vivida, a vida vivida é sonhada. É preciso convencer a todos que façam de cada história de amor sonhada a história vivida, de cada história vivida o amor sonhado. Assim, em silêncio, porque as palavras sempre foram inúteis e confundem mentes e corações. Convidar a todos que conheçam, ao menos em sonho, a chica que conheci numa noite atormentada e que me fez dormir bem desde então. Os seus cabelos negros sobre os meus cabelos negros se misturam e compõem uma matéria que alguns chamam de sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Volte para mim, meu amor. Por favor, me faça dormir de novo. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5265659562946441310?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5265659562946441310/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5265659562946441310' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5265659562946441310'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5265659562946441310'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/10/la-chica-de-la-noche.html' title='La chica de la noche'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-6109137055546814993</id><published>2010-09-06T16:22:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T17:46:34.829-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Guerra dos sexos</title><content type='html'>Ninguém vai ganhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-6109137055546814993?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/6109137055546814993/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=6109137055546814993' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6109137055546814993'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6109137055546814993'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/09/guerra-dos-sexos.html' title='Guerra dos sexos'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-8283506708401677786</id><published>2010-06-22T11:46:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T18:14:17.408-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Joaquim não conseguia andar</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mãe de Joaquim já havia tentado de tudo, mas era sempre a mesma coisa. Assim que ele começasse a caminhar, saía do chão e voava. Joaquim, vem pro chão agora. Mamãe está te chamando. Joaquim, por favor. As outras mães cada vez mais preocupadas, já que duas crianças do prédio já haviam tentado voar como Joaquim, e para segurança de todos foram instaladas grades em todas as janelas. Mas era só o menino descer para aprender a andar que sempre acontecia o mesmo: ele ia para cima das árvores conversar com os passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar, então, era um problema. Joaquim tinha um vocabulário extenso, muito maior do que das crianças de sua idade. Mas não conseguia falar “eu”. Não entendia o significado, não conseguia separar as entidades. Para ele, parecia que mãe, pai, pássaro, árvore e tudo mais era “nós”. Ele dizia coisas como “nós vamos comer e ficar com fome”, era tanta frase contraditória que dava medo. Joaquim, por favor, vem cá. Ele vinha sempre sorrindo, e voando, claro. “Nós nos aproximamos, mamãe”. Era tanta palavra difícil, a mãe estava aflita com Joaquim usando pronomes átonos e não sabendo falar “eu”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vizinhos pensavam em um abaixo-assinado para expulsar Joaquim do condomínio. Mas nem havia o que dizer, não havia tampouco pagamentos em atraso. Os pais de Joaquim, além do mais, eram uma simpatia e tão solícitos que ninguém tinha coragem de iniciar uma moção contra a família. Até mesmo o menino não parava de rir. E os andares de cima ouviam até mais a gargalhada dele do que os que o viam do chão. E ele pegava tudo no caminho, e não faz tempo havia entregado um pedaço de nuvem para o pai, coisa que ninguém podia explicar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joaquim também não conseguia entender os seus sentidos. Ele via música, ouvia carinho, sentia gosto do amarelo (cor, aliás, que ele achava meio amarga), cheirava coisas ásperas, odiava ser encostado pelo dó sustenido mas acabou aprendendo a gostar. Acho que ele pensava que o dó sustenido era roxo, e ele tinha um pouco de medo dessa cor. No geral, Joaquim foi se acostumando e parando de ter medo das coisas (se é que ele entendia as coisas separadamente, coisa de que duvido). Joaquim era um menino realmente diferente, ele gostava de seus cabelos louros por causa da melodia. Joaquim falava outra língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então resolveram mandar Joaquim para diversos psicólogos. E eles explicaram que o problema do menino era que ele ainda não conseguira diferenciar-se do resto do mundo, que ele achava que tudo era ele. O problema é que ele nunca falava “eu”, e um psicólogo pensou finalmente que talvez o problema fosse mesmo que Joaquim não tinha desenvolvido um Eu, ao contrário dos meninos para quem tudo era “eu”. E resolveu atacar aí. E resolveu que o símbolo que faltava em Joaquim era o Eu, que sem esse Eu ele não poderia viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No começo, Joaquim não entendia e, pela primeira vez, deixou de sorrir por alguns minutos. Passou a falar dele mesmo na terceira pessoa: “Joaquim gosta de jogar bola”, “Joaquim come jabuticaba”. Pouco a pouco, conseguiram fazê-lo falar o que queria, e Joaquim passou a dizer o verbo, mas sempre na terceira pessoa. E falavam que Joaquim era ele, Joaquim era ele, Joaquim era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, um dia, Joaquim disse “eu” e nunca mais conseguiu voar, para alívio de todos os vizinhos e professores da escolinha.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-8283506708401677786?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/8283506708401677786/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=8283506708401677786' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8283506708401677786'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8283506708401677786'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/06/joaquim-nao-conseguia-andar.html' title='Joaquim não conseguia andar'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-263940217134546159</id><published>2010-06-18T11:47:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T18:17:27.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Primeira entrada em um diário sem assinatura (e também a única: o diário jamais foi continuado)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi o frio talvez que me deu a idéia de começar a escrever tudo que penso, diariamente se possível. No frio, as coisas ficam sempre mais claras. Esse sol a pino acompanhado pelo vento frio desta cidade eternamente aberta ao horizonte, essas formas limpas e monótonas, essa sensação de solidão que o estar encoberto de roupas sempre traz, tudo isso parece me obrigar a escrever algo para que eu possa, quem sabe, entender depois. Porque eu nunca entendi o que escrevo. Passa um dia, passa outro, não consigo entender o que cada um deles quer dizer, nem o que o conjunto de todos significa. É tudo simples ou profundo demais para compreender (porque eu acho que a mente humana acredita tanto na profundidade que não consegue entender o que é banal, porque ela não quer aceitar a banalidade).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Está frio e no frio tomo café. Antes de ir ao trabalho, pensei ter dito algumas coisas erradas ontem. Muito do que digo agora tem mais a ver com meu passado do que com o presente. Eu vivo no tempo errado: pensando no futuro e reagindo a coisas do passado. Talvez seja isso o presente. Será possível consertar coisas do passado? Para que Deus me trouxe a esse mundo se sou tão inadaptado? Para aprender algo? Pagar pecados cometidos? Mudar o mundo? Não, não sou tanto. Mudar a mim mesmo? Talvez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É preciso contar o meu dia. Bem, vamos recordar o meu dia: acordei, tomei café, pensei besteiras, andei no parque rumo ao trabalho, trabalhei (não aconteceu nada de mais, além de um comentário maldoso sobre alguns colegas, que achei desnecessário), encontrei João e Maria para tomar um vinho e comer algo, voltei para casa, assisti a um filme e agora estou escrevendo esse diário antes de desmaiar de vez na cama. Ah, essa cama já foi dividida e agora não é mais. Os filhos já cresceram, não ligam mais. Esse diário é uma receita para adiar a morte?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse frio está me fazendo mal. E do nada me dá de escrever um diário? E eu sou lá Anne Frank? E estou lá à beira da morte? Enquanto eu amar, não haverá morte. Eu preciso fugir do frio, é isso. Ligar para amigos, convencê-los a abandonar tudo e ir dançar na beira de algum mar quente e desconhecido. Se não for possível, falar com desconhecidos no meio da rua para ir a um mar desconhecido. Viver. Tomar decisões como nunca mais escrever e jogar este caderno no fogo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-263940217134546159?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/263940217134546159/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=263940217134546159' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/263940217134546159'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/263940217134546159'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/06/primeira-entrada-em-um-diario-sem.html' title='Primeira entrada em um diário sem assinatura (e também a única: o diário jamais foi continuado)'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-890421435657787708</id><published>2010-03-04T11:44:00.006-03:00</published><updated>2011-03-18T18:20:17.315-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>The outsider (fragments)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Once upon a time there was a death of a beloved one.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;You come into a restaurant and order thai food inside New York. Everybody speaks English but nobody really speaks English. You listen to 546 different accents every minute including yours. And you think you also have an accent in your mother language and people often ask if you are from a specific state in your country. No, you think, you are from a neighbor state. And now you are ordering food in a nice restaurant to run away from the snowstorm that all TV stations are broadcasting. Really far away from all the tropical beaches you kind of miss. It's like you're not really you. It's like watching somebody else moving, talking, having opinions. Do you really think this? Every language you speak, every continent you go, you're somebody else. You think about your loved one and the loved one is the loved one in that language, not your really loved one as a whole. You are fragmented. You read French philosophers in Spanish just because the bookstore in Chile had it and you were there not in France. You have friends in Facebook from Mozambique that you met in the World Social Forum in Nairobi. When you really think about Paul Auster, you think of him speaking French in Paris but somehow living in the same city you are right now, ordering Italian food with his Norwegian wife on 59th. You remember last night, you barely remember last night drinking too much wine with many friends discussing the reason why we are so unsatisfied being that we all are so privileged. You keep travelling from country to country, from language to language, from different parts of your brain to other different parts of your brain. You are, no doubt about it, doing fine. A bookish fellow, a little distant from your acquaintances. Very shy, perhaps, but indeed good at hiding it. Your face in the mirror of an apartment that never made you feel like home, each day more wrinkled behind the smoke of your cigarette. Still trying to quit, for decades you have been trying to quit. You got used to not telling anyone the things that really matter for you. You convinced yourself that they are not important, not profound enough. Your face behind the smoke of your cigarette have tears sometimes. But not very often. It is because of that short story by Dostoyevsky last night, that sonata you were listening too late at night. Not very often.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;There are many different ways of being somebody else in the life. Only one of being yourself, but that changes over time. You are running away. You even forget your name sometimes. You are taking another plane to another place and you like it so much. Time is passing, and you value every second. You know you can forget everything. And after a few years, it is going to be so much easier because you have never had a good memory. Going to meetings everyday, talking to people and reading books at night. Oh, you are still young. You dream of finding someone who will complete you and you know that it doesn't make any sense. You know that Aristophanes was wrong, there is not this so called your other half. And you amuse being with different halves with different parts of your personality. You once met someone who changed your life and you are never going to be like you were before. Those light green eyes are in the back of your head. Still. But not very often. Oh, you love to go to Myanmar and see the beaches and forget that once people used to suffer so much there. Sometimes, when you talk about the life you live, you sound very snob to your audience. And you know it and you know also that you despise your life. But they will never know. It is even worse to complain about a life so privileged. And you know (yes, you know a lot) that it is privileged. The problem sometimes is just you. The world has changed, no worries about climate change, no worries about crisis after crisis. Yes, you stopped reading newspaper and prefer to enjoy the smell of blooming flowers after the rain. You enjoy the moment. No Heidegger anymore, not that old urge about the future. No plans at all. All that is important is here and now. You know how to live, finally after years trying to change. No worries about your psychoanalysis therapy, no worries about who you really are. You get lost in the cities and you love when you are unable to understand what people are saying when you take the metro to a unpronounceable station. You wanted to know the world and you are doing it. Your job is not important. Not even yourself is important. You are now in complete harmony with the surroundings. You like to smile at people and expect them to smile back at you. Sometimes it doesn't happen. But not very often. Sometimes you think of yourself and you remember there are reasons for you to be sad. But, oh, those smiles back at you, they are so spontaneous. So beautiful. Not very often.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;You now spend a lot of time crying, listening to music, drinking. You are never alone. People say behind your back that you cannot be left alone, and you are not so stupid not to realize it. Oh, my god, oh my god, oh my god. Where are you. You started praying again. You would never pray after your childhood, and now you talk to god every night and every morning. And you refuse to speak your own language. You do not want to be that person that spoke that language. You are not from anywhere. You are never coming back to the places you went to with her. You do not want to be yourself. Sometimes you think of coming back and starting all over again. But not very often. That part of you must die. And you are killing it, like so many others have done before you. There are real tragedies that need to be forgotten, and you have to kill that part of you which lived the tragedy. Desperation is not wanting to be oneself. It is the impossibility of being oneself. Because you do not understand why such unexpected things can happen to those who had a life so uneventful. Oh, and you used to be so happy, you remember that you could not stop laughing. You even remember one day that you thought you were going to die because you could not stop laughing. You smile sometimes remembering that. You feel so light sometimes. There are good things in life. You are reading self-help books now, so pathetic. You read astrology, Buddhism, all kinds of oriental things, to see the beautiful things that you cannot see very often lately. Where is she? You stop crying sometimes. Not very often.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você está vivendo o momento mais feliz da sua vida e nunca pensou que pudesse ser tão feliz assim. Ri de qualquer coisa, faz planos de se casar, de conhecer toda a família, de ter filhos e parar com aquela coisa egoísta de preservar sua individualidade. Você quer imergir em outra pessoa e não faz a mínima questão de ser qualquer coisa que não seja para ela. E ela ama você de volta e vocês vão ser felizes para sempre. Não existe nada que possa mudar isso. Você vai finalmente se estabelecer e viver o resto da sua vida com a pessoa que você mais amou na sua vida. Chega de viajar, chega de mudar, chega de procurar. Você agora vai ser só você, da forma mais espontânea e simples do mundo. A felicidade é algo simples e duradouro. Nada realmente pode mudar isso, porque isso vem de você. Você tem convicção de que merece essa felicidade e de que nada pode mudar isso. Existem momentos em que finalmente decidimos como será toda nossa vida futura. Você descobriu esse momento. É maravilhoso. Não acontece quase nunca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-890421435657787708?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/890421435657787708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=890421435657787708' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/890421435657787708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/890421435657787708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/03/outsider-fragments.html' title='The outsider (fragments)'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-9203471589349730141</id><published>2010-02-20T11:40:00.013-02:00</published><updated>2011-03-18T18:13:56.116-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Um dia</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: Georgia,&amp;quot;Times New Roman&amp;quot;,serif; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; line-height: normal; margin: 0px;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: small;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Um dia eu acordei e estava cansado da vida e achava que tinha desperdiçado-a com coisas que não tinham nada a ver comigo e que eu devia ter sido mais autêntico e menos preocupado com o que os outros pensavam de mim e deixar meus desejos aflorarem e dar mais de mim para os outros seja bom ou ruim e que agora era tarde demais e que eu havia me perdido e agora não conseguia mais saber quem eu era nem o que queria e que era duro não saber quem se é e por isso eu devia ter feito ioga análise e devia ter sido mais saudável e parar de ouvir as pessoas que têm mais traumas e estão mais perdidas do que eu e diziam ser meus amigos e eu pensei que também estava me sentindo na verdade muito sozinho porque eu nunca conseguia ficar à vontade mesmo entre pessoas conhecidas e que no fundo ninguém nunca tinha me conhecido de verdade e que a culpa era minha já que nem mesmo eu sabia quem eu era e que isso era uma forma de egoísmo e sim era egoísmo e eu era egoísta e por isso me sentia sozinho mas que agora ia ser tudo diferente e eu ia parar de me sentir assim e ia me dar mais para as pessoas e ia parar de me preocupar com o que as outras pessoas pensavam de mim e que eu ainda tinha muito da vida para aproveitar e que só tinha desperdiçado uma pequena parte porque eu era jovem eu era jovem e ainda podia fazer muita coisa e tudo estava bem e eu tinha uma vida tranqüila com emprego casa roupa lavada filmes livros e muita música e amigos de verdade e podia pagar análise ioga academia e que eu ia ser uma pessoa diferente já que eu tinha tomado consciência eu podia ser uma pessoa diferente e todas as coisas do meu apartamento começaram a dançar e a escova de dente cantava músicas felizes com o acompanhamento das latas de lixo das xícaras e copos do lustre do móbile e o vento começou a soprar mais forte tudo dentro do meu apartamento mas aí comecei a pensar que as pessoas não mudam assim tão facilmente só acordando um dia deprimidas e depois ficando felizes em uma hora e que na verdade eu podia acabar repetindo tudo de novo do mesmo jeito que eu tinha feito até então e que eu ia acabar sendo sempre isso sempre isso sempre isso mas aí pensei de novo e lembrei-me que a consciência era o começo da mudança de tudo e que agora eu podia sim sair pra rua e dançar e que os dias ensolarados iriam finalmente acontecer e logo eu abri a porta do meu apartamento e saí todo ensolarado e sorridente para a rua e vi as crianças brincando e os pais felizes nos parques das pessoas saudáveis e aquilo tudo me contagiou de uma forma tão completa que eu pensava que sim que eu iria mudar e que a felicidade estava na esquina e que agora eu só precisava de um cigarro para aproveitar o momento e de preferência uma cervejinha só para conversar com meus amigos de verdade e peguei o rumo do bar mas aí pensei que não era bem assim que eu estava me perdendo de novo e que eu era uma nova pessoa e voltei e quando eu estava chegando ao parque das pessoas felizes começou a chover e eu voltei para o meu apartamento silencioso e ao som da água caindo lá fora resolvi dormir de novo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-9203471589349730141?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/9203471589349730141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=9203471589349730141' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/9203471589349730141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/9203471589349730141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2010/02/um-dia.html' title='Um dia'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5012751530638409446</id><published>2009-10-13T17:26:00.003-03:00</published><updated>2009-10-14T11:18:52.254-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Princípio do autor (ou "Conto em forma de cebola")</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O protagonista da história é um diplomata que escreve textos com pretensão literária na internet. Mora em Brasília. O autor desta história é um arquiteto francês, admirador de Niemeyer. Portanto, a cidade em que se passa a história. Como fala francês, escolhe alguém que provavelmente seja versado em francês. Portanto, a profissão. O autor chama-se Xavier. O personagem, Matheus. A história se passa entre Brasília e Paris. O romance trataria da crise vivida por uma pessoa sem lugar fixo, que se sente fora de lugar em seu próprio país e que busca sua casa em outro lugar. Uma busca provavelmente fadada ao fracasso. Ou ao sucesso, não pela mudança de geografia, mas por alguma descoberta interior, que somente será possível mediante um grande acontecimento a ocorrer no meio da história. O escritor faz um rascunho, com personagens, lugares, diálogos inacabados, ideias pela metade. Não há enredo propriamente dito. O arquiteto-autor está atolado em mil projetos simultâneos por conta das grandes reformas urbanas planejadas pela atual administração francesa, que busca repetir os feitos de Haussmann. Para de escrever e eventualmente esquece o esboço. Fim da história. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou, talvez, continua-se com o arquiteto, que é personagem de uma história que se passa entre Paris e Brasília. O autor, Matheus, é um diplomata brasileiro que namora uma arquiteta, tenta aprender francês, admira Paris e não tem muito o que fazer nos fins de semana que passa na cidade, a trabalho. Portanto, as cidades em que se passa a história. Portanto, a profissão. O enredo pareceria, de início, tratar de um arquiteto que tenta escrever uma história como passatempo em seus breves períodos de descanso dos inúmeros projetos que o preocupam. Depois, descobre-se que o autor é, na verdade, manipulado por seu próprio personagem, que eventualmente o encontra num café no Boulevard Haussmann. O personagem, aliás, tem o mesmo nome e profissão do autor, embora com personalidade bem diversa do que o autor acredita ter (e que, não obstante, entende). Fim da história. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou, talvez, continua-se com o diplomata e o arquiteto, entre Brasília e Paris, alternando-se os papéis de autor e personagem entre um e outro. Trata-se de um esboço de conto de uma autora brasileira, arquiteta modernista apaixonada em Niemeyer e namorada de um diplomata brasileiro que gosta muito de Paris. Daí, as profissões, os gostos, as cidades. A arquiteta modernista faz um conto pós-moderno em que desafia os limites entre realidade e ficção, faz uma narrativa com discurso indireto livre em que nunca se sabe quem fala: se um narrador onisciente ou se um dos personagens-autores. As diferenças entre Paris e Brasília, durante as longas discussões sobre projetos urbanísticos e edifícios, desaparecem em diversas ocasiões. Nota-se o carinho que ela tem pelos personagens, inspirados em pessoas com quem conviveu durante muito tempo. E essa história criada pela arquiteta, nem se sabe dizer se acaba ou não, visto que a própria estrutura é propositalmente a de um conto inacabado. Como um prédio finalizado aberto a novas intervenções. O esboço do conto (que é sua forma definitiva) nunca foi publicado e é esquecido na gaveta de baixo de um armário, enfim abandonado quando ela se muda do apartamento. Fim da história. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou, talvez, continua-se com o diplomata, o arquiteto francês e a arquiteta brasileira. O autor é um professor universitário deprimido que encontrou um esboço de conto de uma arquiteta brasiliense de nome espanhol, sobre um diplomata brasileiro e um arquiteto francês, na gaveta do armário do quarto do apartamento para o qual se mudou. Ele apaixona-se pela autora e resolve transformá-la, então, na protagonista de um romance que decide escrever. Descobre-se, depois, que o autor é um dos personagens da história, um filósofo que resolve sabotar a relação entre o diplomata e a arquiteta, por meio de cartas escritas a um arquiteto francês admirador de Niemeyer, sob o pseudônimo de um professor universitário. O romance torna-se, no meio da história, epistolar. Mas o diplomata consegue fugir da história escrita por este filósofo, agora transformado em personagem, cujo único trabalho conhecido foi uma tese sobre o fim da utopia modernista por meio da análise de projetos de arquitetura para edifícios a serem construídos em Paris, por meio dos quais Sarkozy busca superar Napoleão III. O diplomata, no entanto, decide não reescrever o esboço de seu romance após seu manuscrito desaparecer no processo de sua remoção para Praga. Fim da história.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ou, talvez, continua-se com um novo autor, engenheiro em Roterdã que encontra, num navio cheio de contêineres destinados à Europa do Leste, manuscritos em uma língua que não entende. Descobre tratar-se de português e resolve contratar uma brasileira, arquiteta modernista de nome espanhol, para traduzir os escritos para ele. No entanto, um arquiteto francês e um diplomata brasileiro, amigos de longa data de Paris e atualmente radicados em Amsterdã...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim indefinidamente. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5012751530638409446?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5012751530638409446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5012751530638409446' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5012751530638409446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5012751530638409446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/10/principio-do-autor.html' title='Princípio do autor (ou &quot;Conto em forma de cebola&quot;)'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3722767862841728431</id><published>2009-08-10T22:09:00.000-03:00</published><updated>2009-08-10T22:11:10.409-03:00</updated><title type='text'>Saiba</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- Catarina, minha filha, apesar de você ser só uma menina, tenha dó do seu pai e saiba que não se pode repetir tudo que se ouve por aí. Nada de pudo, mido, pido, despido e impido, cabo, fisso e outras coisas que eu não digo. Não quero saber de nada disso. Soo não soa nada bem e me faz até suar. Fale meço, eu te peço. Ouvo dá dor de ouvido. Fale acodo e será um deus me acuda. Esse mundo está lotado de poluição e violência, televisão, gente sem vivência, barulho, burrice, caretice e comida com prazo de validade vencido. Não vá se perder por aí. Olha, sua mãe já deve ter chegado. Querida, fomos no centro. Preferi fazer compras do que manter o combinado. Fica tranqüila, eu já truxe elas pra dentro. Ouviu bem, Catarina, entendeu tudo?&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;     &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;- De novo, papai, de novo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3722767862841728431?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3722767862841728431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3722767862841728431' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3722767862841728431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3722767862841728431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/08/saiba.html' title='Saiba'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-6625615750435133381</id><published>2009-06-25T17:28:00.005-03:00</published><updated>2009-06-25T17:35:32.223-03:00</updated><title type='text'>Mudo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Alguém bate à porta insistentemente. Ouço meu nome com um leve desespero no tom de voz. Lembro-me de uma passagem de um livro cujo narrador principal, no momento em que finalmente consegue ficar com sua amante, diz que não tem palavras para descrever aqueles dias felizes. Que não há nada a dizer sobre a felicidade. A escrita nasce de algum mal. Algo parecido às teses sobre a relação da escritura e a doença em Thomas Mann. Escrever é estar doente. Ouço choro ao pé da porta, talvez seja melhor abrir, mas não me levanto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Em momentos tempestuosos, tive vontade de escrever infinitas páginas sobre a solidão, o cinismo e a hipocrisia, a incomunicabilidade, o desencontro, o papel do acaso e a falta de sentido da existência. Em momentos tempestuosos. O serviço de meteorologia prevê muito sol nos próximos dias. Escuto passos cada vez mais distantes.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Minha felicidade é uma comunhão com o mundo. Me sinto tão integrado, é como se não fosse eu mesmo mas parte de tudo. Não há autoconsciência, mundo interior. Eu não existo quando sou feliz, mas existo. Meu sorriso é desaparecimento. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me então das milhões de teorias escritas sobre o silêncio tão prematuro de Rimbaud, que preferiu o tráfico de armas num continente inóspito. Algo mais tranquilo, mais simples. Le silence éternel de ces spaces infinis m’effraie. Pas le silence intérieur (la paix intérieur). Uma charge engraçada de um escritor com bloqueio criativo que cria um movimento literário fundado no silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Novamente, batidas e um abre-por-favor-eu-te-peço. Vou abrir a porta, tenho algo a dizer. Algo que justifica meu silêncio nesse tempo em que me perdi. Mas é preciso entender que não abri a porta porque havia uma vida a viver e que, quando vivo, fico muito ocupado e não tenho nada a dizer. Nada importante, pelo menos. E não gosto que me obriguem a nada. Principalmente a declarações solenes. Mas agora eu quero falar. Só preciso lembrar o que acabei de pensar e esqueci. Vou respirar fundo e abrir a porta. Se eu fosse você, deixaria de sorrir ao ouvir que estou me aproximando. O negócio é o seguinte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-6625615750435133381?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/6625615750435133381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=6625615750435133381' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6625615750435133381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6625615750435133381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/06/mudo.html' title='Mudo'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1650534231642911032</id><published>2009-05-02T13:07:00.005-03:00</published><updated>2011-03-18T17:45:59.713-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Veni Vidi Venezia</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_aYC-hTx6lUI/SfxwhNXmpgI/AAAAAAAAACQ/m8GlxjcGdc4/s1600-h/Veneza+30+Monique.JPG" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5331259774726481410" src="http://1.bp.blogspot.com/_aYC-hTx6lUI/SfxwhNXmpgI/AAAAAAAAACQ/m8GlxjcGdc4/s320/Veneza+30+Monique.JPG" style="cursor: pointer; display: block; height: 214px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 320px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;(Texto inspirado em fotos de Monique Renne)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desembarco durante uma manhã ensolarada no aeroporto de Veneza, que na verdade está em Treviso, saindo do voo barato que não condiz com a dignidade que sempre procurei ter. Se bem que, aos 80 anos, não é fácil manter a postura e o andar elegante de antigamente. Veneza, a cidade mais romântica do mundo, repetem sempre. E venho aqui justamente por ter perdido o grande amor da minha vida há poucos meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passearei por Veneza, no entanto, em sua companhia. O meu grande amor era uma improvável mistura de suave areia clara, voluptuosa praga e beira de precipício: precioso achado. Ela partiu tal como viveu: apressadamente. Sequer tive chance de me despedir e utilizarei essa viagem derradeira para que sua memória em mim me acompanhe pelos lugares por que já passei há tantos anos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desço do trem e lembro-me que Veneza é uma cidade construída sobre mais de cem ilhas e, naturalmente, isso não poderia resultar num desenho muito lógico. Abro seu mapa e enxergo um quebra-cabeça, um confuso mosaico com um canal em forma de “S” que o atravessa. Talvez a relação com o amor tenha derivado desta desordem, da possibilidade constante de se perder em suas inúmeras ruelas e pequenos canais para nunca mais se achar, da abundância das águas que tanto lembram a fertilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho tão interessante conhecer cada rua dessa cidade pequena e infinita e penso ser uma pena que quase todos os turistas acabem seguindo apenas as placas insistentes indicando a Praça de São Marcos e a Ponte de Rialto. Algo como ocorre no Louvre, com seus corredores lotados em direção à Monalisa e à Vênus de Milo. Recuso-me a seguir o roteiro pré-fabricado e atravesso a cidade e converso por horas com meu amor perdido. Namoramos pelas ruazinhas, nos perdemos, nos achamos. Muitos amantes devem ter feito o mesmo, vivido sentimentos parecidos ouvindo os gondoleiros que passavam cantando canções de amor em italiano. Passando entre casas amontoadas, com tijolos à mostra para demonstrar que a delicadeza pode conviver com uma leve decadência. Passando por escadas cujo final parece convidar-me a abandonar a terra e viver nas águas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é somente dessas ruazinhas que se pode observar os venezianos. Há tantos velhinhos que nos sentimos, meu amor e eu, em casa. Quase todos já passaram pela maior parte da vida: os artesãos, os passantes, os donos das lojas de souvenirs e dos restaurantes e dos cafés e das maravilhosas sorveterias italianas, os cabeleireiros e seus clientes e até os mendigos. Os venezianos combinam com Veneza, com sua arquitetura e com sua longa história. Andam sem pressa, levemente inclinados, com suas sacolas de compras de pequenos mercados espalhados por entre as casas. E seguem sua vida nessas ruazinhas como se os turistas fossem um detalhe, uma parte da paisagem. Um detalhe marcante para os que passam por lá pela primeira vez: os venezianos expõem sua intimidade por meio dos inúmeros varais suspensos nas ruas com suas roupas e artigos mais pessoais. Eis que temos acesso a suas vestimentas, a possíveis manchas de amor na roupa de cama e aos restos de alimentos sobre toalhas de mesa. Os venezianos recusam-se a abrir a cozinha de seus restaurantes após a hora costumeira do almoço. Não ligam se perdem o dinheiro de milhões de turistas esfomeados: a vida segue segundo o hábito, não segundo o tempo do dinheiro que prevalece em praticamente todo o mundo. Eu, que não consigo seguir horários quando estou de férias, passei fome. Mas pude usar isso para tomar mais um sorvete na tarde quente de verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os venezianos têm o orgulho típico de quem passou por um tempo grandioso e se negam a fazer concessões ao presente. Passo por uma loja com miniaturas de gôndolas, todas com uma plaquinha escrita “Venezia”. Pergunto se há alguma escrita “Italia” e o dono da loja se irrita e tenta me esclarecer que Veneza não faz parte da Itália. Refere-se, aliás, à “República de Veneza”, que deixou de existir antes mesmo da unificação italiana, já que a cidade perdeu sua independência com a invasão de Napoleão de 1797. Logo após um século de ascensão e durante o qual foi considerada a cidade mais refinada da Europa. A invasão como um trauma, um recalque na mente de cada veneziano. A República de Veneza está viva no imaginário de cada um de seus cidadãos como se os últimos 200 anos não tivessem acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carnaval é um exemplo: foi interrompido em 1797, esse ano trágico, e retomado em 1980. Os venezianos usam, durante o carnaval, vestimentas típicas de seu saudoso século XVIII. Parte deles vive de fazer máscaras e roupas para que turistas encenem, inadvertidamente, a idade de ouro da cidade durante dez dias. Sempre a ideia do carnaval como suspensão da realidade: no Brasil, é ignorada a distribuição injusta da renda e, em Veneza, o fim de sua independência. Passeando pela cidade, tive a impressão de que cada veneziano tem uma vida individual que reflete a história de todos os moradores que vieram antes dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvo pagar muito caro para passear de gôndola pelos canais e me sinto mais romântico do que nunca. O gondoleiro canta uma canção em italiano que não compreendo mas que parece relatar toda história de amor que tive na vida. Engraçado como ainda me emociono com os clichês de turistas: gôndolas em Veneza me deixam todo sentimental. Esqueço meu corpo e parece que só minha alma flutua pelas águas e observa os passantes que sorriem quando ouvem o gondoleiro cantar. Abaixo da Ponte dos Suspiros, esqueço de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego na Praça de São Marcos e fico impressionado por ver um espaço tão amplo e grandioso após percorrer por tanto tempo lugares estreitos. O campanário se destaca atrás de tantos pombos e turistas. Inicialmente, observo o movimento. Turistas tentam alimentar pombos com alpiste vendido por espertos ambulantes e, antes mesmo que se possa distribuir o alimento, turistas são atacados por pombos. Muitos estão completamente cobertos e assustados. Eram tantos pombos que pensaram em promover uma carnificina. Venceu a opção humanitária da distribuição de anticoncepcionais. Fumo um cigarro, sinto o meu antigo amor e comento que deveriam prender os vendedores de alpiste e milho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Le plus élégant salon d’Europe”. Meus olhos viram tanta coisa na vida, talvez tanto quanto o que Napoleão tivesse visto até então, e ainda assim são pequenos pra ver o lugar onde ainda há mais voz humana do que o som dos automóveis e dos alarmes. E o campanário, visto do fundo, é simples e grandioso no meio do espaço vazio. Fumo outro cigarro na escadaria ao lado da praça para observar mais uma vez a piazza, rio das crianças fugindo dos pombos e não sei se respiro mal de emoção ou de velhice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou só mais um a passar por aqui. Antes de mim, quantos artesãos, mendigos, príncipes, viajantes, piratas, donzelas, ladrões, apaixonados, turistas, desiludidos, pintores, apátridas, poetas, virgens, músicos, moribundos e crianças estiveram aqui? Quantas pessoas antes de mim contemplaram, tiraram fotos, observaram passantes, imaginaram quadros, correram, gargalharam, fecharam os olhos, fizeram planos e notas, choraram? Quantos mais virão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anoiteço sobre a Ponte Rialto e vejo o Grande Canal por onde vaporettos ainda passam, como passam táxis o dia todo pela avenida principal de qualquer grande cidade. Estrelas acima e abaixo de mim cintilam todas juntas em estranha harmonia. Um dia em Veneza é tudo do que precisávamos, meu amor. Mas vejo que você despede-se de mim quando deveríamos agora nos beijar. A noite abraça a pessoa desconcertada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veneza é uma cidade de frágil equilíbrio. Construída sobre uma mistura de água doce e salgada, é ameaçada constantemente por marés que vêm do Adriático entre o outono e a primavera. Seus prédios, no entanto, foram construídos sobre pilares de madeira. A madeira, na ausência de oxigênio, ao invés de apodrecer, petrificou até atingir consistência de pedra com o fluxo da água rica em minerais. A maior parte desses pilares segue intacta após séculos submersos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algo em mim amanhece. Minha voz rouca, meus dentes manchados, minha respiração falha e minhas pernas trêmulas, meus olhos embaçados, meus ralos cabelos, minha solidão, minha falta de memória e minha saudade subitamente desvanecem. A própria lembrança de que vim morrer numa cidade que se recusa a morrer consegue me horripilar. Estrelas mantêm seu sinuoso e eterno cintilar. Algo em mim permanece. Algo de que não posso me desvencilhar. Minha precária existência parece durar um instante que se petrifica: Pilar de Veneza.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1650534231642911032?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1650534231642911032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1650534231642911032' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1650534231642911032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1650534231642911032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/05/veni-vidi-venezia.html' title='Veni Vidi Venezia'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_aYC-hTx6lUI/SfxwhNXmpgI/AAAAAAAAACQ/m8GlxjcGdc4/s72-c/Veneza+30+Monique.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-4144704489178577401</id><published>2009-03-25T13:31:00.006-03:00</published><updated>2011-03-18T18:14:46.833-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Tatuagem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;- Bom dia!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bom dia. Até que não acordei com ressaca. Queria só tomar um banho antes de sairmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tá. Acho que é melhor você já levar tudo e deixar no locker da estação central. De lá, fica mais fácil depois ir pro aeroporto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tudo bem.&lt;br /&gt;Engraçado como mal vejo meu corpo quando faz frio. Até estranho ver minha pele de novo. Sempre avalio se estou igual, se ainda tenho o mesmo corpo desde a última vez que o vi. Pele seca, sempre, no inverno. Acho que não estou acostumado. Quem sabe, se eu morasse aqui por anos, minha pele mudaria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Um acesso. Meu interior. Como chegar? Se eu cortasse minha pele inteira, veria primeiro fluir sangue e, a seguir, minhas entranhas, meus órgãos, um a um, mostrando suas formas e superfícies meu coração, meu cérebro, fígado, pâncreas, fêmur, masséter, estômago. Assim por diante. Meu corpo׃ eu?).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- We’re leaving! Goodbye!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oh, I didn’t know it. Well, t’was very nice to meet you.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- It was very nice to have met you. Hope you enjoyed the party last night. Come back soon?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Well, hope so. I liked the party very much. So, bye bye!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Goodbye. Have a nice trip back. You’re going to Geneva, right?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Yeah. Then I go back to Brazil.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(…)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eles são legais, né! O Luke é muito gente boa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- São, sim. Acho que ele ficou meio perdido ontem. Talvez mais perdido do que eu, que não conhecia ninguém. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Quem eu realmente sou. Ao proferir a frase, ao proferir qualquer frase, penso imediatamente sobre ela como algo exterior a mim. Passado, não presente. A frase tentou me definir, não define mais. Um eu que não existe mais).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Você está chateado por causa de ontem?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Não, nossa, nem me lembrava mais disso. Parece que tá mais frio hoje.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu achei o contrário. Vamos ver se dá pra gente passear um pouco. A gente come num restaurante afegão baratinho, 5 euros e pode comer o que quiser. Depois passeamos um pouco.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- O restaurante é bom? Tipo... é barato e bom?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Claro, a gente adora.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Tenho comigo minhas opiniões. E as dou numa série infinita e enjoativa de palavras. E logo após dar essas minhas opiniões, penso: mas é essa a sua opinião? Sou cheio de opiniões sobre minhas opiniões. E opiniões sobre elas, também. Sempre contraditórias. Eu simplesmente não me reconheço).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- O aeroporto é mais distante do que eu me lembrava. É engraçado ver a paisagem pela janela. Sempre acho triste essas árvores sem folhas. Tudo se resume a tons castanhos e cinzas. No Brasil, isso nunca acontece. Por outro lado, no verão europeu, parece haver mais árvores coloridas: vermelho, amarelo, verde, branco. No Brasil, as árvores quase sempre se resumem a vários tons de verde.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Papel de mim mesmo, representação de mim mesmo. Performance. E um espectador de mim mesmo, lugar privilegiado na platéia vazia e escura de um enorme teatro. Apreciei algumas de minhas pecas, deplorei outras. Vez por outra, não reconheço o protagonista. Tenho a impressão de que não sou o autor das pecas em que o ator atua. Ao tomar consciência disso, revolto-me. Quem são esses eus em mim? Math/eus. O princípio da identidade falhou comigo. Eu = outro= não-eu. E esses “eus” revezam-se tão depressa, não há nada que os controle ou que dê sentido a eles. Isso é outro clichê. Isso já foi dito antes. “A característica da consciência é ser uma descompressão de ser; é impossível com efeito defini-la como coincidência consigo” - Sartre. Eu odeio esse eu comum).&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Olha, seu vôo foi cancelado! Oba, você vai ficar mais um dia!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nossa, não acredito! Eu tenho de trabalhar amanhã!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Klfsdmkwfmk afmkpaggfrmo pvgfrmpvg...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- I’m sorry, I don’t speak German.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oh. Well, sir, we can put you in another flight to Geneva, with connection in Munich, instead of Zurich.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Is it today?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Yes. At 7pm. Would that be ok?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sure.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Can you register the miles on this company?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- TAM, of course. My Brazilian friends always tell me they don’t like TAM.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Yes, it’s true. A few friends of mine think alike. But it’s the major company, we cannot escape it. Some people are afraid because of a terrible accident.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Your bording pass, sir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Well, I got upgraded. Business class. Thank you. Goodbye.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(E ainda há tantos outros. Serão todos assim? Não posso saber. Os outros existem? Estarão em mim? Sempre que me apaixono, tendo a pensar como a pessoa por quem estou apaixonado. Penso que penso como ela pensa. Ou seja, penso que penso como eu penso que ela pensa. E assim indefinidamente. Se é que realmente pensamos alguma coisa. Sinto-me triste e perdido quando acho que ela pensa diferente de mim. Sinto-me pior, porque eu queria ser sempre como a pessoa por quem estou apaixonado. Eu a quero em mim. Eu = ela? Não, isso é impossível. E nem seria desejável).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Dá tempo pra gente tomar mais um café. Vamos ali em cima.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Nossa, um café por 4 euros. Que absurdo!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Sabia que você ia fazer esse comentário, haha! Em aeroportos, tudo é mais caro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Claro, eu sou sem grana, meu filho!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu pago o café.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Bem, agora eu vou mesmo. Vou pra área de embarque.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Tchau. Te amo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Eu também. Vou ficar com saudades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Se me canso, é o oposto. Penso que penso exatamente o contrário do que penso que ela pensa. Eu sou tão irritante, inclusive para mim. Por outro lado, é por saber que não existe uma pessoa que seja o contrário do que aprecio – ao qual me identifico – é que não consigo odiar ninguém. Não por muito tempo, ao menos).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Olho para trás, ela está chorando. A sentimental da família. Quer dizer, nem é. A família é sentimental, acho. A única que demonstra. A gente sempre discute e, no final, sempre sinto falta dela. Impressionante. Queria ser como ela, no fundo. Demonstrar as coisas que sinto. Eu choro, mas só por dentro. Não posso mais ver a cena. Aceno: “tchau”. Dirijo-me à sala de embarque, já com saudades. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(A mesma coisa com o amor. Sei que só amo totalmente pessoas ideais. Quando confronto a pessoa que amo, dia após dia após dia, percebo que não amo tudo nela. Talvez esse seja o desafio do amor, do amor que quer durar. Ser bom diante do que não se é ou se gosta. Tentar entender o que não é eu. Em nome do que há de bom no amor. Neste amor concreto, claro. O amor platônico é um erro. O amor romântico é um erro. Eu já errei com tanta gente, tanta gente errou comigo. Se é que me amaram. Talvez tenha sido tudo um sonho).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Do you have a laptop? If so, you have to take it from there.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- I have no laptop here. Do you think I have to take off the watch?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- It’s not necessary. Please remove any metal objects you have in your pockets.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Ok, thank you.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(O amor concreto é uma aposta. Eu não acredito em “eu”. Se “eu” existe, não o conheço. Esse eu não é alcançável, muito menos definível. A tentativa de teorizar o eu é uma tentativa de controle que não aprecio e ao qual meu eu sempre foge. E teorizar o outro, ainda menos. “Eu amo você”: a frase não tem sujeito nem objeto estáveis. Mas o verbo - esse sentimento – existe: amar é um verbo transitivo de um algo que não é esse algo a outro algo que não é esse algo. Ainda assim, o amor existe. Não sei dizer como, mas já o senti. O amor é a conversão da ignorância em virtude. O amor, realmente, é uma aposta. A gente pode ganhar ou perder. Não importa o resultado, a aposta em si é uma vitória. Quando penso, aqui sozinho no meio de um país estranho, quando penso naquela vez em que você me sorriu, bem pertinho do meu rosto, eu sorrio junto. E você nem está aqui, está tão longe. Você exerce tanto poder sobre mim. Você está em mim. Como? Eu gosto disso). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Your passport.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- There you go. There’s a revalidation on page 18.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Revalidation? I’ve never seen something like it…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Well…&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Silêncio. Por alguma razão, ele olha todos os carimbos espalhados pelo passaporte. Lê a extensão da validade do meu passaporte por muito tempo, como se ele fosse revelar-se com o tempo. Olha para o meu rosto. Folheia novamente o passaporte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Resolvi converter minha ignorância completa a respeito de mim mesmo e do mundo numa série de apostas - ou seja, de atos. Porque eu sei que, como sofro, outras pessoas também sofrem. Mais a maioria das pessoas tem bem mais motivos – reais - para sofrer do que eu. Muitas vezes, penso que minha situação privilegiada me retira o direito de sofrer. Mas eu sou só um ser humano e não consigo ser sempre o que eu acho que deveria ser. Falho, incompleto. Eu acredito que, diante do sofrimento, que é real - sentimentos são reais -, a falta de fundamento do agir - que é só uma idéia -, que poderia justificar uma ética baseada na inércia, é insignificante. Em respeito aos que sofrem, resolvo tomar posição e agir.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ok.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Thank you.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ele liberou porque meu passaporte é oficial. Se fosse o regular, eu provavelmente seria encaminhado ao chefe dele. Se fosse o normal, o desprezado passaporte de país em desenvolvimento seria visto como o documento de um imigrante ilegal. Mas meu passaporte é de categoria superior. É de imigrante ilegal de categoria superior. Ele tem de pensar mais antes de impedir minha passagem.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Sei que não tenho fundamentos sólidos, além da própria crença de que os outros sentem coisas similares ao que sinto. Estando esses outros aqui ou em outro lugar ou mesmo em mim. Eu posso estar errado em agir, ou agir de modo errado. Quero ser humilde diante disso. Mas algumas vezes me esqueço, por isso já me desculpo. Muitas vezes aferro-me a uma opinião e penso que ela é a melhor. Muitas vezes, sou mesquinho, orgulhoso, arrogante. Ainda que não deixe transparecer. Tenho preconceitos. Em várias ocasiões, como a maioria das pessoas, adoto opiniões pré-fabricadas por ter preguiça de pensar. Por ser muito mais cômodo pensar como todo mundo pensa. Porque as pessoas gostam mais de você quando você pensa como elas. E eu, como todo mundo, também quero ser amado).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os passageiros ao redor, na classe executiva. Um nerd alemão rico que estuda um livro, aparentemente de física. Uma executiva? Bonita. Um pouco mais velha. Sim, eu quero champagne. Sim, eu quero comida de avião melhor do que a que o pessoal de trás irá comer. Vinho. Eles cancelaram meu vôo. Precisam me compensar, me tratar bem. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Agir porque quero ter a impressão - mesmo que falsa - de que sou o autor da minha vida. Quero pensar que estou onde estou por causa de minhas escolhas, não pela falta delas. Porque eu também quero ser feliz, eu tenho de escolher coisas concretas que fazem bem para mim. E porque também é preciso, no mínimo, me defender das agressões dos outros. Ontem mesmo, tomei a decisão de não mais conversar com alguém de quem já gostei muito. Descobri que ela zombou de mim por aí. É muito possível que ela seja uma pessoa melhor do que eu. Reconheço que sou ridículo muitas vezes - eu poderia enumerar diversos aspectos ridículos desse meu eu bem mais ridículos do que o que ela lembrou. Do fato de ela poder estar certa, porém, não segue que eu deva conviver com - muito menos admirar - quem esteja me ridicularizando. Porque quem faz isso com uma pessoa o faz com mais. Porque é muito fácil se deixar influenciar por essa atitude. Porque quero ser tratado como ser humano, não como objeto. Porque tenho o direito de escolher).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Ladies and gentlemen, we just arrived at Munich airport. The local temperature is 7 º C...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Etc, etc, etc.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Minhas sensações revezam-se mais uma vez. O ser humano - por extensão, eu - não é estável e não é definível. Por não acreditar em essência de ninguém, por não acreditar em almas, penso que o julgamento de um ser humano é uma impossibilidade. Mas o ser humano age. Somente atos podem ser julgados).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Só mais um vôo. Pouco tempo de conexão. Todo mundo lendo na área de embarque. Eu, também. Finalmente, entro no vôo para meu destino. 50 minutos. Tempo para servir outro sanduíche ruim. Pelo menos eu já considero-o minha refeição noturna. Chego. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Só agora me lembro porque estou pensando essas coisas: por causa da tatuagem que estou pensando em fazer. Tatuagem é algo que vai, por um lado, contra tudo o que pensei hoje. Inscreve um sinal permanente sobre meu corpo - sobre mim - a partir do qual ele pode ser julgado. Não gosto de ser julgado. E a permanência do sinal contrasta com a decadência e envelhecimento do corpo. Pode tornar-se uma ridícula tentativa de juventude num corpo já muito marcado pelo tempo. Mas compensa atormentar-me por um futuro que possa nunca ocorrer? Por outro lado, a idéia da tatuagem é escrever, no original grego, uma frase escrita na entrada de um templo e que mudou bastante a história: conhece-te a ti mesmo - γνῶθι σεαυτόν. Um projeto condenado, de antemão, ao fracasso. E que, não obstante, deve ser sempre empreendido. Um trabalho de Sísifo que se altera a cada vez que o realizamos. Nem sei se a farei. Não sei o que pensarei amanhã. Por isso meu medo de tatuagens. Eu não concordo com o meu eu do passado).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Thank you very much.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Thank you, sir. Good night.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Good night.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(E estes pensamentos de hoje também se perderão. A própria tentativa de me definir parece mais nobre do que sou. Eu simplesmente não me reconheço. Sou cheio de defeitos, não consigo guiar-me pelos ideais que já proferi. Acredito nas coisas concretas, não em idéias ou opiniões. Eu quero voltar às coisas. Dizer uma falha metafísica é dizer nada. Minhas falhas são concretas. Um problema sério com horários, dormindo e acordando tarde, chegando atrasado ou mesmo não indo a eventos a que prometi ir. Eu falo demais. Escrevo demais. Sou ingênuo em relação às pessoas. Faltei a muitas lições de etiqueta à mesa. Aliás, faltei a várias aulas durante minha vida. Começo e não termino tantos livros - minha estante está repleta de livros que não li. Sou irônico em ocasiões inadequadas. Não tenho um milésimo da sensibilidade, inteligência e criatividade de várias pessoas que conheço. Sou preguiçoso. Cometo erros de português e, não obstante, odeio revisar meus textos).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Será que a bagagem chega dessa vez? Sempre tenho dúvidas se o tempo de conexão foi suficiente para que a bagagem seja transferida para o outro avião. Tá demorando... O que tenho mesmo dentro da mala? Pelo menos, é pouca roupa. Não me lembro de nada de valor. Presentes. Ela vai chegar, vai chegar, vai chegar. Ah, finalmente. Já me via reclamando, mais uma vez, da bagagem. Sei o procedimento de memória. Sei o modelo da minha mala de memória. O comprovante da bagagem está no meu bolso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Ao menos tenho o conforto de saber que não uso esses defeitos para argumentar que “sou assim”, que as pessoas têm de me aceitar como sou. Tenho enorme dificuldade em mudar, mas ao menos tenho intenções. Não recrimino, além disso, aqueles que esperam – com razão – que eu não vá chegar na hora determinada. Não argumento em contrário. E como poderia, aliás? O único argumento seria fazer o oposto do esperado. Surpreender os outros. Surpreender a mim mesmo).&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Votre passeport.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Silêncio durante um tempo, enquanto ele folheia meu desacreditado passaporte.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Vous êtes ici à quoi faire?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- J’suis ici à travail, pendant une semaine de plus.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- À travail... Ok.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Merci. Bonne soirée.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;(Ora, não tenho do que reclamar. Agora mesmo, subitamente, lembrei-me mais uma vez do sorriso dela, penso que gosto de olhar os olhos dela e de fitar os olhos dela, quando estão bem próximos dos meus. Ela é a menina mais linda do mundo. Basta gostar de alguém, é essa impressão. E não muda: tenho certeza de que ela é a menina mais linda do mundo. E tenho um ataque de riso, sozinho aqui no meio do não-lugar que é um aeroporto, e vejo o quanto sou bobo por acreditar em coisas que sei não serem reais. Contente por saber que estou feliz com as coisas tais como estão, que vivo cada vez mais o presente e renuncio a um futuro que possa nunca se concretizar. É preciso gostar do caminho. Penso mais uma vez nos olhos dela, no quanto eu gosto de estar ao lado dela e concluo que, afinal, às vezes é muito bom eu ser eu. Mesmo que isso seja tão instável, que signifique pouco, afinal. E esse sorriso vale esse momento. A felicidade desse momento. Só isso existe. A vida é uma viagem longa para lugar algum. Travessia). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;- Bonsoir&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-Bonsoir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Est-ce que vous pourriez m’informer si les trains vers la gare Cornavin passent encore?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Oui, jusqu’à minuit. Vous descendez les escaliers au fond et voilà&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- D`accord, madame. Merci beaucoup. Bonne soirée!&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;- Au revoir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-4144704489178577401?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/4144704489178577401/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=4144704489178577401' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4144704489178577401'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4144704489178577401'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/03/tatuagem.html' title='Tatuagem'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7886242470362938794</id><published>2009-02-13T12:44:00.010-02:00</published><updated>2011-03-18T18:21:24.180-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>World Social Forum fiction (I)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;i&gt;Sou faxineiro na Casa das 11 Janelas, em Belém, e gasto meu tempo livre com duas coisas: lendo livros velhos e colecionando coisas interessantes que encontro quando limpo o café. Com o Fórum Social Mundial, minha coleção engordou bastante. Coloco o texto abaixo, última entrada num caderninho preto, porque não consigo lê-lo, minha instrução não permitiu nem mesmo terminar o segundo grau, mas tenho esperança de que alguém veja beleza no que não sou capaz de decifrar. Muita gente veio aqui querendo mudar o mundo, eu só queria mudar um pouquinho de mim mesmo, aprender mais coisas, conseguir conversar com esse pessoal estrangeiro que veio aqui e saber o que eles pensam de nós. Talvez, ao ler isso, alguém possa me dizer mais.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;i&gt;*&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;i&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;I am stuck by the rain in the most wonderful place, right beside you. I write to you as you write something I will never know. You probably wander about past events, distant memories of other people and places. I write about you and dream we are corresponding somehow.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;I cannot think of any small solution to hunger and poverty. One billion people starving. Perhaps, 30 billion dollars could solve the problem, but we prefer to spend trillions on arms. The difference between the income of populations in developed and developing countries keeps getting bigger, an international crisis which will probably make it even worse. A food crisis, an environmental crisis, which will be followed by another one. A whole continent left alone: a desert. No one agrees on what to do. Perhaps a conspiracy not to do anything. Just another tragedy. Human misery. Let us go on with our lives.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;What could I do? My insignificant NGO about which nobody gives the shit. Try, perhaps, a career in the government. It is not the time to small solutions, to charity. Perhaps I am going back to the time when charity was the only relief to the wretched. An old-fashioned post-modern wannabe. Mistaken.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;I like your blue scarf and your peculiar face. Imagine an everlasting future with you, photographs of the family by the fireplace which will never be taken. All the love stories in my head, only. No concrete existence yet experienced.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eventually the rain will cease, you will follow your way, and I will follow mine. I will forget you, eventually. I live in a world with infinite possibilities and I am always aware of it and I suffer since I cannot live them all, I have one life, everything is continual and cannot bifurcate, cannot multiply. One single thread: my one and only.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Time ought to be lived as simultaneity and as continuity. Then all possibilities would be lived and I would not be only an I but a we. And everything would conspire now for us to live this future that will not happen and I will never say that I never forgot you were wearing a blue scarf the day I met you and I fell in love with you. Time, nevertheless, is useless and only one. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;As time goes by, the rain softens. Soon you will follow your way, and I will follow mine. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Belém, 01/29/2009. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7886242470362938794?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7886242470362938794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7886242470362938794' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7886242470362938794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7886242470362938794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/02/world-social-forum-fiction-i.html' title='World Social Forum fiction (I)'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3416568096566189722</id><published>2009-01-21T22:10:00.002-02:00</published><updated>2009-01-22T01:47:46.492-02:00</updated><title type='text'>Êxtase (ou o fim do mundo)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não imaginava que minhas férias culminariam em minha sentença de&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;morte. Estava passeando em Kuta, na ilha de Bali, durante meu terceiro &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;dia de férias. Minha ressaca exigia um banho de mar revigorante, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;sombra e, quem sabe, alguma diversão. No final da tarde, fui abordado&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;por policiais por alegado comportamento inadequado em local público,&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;com uma turista australiana. Tudo indicava que seria mais um dia&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;normal de férias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O problema é que resolveram me revistar. Tudo bem, nunca tive problemas&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;em dividir minhas bebidas e dar algum dinheiro a policiais corruptos. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas a forma com que os seios expostos da australiana agitavam-se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;pareciam indicar um movimento subversivo, o que fez com que eles&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;decidissem checar minhas coisas. Meu chapéu panamá, que até então &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;vinha me protegendo de forças agressivas, foi responsável pelo começo &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;do fim. Acharam uma pedra compacta de maconha para consumo pessoal, da &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;qual eu esquecera completamente, e, para resumir tudo, cá estou, no&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;final do julgamento, ouvindo minha sentença condenatória por tráfico &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;internacional de drogas. Logo eu, um inofensivo hedonista que nunca &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;causou mal a ninguém, afora uns tapinhas de amor dados e recebidos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;pela vida. Agora, já saí em jornais, minha mãe sofrida mal consegue&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;conversar com seu filho perdido, o presidente de meu país agora sabe &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;meu nome. Tentaram fazer-me o bem de converter minha sentença de morte &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;em prisão perpétua. Fiquei tocado com a bondade humana.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Logo após a pronúncia da sentença, ocorreu um evento peculiar. A juíza, até então com olhar incriminador em minha direção, começou a afagar os papéis dos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;autos de maneira curiosa. Parecia estar encantada com a sensação &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;causada quando sentia a folha na ponta dos dedos. As outras pessoas &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;não perceberam: tinham a feição alterada. Maravilhavam-se com as cores&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;nas paredes, todas com pupilas dilatadas. Aquela sensação nova de tato &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;também parecia ter-se apoderado de todos. As pessoas se cheiravam, se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;tocavam, ouviam sons quase imperceptíveis, lambiam umas às outras. Foi &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;pouco tempo até ninguém mais lembrar-se do motivo pelo qual todos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;estavam naquela sala, naquele tribunal. Passei à condição de&lt;/span&gt; figurante&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. Nesse momento, as roupas eram tratadas como empecilhos, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;embora a própria sensação de tirá-las fosse um ato cujo prazer fosse inebriante. Fugi antes que dessem por mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A princípio, senti o alívio indescritível de sair da condição de condenado a&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;morte para a de fugitivo da justiça indonésia. Tanto que sequer dei-me&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;ao trabalho de checar o mundo a meu redor. Corri até meu sangue começar a ferver.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cheguei, então, à praia onde havia sido preso, onde tudo havia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;começado. A turista australiana estava lá, os mesmos seios&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;expostos, o movimento subversivo: a revolução havia chegado. Todos os &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;turistas australianos, alemães, franceses, todos os vendedores de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;bugigangas, massagistas ambulantes, pessoas de conduta duvidosa, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;estavam todos nus. Sequer era possível saber o que faziam. Uns rolavam&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;pela areia, outros comiam tudo o que antes era vendido, a imensa &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;maioria não conseguia parar de se tocar. Muitos, talvez a maioria, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;faziam sexo. Pelo que pude entender, só paravam pelo cansaço e limite  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;dos corpos. Todos estavam exaustos. O orgasmo em si parecia um&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;prenúncio da morte, tal a sua força. Não podiam &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;mais compreender as necessidades corporais, tamanha a ocupação com as&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;sensações.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Era Babilônia, Atlântida, Utopia. O mundo onde sempre quis morar. O&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;ser humano finalmente alcançara o nirvana. O problema é que ninguém parecia &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;dar-se conta disso. Era uma pena todo mundo estar achando tudo tão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;lindo (era, assim, meio Caetano) e ninguém saber falar nada a respeito. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Progressivamente, a situação foi-se revelando. Os sentidos eram tão&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;aguçados que impediam qualquer reflexão. O mundo nunca havia sido tão &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;radicalmente sensual. E isso podia ser visto na televisão, também: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;imagens de cinegrafistas admirados com a câmera, acariciando lentes, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;locutoras que declararam jamais posar nuas para revistas masculinas&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;expunham-se despudoradas em transmissões ao vivo para o mundo todo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Programas de fofocas tinham material para milênios, diante das &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;loucuras cometidas. Chefes de cozinha devoravam ingredientes &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;antes do término dos pratos. Pessoas morriam por intoxicação com os&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;mais diversos gases e líquidos. Lojas de perfumes invadidas, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;restaurantes em situação caótica. Anos de ideologia marxista para ver &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;o mundo capitalista decair com uma simples depuração dos sentidos&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;humanos. A mudança veio não com uma idéia, mas com o apogeu do corpo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;As exclamações por Deus eram expressão sem sentido, nenhum padre&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;anunciava o apocalipse. Batinas somente podiam ser vistas quando se &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;analisava cuidadosamente as roupas espalhadas pelas ruas. Igrejas eram &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;profanadas pelos próprios guardiães. Absolutamente ninguém orava neste momento crucial. Pessoas vilipendiavam anúncios pregando a temperança, o jejum e abstinência sexual. Nunca houve tanta emissão de dióxido e monóxido de carbono: pessoas fumavam tudo o que encontravam, comiam lixo. Grande parte da população morreu vítima de overdose: traficantes, seguidos por policiais, médicos, usuários&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;das mais diversas substâncias. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tudo era experimentação. Importava sentir tudo de todas as maneiras.&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não havia diferença entre prazer e dor, ambos eram o mesmo extremo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pessoas cortavam-se, mordiam-se. O estupro era uma impossibilidade: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;embora nem sempre o sexo começasse com o expresso consentimento, era &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;imediatamente aproveitado por todos. Via-se orgias em todas as ruas, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;em todos os becos, em todas as casas. A orgia era o mundo. Alguns pecados capitais foram elevados a normas pétreas: gula e luxúria. Pena não haver pecado&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;para todos os sentidos. Sempre fui a favor do pecado. O pecado era &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;minha Bíblia, meu Alcorão, minha Torá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Atividades produtivas foram absolutamente abandonadas. O PIB caiu a&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;zero em questão de horas. Havia somente a destruição das riquezas, sem &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;qualquer reposição. Por alguma maldição divina advinda da minha antiga condição de devasso amador, por alguma inversão calculada, ou talvez por mero acaso, fui destinado a ser mera testemunha dos acontecimentos. O esgotamento causado pelo esforço excessivo na busca de sensações, que por sua vez gastavam mais energia por si só, aliada à falta de comida e impossibilidade de se concentrar em atividades, foi causando a morte de mais e mais pessoas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sequer posso dizer que foi o amor que matou as pessoas, embora&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;víssemos palestinos e israelenses ultrapassando suas fronteiras usuais &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;para tocarem-se, assim como migrantes e nativos, ricos e pobres, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;negros e brancos, velhos e jovens. Era a união universal, o mundo&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;antes da construção da torre de Babel, o fim da propriedade privada &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;dos meios de produção e de reprodução. Mas não era o amor. Era, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;talvez, o homem elevado à última potência, o além-do-homem de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nietzsche, o herói de Sade. Alguns diziam ver anjos, ver cores que&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;nunca tinham visto antes, auras ao redor dos demais. Sentia-se o odor&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;de coisas dentro da água. Diziam que o próprio derretimento dos &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;quitutes no interior da boca era capaz de causar sensações acima de &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;qualquer coisa jamais imaginada pelo ser humano. Dionísio era o deus supremo de nosso renascimento e de nossas pulsões.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Agora, procuro sobreviventes. Não sei se posso encontrá-los, se existem. Caso alguém&lt;/span&gt; &lt;span style="font-size:100%;"&gt;escute, por favor venha. Eu preciso de você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3416568096566189722?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3416568096566189722/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3416568096566189722' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3416568096566189722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3416568096566189722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2009/01/xtase-ou-o-fim-do-mundo.html' title='Êxtase (ou o fim do mundo)'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-8242506415383534567</id><published>2008-12-12T11:49:00.001-02:00</published><updated>2008-12-12T11:51:31.503-02:00</updated><title type='text'>A criança e o ar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A criança, deitada no colo da mãe, respirava e sentia a respiração da mãe. Sob o efeito de um sentimento profundo de comunhão, uma vez tendo consciência da respiração de sua mãe, procurava sincronizar a sua à dela.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A criança não conseguia fazê-lo perfeitamente. Segurava o fôlego, mal inspirava, soltava o ar longamente depois, ofegava, ficava sem ar. No entanto, não conseguia mais respirar livremente. Tinha de respirar com a mãe, no mesmo ritmo, na mesma cadência. Quando conseguia, sentia-se mais ligado a ela, desconfiava que algo profundo os unia.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;A criança, já adulta, não se liberta desta necessidade de comunhão profunda com a pessoa amada. Com a mulher deitada na mesma cama, no silêncio profundo da noite e do cansaço dos corpos, ele sincroniza, lentamente, sua respiração à dela. Ainda tem a mesma dificuldade, segura o fôlego, mal inspira, solta o ar longamente, ofega, fica sem ar. A mesma falta de liberdade, ligada à consciência de que realmente não é livre, de que não consegue viver, de que não pode respirar longe dela.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-8242506415383534567?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/8242506415383534567/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=8242506415383534567' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8242506415383534567'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8242506415383534567'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/12/criana-e-o-ar.html' title='A criança e o ar'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-6401428399944380888</id><published>2008-12-04T17:02:00.005-02:00</published><updated>2011-03-18T17:48:24.733-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Jornada</title><content type='html'>Primeiro café.&lt;br /&gt;Precisa ler, precisa&lt;br /&gt;virar página, superar,&lt;br /&gt;esquecer essa&lt;br /&gt;mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo café.&lt;br /&gt;Não consegue ler, tenta&lt;br /&gt;ouvir música, abafar&lt;br /&gt;coração e falta&lt;br /&gt;de fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terceiro café.&lt;br /&gt;Volta a rotina, trabalho&lt;br /&gt;em dois turnos, estudo&lt;br /&gt;de noite, o que mais se&lt;br /&gt;Quiser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quarto café.&lt;br /&gt;Evita o rumor de&lt;br /&gt;não mais poder ser&lt;br /&gt;o que você&lt;br /&gt;é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-6401428399944380888?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/6401428399944380888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=6401428399944380888' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6401428399944380888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6401428399944380888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/12/jornada.html' title='Jornada'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-6740293064142945513</id><published>2008-12-01T11:43:00.005-02:00</published><updated>2008-12-01T20:43:43.651-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Sobre literatura (Discurso a propósito do lançamento de um romance)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Caros senhores, bem-vindos. Fiquei surpreso, a princípio, com o convite deste notável escritor para discursar na celebração do lançamento de seu novo livro. Jamais escrevi obra literária alguma, não sou escritor no sentido mais estrito do termo. Certo é que escrevi alguns livros em minha área, psicologia, que, embora relativamente citados, somente poucos desinformados e amigos generosos leram. Talvez meu amigo escritor pense que, por ter escrito livros sobre a psique humana (ou, alguns diriam, a alma), eu pudesse dizer algo sobre os personagens que povoam suas obras. Infelizmente, a riqueza de possibilidades interpretativas de suas obras me escapa, sou um psicólogo limitado, tive contato somente com as vidas das pessoas que passaram por meu consultório. Cada livro de meu amigo tem mais personagens do que tive a chance de analisar em toda minha vida profissional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade é que, poucos nesta sala devem saber, tenho a honra de ter acesso a um dos espíritos mais privilegiados da vida cultural de nosso país, sendo eu analista do homenageado. Embora não tenha odireito de dizer pormenores de nossos inúmeros encontros, o fato é que a narrativa de nosso autor sobre sua própria vida configura literatura. A trama tecida dentro do espírito deste homem é grandiosa a tal ponto que muitos psicólogos invejariam a posição que ocupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não é esse o dever do escritor? Transformar tudo em matéria literária? Pois a capacidade de meu companheiro nesta área chega a ser assustadora em alguns momentos. A precisão com que descreve cada detalhe, cada ato, cada acontecimento de sua vida já faz entrever do que será capaz com a pena em seu poder. Caso tivessem acesso ao que ouço e procuro analisar, alguns poderiam compreender melhor sua preferência por longas descrições de cenas, de mínimos atos, que muitas vezes estendem-se por muitas páginas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns críticos são incapazes de captar a importância que o autor dá a tais descrições e acabam por classificá-las como inúteis e sem propósito na trama e, continuam, dizem que suas obras são menores, já que, sem estes trechos, a trama em si é desvelada como banal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora esteja tão fora de moda nos círculos intelectuais, pode-se traçar um paralelo importante entre a obra e a vida do autor. Não pretendo proceder a isso da maneira que se faz habitualmente, relacionando fatos marcantes de sua vida a temas constantes em sua carreira. Pretendo fazer, diversamente, um paralelo entre seu estilo e a maneira pela qual encara sua própria existência. Alguns dos doutos senhores poderão não perdoar-me por utilizar a psicanálise de maneira tão livre para entender algo de literatura, mas seguirei em meu propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, voltando à crítica literária, da qual praticamente nada entendo, pode-se observar, no discurso do escritor sobre sua vida, elementos de seu estilo literário. De fato, pode incomodar a importância significativa que o escritor atribui a acontecimentos sem importância evidente, em suas histórias. No entanto, mal sabe o leitor que o produto final é produto de longa labuta do autor em diminuir e eliminar a maior parte de suas longas descrições. Em meu trabalho analítico, posso garantir que o autor fornece ainda maior riqueza de detalhes em cada um dos episódios que protagoniza. Atribui a cada um dos elementos insignificantes de sua vida uma riqueza de floreios que deixaria a muitos surpreendidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insisto, os livros que escreve são muito contidos em comparação ao que o escritor faz de sua vida. O leitor não tem acesso à importância que nosso escritor dá a cada uma das catástrofes desprezíveis que permeiam sua existência patética, uma tragédia sem o elemento essencial do pathos. O protagonista pensa sempre estar elaborando planos geniais quando, na verdade, não consegue fugir da banalidade de que sofre praticamente todas as suas criações. Daí surge a megalomania que muitos percebem em seus personagens, quase sempre transitando num mundo indiferente a suas ações pretensamente grandiosas. Certos leitores, enganosamente, entenderam haver por trás de suas narrativas fina ironia que, garanto, nunca foi intencional. Somente quem pode ouvir a repetição insistente de narrativas em círculo onde o narrador pensa haver evolução pode compreender que não é essa a intenção do autor, cuja vida é cheia de obstáculos imaginários que não são ultrapassados por sua própria incapacidade de enxergar além dele mesmo. Esta cegueira individualista de que seus personagens também são vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As análises sobre suposta mímese não são compatíveis com o fato de que não pode haver mímese do nada, do sem assunto, do não-ser. Não se pode falar da representação do vazio, como se pode perceber nas vidas dos personagens, que parecem não ter referencial dentro do próprio mundo imaginário em que vagam. A falta de perspectiva total, aparentemente proposital, não passa da falta de capacidade do próprio autor de unir estruturas e criar um sentido único, como um deus que não consegue entender a falta de sentido de sua existência, que ele imagina ser inauguradora de um novo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estilo do escritor, em suma, decorre de seu pensamento, de sua visão de mundo. O modo como descreve e preenche páginas não passa de sintoma disso. Pode-se dizer que houve união, neste caso, entre linguagem e pensamento. Somente um ser tão inconsciente de si poderia ter angústia de ser influenciado por outros, já que revela-se incapaz de enxergar algo além de si mesmo. Doutos literatos aqui presentes, não há que se falar em hermenêutica intertextual, em diálogo algum. Aqui, há só a eterna repetição de monólogos entre personagens e obras que pensam estar falando entre si. Existe aqui, somente, a auto-referência, insistente e sistemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podemos atestar, como outros já fizeram antes de mim, que o autor não consegue escapar de suas experiências na construção de suas obras. Se é que se pode chamar de experiência o eterno orbitar-se ao redor de si próprio. A certeza de que se é o centro do mundo, o próprio sol, de que sua ausência poderia causar um colapso no universo. Essa incapacidade (perdoem-me, mais uma vez, por usar a psicanálise) de ultrapassar a infância e atingir a maturidade, esta falta de consciência de que o mundo é independente do self. Eu tive oportunidade de conferir isso por anos e anos a fio e não posso mais me conter. Por isso não me venham, nobres senhores, argumentar com estéticas da recepção. Catarse, o caralho. Eu... bem... interrompo por aqui. Muito obrigado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O palestrante retira-se bruscamente do recinto e não se dispõe a fazer quaisquer esclarecimentos sobre a tese apresentada).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-6740293064142945513?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/6740293064142945513/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=6740293064142945513' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6740293064142945513'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6740293064142945513'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/12/sobre-literatura-discurso-propsito-do.html' title='Sobre literatura (Discurso a propósito do lançamento de um romance)'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7155124631924010668</id><published>2008-10-20T17:15:00.001-02:00</published><updated>2008-10-20T17:22:32.631-02:00</updated><title type='text'>Coesão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Cada vez menos acredito em palavras. Palavras são ditas ao vento. Ainda mais declarações de sentimentos. Entre atos e palavras, eu fico com os atos. Eu acredito em atos. Muitas palavras não passam de palavras vãs.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com o aumento do número de pessoas morando sozinhas e o preço dos aluguéis aumentando indefinidamente, o tamanho médio das habitações torna-se cada vez menor. Vai chegar um dia em que todos os espaços serão feitos para conter uma única pessoa, o que impedirá a socialização em ambiente doméstico. Nesse dia, todos nós enviaremos e-mails diários uns aos outros e chamaremos isso de amizade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas sempre ouvem seu nome quando, na verdade, outra coisa foi dita. Penso que, no caso dos falantes de português, é a vogal tônica que as pessoas mais ouvem quando são chamadas. No meu caso, sempre acho que estou sendo chamado quando clamam “meu deus”. Isso deve ser um sinal muito grave de egocentrismo e ilusão de poder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Hoje eu estou de mal de mim.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7155124631924010668?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7155124631924010668/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7155124631924010668' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7155124631924010668'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7155124631924010668'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/10/coeso.html' title='Coesão'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3917010627629206055</id><published>2008-10-03T12:34:00.004-03:00</published><updated>2008-12-01T20:34:58.285-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Fio</title><content type='html'>Um fio de cabelo&lt;br /&gt;é bem pequeno.&lt;br /&gt;Pode variar&lt;br /&gt;de alguns centésimos de milímetros&lt;br /&gt;até 0,03 milímetros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um fio de cabelo&lt;br /&gt;é bem colorido.&lt;br /&gt;Pode variar,&lt;br /&gt;de acordo com a quantidade de melanina,&lt;br /&gt;de bem louros até muito pretos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um ser humano&lt;br /&gt;possui muitos fios de cabelo:&lt;br /&gt;pode variar de 100 a 150 mil.&lt;br /&gt;Caem, cada dia,&lt;br /&gt;cerca de 100 fios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saía para o trabalho&lt;br /&gt;que provê o pão&lt;br /&gt;de cada dia&lt;br /&gt;com meu terno e&lt;br /&gt;minha gravata&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e entro no carro&lt;br /&gt;e dirijo em meio à multidão&lt;br /&gt;de pessoas, algumas&lt;br /&gt;com pressa, outras&lt;br /&gt;nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chego na repartição&lt;br /&gt;atrasado, trabalho&lt;br /&gt;acumulado sobre a&lt;br /&gt;mesa, sento-me em&lt;br /&gt;minha cadeira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, da maneira&lt;br /&gt;mais imprevista,&lt;br /&gt;encontro um fio&lt;br /&gt;de cabelo em&lt;br /&gt;minha gravata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais fino, mais claro,&lt;br /&gt;mais longo, não era meu:&lt;br /&gt;era seu.&lt;br /&gt;Parte do seu corpo em&lt;br /&gt;minha roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era mínimo,&lt;br /&gt;quase imperceptível.&lt;br /&gt;Um oceano&lt;br /&gt;pode nascer de&lt;br /&gt;um fio de cabelo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3917010627629206055?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3917010627629206055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3917010627629206055' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3917010627629206055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3917010627629206055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/10/fio.html' title='Fio'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5999436714354977947</id><published>2008-09-17T22:46:00.004-03:00</published><updated>2008-12-01T20:44:04.565-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ficção'/><title type='text'>Reality television 2</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu sempre tive dúvidas em relação a meu namorado. Eu gosto muito dele, ele sempre me fez rir e me sentir mais segura, mas, algumas vezes, acho que ele é muito acomodado: não arruma suas coisas, não toma a iniciativa em relação à vida profissional, não escolhe o que quer fazer. De vez em quando, parece que sou mais mãe dele do que namorada. Meus pais também têm dúvidas se ele é a pessoa certa para mim. Vivem dizendo para ele “tomar um rumo” na vida, que essa história de música não dá futuro, que isso é coisa de adolescente. Ele já tem 28 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olha, eu não vou dizer que não gosto do meu genro. Só acho que, talvez, nossa filha deva ver outras possibilidades. Desde a primeira vez que o vimos, ele não parecia levar a vida muito a sério. Lembro que estava no sofá e nem se levantou para nos cumprimentar. Que tipo de folgado é esse?, pensei. Mas depois vi que era boa pessoa. Só penso que minha filha merece alguém mais sério, com quem ela possa crescer junto. Não alguém de quem ela tenha de tomar conta. Você sabe, todo pai quer o melhor para a filha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olá, começamos agora o programa “Você quer trocar de namorado?”, onde uma pessoa com namorado, que se inscreve no programa, tem a possibilidade de ter um encontro com alguém diferente, para decidir se deve mesmo continuar o relacionamento ou trocar de namorado. Para quem nunca assistiu o programa, o funcionamento é simples: nós acompanharemos o encontro da N. com a pessoa que ela mesma escolheu, o L., com base nos dados que ele nos passou pela internet. Tanto os pais quanto o atual namorado dela, C., também assistirão o encontro, para que possam dar sua opinião sobre o que acontecerá até que os pretendentes se despeçam. Por favor, não saiam daí!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu não sou daqueles caras inseguros que ficam com ciúme da namorada. Não sou otário, tenho auto-confiança, saca? Eu gosto da minha namorada e sei que ela gosta de mim, sei que eu sou bem melhor para ela do que qualquer fracassado que tenha enviado os seus dados para um canal de televisão. Um cara desses só pode estar desesperado. Eu não sou assim. Acho que minha namorada só topou fazer o programa por influência, por pressão mesmo, dos pais. E eu dei a maior força. Cada um faz o que quiser, saca, todo mundo é livre para fazer o que quer no mundo de hoje. É por isso que ela gosta de mim, cada um com suas coisas. E eu seguro as pontas: sei que tem muita mulher que me quer por aí, minha namorada também sabe disso. Ela não vai largar um cara como eu por qualquer um. Ao conhecer o cara desesperado, minha namorada vai gostar ainda mais de mim, isso, sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu tenho 30 anos e, diferente de muitos amigos meus, já tenho uma vida completamente independente dos meus pais. Tenho um trampo legal, provisório mas que dá uma grana boa. Moro com alguns amigos num apartamento bem espaçoso, com quartos individuais. Gosto muito deste esquema: juntamos nossos amigos direto no apartamento, fazemos umas festinhas, conhecemos a galera um do outro e, ao mesmo tempo, temos nossa privacidade, especialmente quando rola mulher no pedaço, isso é essencial. Sou inteligente, gosto de ler, tenho um gosto musical legal, tem muita menina que se apaixona por mim. Resolvi fazer esse programa porque assistia com meus amigos e resolvi me candidatar a ser um dos caras que pega a namorada desses panacas que deixam a namorada sair com outro. Só pode ser provocação! Tenho certeza de que ela vai preferir a mim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;L. chega na casa de N., onde a acompanham os pais e o namorado dela. Olhem como a apresentação é um sucesso. Todos se cumprimentam, podemos ver um sorriso no rosto de N.. Acho que ela ficou feliz com o que viu, vocês não acham? Já o namorado, não sei, não. Mas ele sorri, cumprimenta. Os pais também parecem estar bem satisfeitos. Logo depois, o casal vai para uma das boates mais badaladas da cidade, e L. não é bobo: já tinha feito reserva para a área VIP, e eles sequer têm de passar pela fila. Dá para notar a expressão impressionada e feliz de N., ainda mais quando percebe que ele já conhece o pessoal da casa. A conversa é animada, e já podemos observar a linguagem corporal dos dois. Ela mexe no cabelo sem parar, sempre sorrindo e sem tirar os olhos dele. Não perdem uma só oportunidade de se tocarem, seja nos braços, nas coxas, no cabelo, ainda que de leve. Eu acho que vamos formar um novo casal! L. pede para utilizar o seu direito de 10 minutos longe das câmeras. Quando voltam, os lábios de ambos estão mais vermelhos e dilatados. É isso aí, não há dúvidas: eles beijaram!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nós gostamos bastante do pretendente de nossa filha (olhando para a mulher em busca de um olhar de aprovação). Ele é mais velho, parece mais experiente e com mais iniciativa. Nas conversas, confesso que ele não me pareceu tão inteligente quanto afirmava, até porque ficou meio confuso quando começaram a falar de alguns assuntos. Mas não há dúvidas de que ele sabe como conquistar: prepara tudo de antemão, veste-se bem, conhece as pessoas. Vamos ver como a noite caminha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O cara é um babaca. Fica pagando de culto, mas não sabe conversar um minuto sobre coisa alguma. Dá para ver que é um daqueles caras que ficam o dia todo na academia e lêem revistas masculinas para tentar conquistar mulheres. Mas dá para ver que não sabe nada de mulher. Coitado. Não dá para ter certeza de que a N. beijou o cara. Se beijou, foi só para seguir o roteiro do programa. Depois da conversa, da total falta de papos interessantes, deu para ver que ele não tem a mínima chance de ficar com ela no final.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nem sei se quero namorar a mina, mas já tenho pena do otário do namorado dela, que nem consegue garantir que ela fique só com ele. Claro que eu a beijei. Ela gostou, foi pegação total. Longe das câmeras, ela sabia que o coitado não ia ter de assistir. Foi lá que ela disse que queria continuar o encontro, que estava interessada em ir para outro lugar. Eu sugeri um vinho na minha casa, ela topou. Já sabe onde isso vai dar, né? Eu não deixarei de aproveitar. Cara, a menina é assanhada, estou esperando uma noite bem animada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A partir da terceira taça de vinho, tivemos de parar a transmissão e colocar uma senha de segurança em sua televisão. Caso você seja o titular da assinatura e tenha mais de 18 anos, basta digitar a senha programada que você poderá continuar a assistir ao programa, que está mais quente do que nunca. Bem, apenas para quem já digitou a senha, passamos à casa onde se encontram os pais e o namorado de N.. Os pais preferiram não assistir à nossa filmagem, a partir do momento em que o casal passou para o quarto de L. Já o namorado disse que não tinha problema algum em assistir ao que já estamos mostrando aos nossos telespectadores. Embora L. tenha se gabado de sua performance sexual, quem parece estar mandando no show é mesmo N. Olha só como ela chega com vontade, não perde um só pedacinho do corpo dele. E, além de acrobata, tem um corpo incrivelmente gostoso. Temos de admitir que assisti-la parece ser melhor do que ver uma cena com Jenna Jameson, olhem como ela se move por cima dele. Como ela utiliza todas as possibilidades de posições, e faz tudo com vontade, olhando sempre nos olhos dele. Um furacão, um furacão do tipo que geme alto. A coisa toda só acaba depois de uma hora e meia, mas ela parecia querer ainda mais. Os lençóis e os corpos estão úmidos, ofegantes. Um de nossos melhores programas, certamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Olha só como o cara é ruim de cama. Nem se mexe, uma tristeza. Ela parece estar gostando, mas é para seguir o roteiro, como eu disse. Senão, iriam acusá-la de pudica. Além do mais, tenho certeza de que ela quer aumentar ao máximo a audiência do programa, porque, no fundo, tem vontade de ficar famosa. Eu estou tranqüilo, dei liberdade total para ela fazer o que quisesse. Não sou um namorado ciumento, não sou conservador ou machista. Cara, nossa liberdade é essencial, cada um faz o que achar melhor. Eu parto dessa filosofia. Se ela quiser transar, transa. Mas comigo tem de ser igual. E o cara nem transa bem. Eu dou a ela orgasmos múltiplos diários. Esse cara aí, coitado, se conseguir proporcionar um, já seria um milagre. E esse pau pequeno. O cara é alto e tem pau pequeno, pelo amor de deus! A N. deve ter-se decepcionado. Comigo, é bem diferente. Eu dou exatamente o que esperam de mim, ou mais. Enfim, o cara é mesmo um fanfarrão.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Durante todo o depoimento do namorado, que utiliza detector de mentiras, notamos que seu coração bate descompassadamente e que sua respiração está com arritmia. Vocês acreditam que ele fala a verdade, telespectadores? Eu digo que não. A coisa está muito duvidosa. No mínimo, não gostou do que viu. Neste programa não entra hipocrisia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Meu namorado me deu liberdade total para eu fazer o que quisesse esta noite, então não pode reclamar. Além do mais, eu queria mesmo aproveitar, não é todo dia que se tem uma chance dessas. O L. é muito bonito, forte, alto, um pouco rústico e tem um quê de cafajeste. Tem aquele ar de confiança e decisão. É o tipo de homem de que uma mulher gosta. Então, por que eu não iria para a cama com ele? Também, eu não poderia escolher entre meu atual namorado e ele sem saber como seria o sexo. Isso é essencial, faz toda a diferença. E aquelas câmeras em cima de mim, aquilo me deu muito tesão. Senti-me uma estrela na cama, pensando em todas as pessoas que poderiam estar me assistindo. Nunca fui tímida, ainda menos nesta situação. Acho que gosto mesmo é de me exibir. Ele poderia ser melhor, mas foi o suficiente. Nossa, ainda estou trêmula.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu sei que os casais de hoje em dia são assim. Nós mesmos vivemos a revolução sexual, embora ainda sejamos tímidos diante disso tudo. Mas compreendemos, os jovens estão cheios de energia e vivem num tempo mais liberal. Mas também não pude assistir a tudo, achei melhor ficar ignorante a respeito da parte sexual da vida de nossa filha, embora sempre soubesse que ela não é diferente da maioria do pessoal da sua idade (olha para a esposa, novamente, em busca de um olhar de aprovação). Pelo jeito, ela ficou feliz com o encontro, senão não teria ido à casa do rapaz. Vamos ver o que ela irá decidir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cara, você viu como a mulher estava louca para dar para mim? Eu disse que a noite iria ser animada. Eu disse. Também, pô, depois de uma noite com entrada VIP, vinho bom e um beijo bem dado, se a mulher não transasse, estaria desperdiçando um cara foda. Se ela não quisesse, muitas outras querem. O namorado viu? Não deve ter ficado nada feliz, hehe. Ver que a namorada dele estava desesperada para me pegar, e ver tudo o que eu fiz com ela. Só pode ser masoquista. A gente fez de tudo, e eu nem pedi. Ela é que foi mostrando que queria que eu fizesse aquilo ali no final. Putz, nem toda mulher topa fazer aquilo. Cara, tô até cansado. Na pior das hipóteses, tive uma noite gostosa. E ainda sacaneei mais um otário que não consegue prender a própria namorada.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu prefiro continuar com meu namorado. Embora ele seja muito criança de vez em quando, nós já nos entendemos bem. Eu gosto dele. O L. é muito interessante, muito sexy, mas nosso papo poderia ter sido melhor. Eu sinto que a gente pode acabar tendo problemas com as diferenças, mais tarde. O sexo foi bom, mas meu namorado já me conhece, sabe os lugares onde mais gosto de ser tocada, o que gosto de fazer, acaba conseguindo me dar muito mais prazer. Mas foi bom ter brincado com uma pessoa com um corpo diferente e com muita vontade de fazer tudo o que fizemos. Adorei me sentir desejada daquele jeito. Acho que uma das melhores coisas, aliás, foi sentir que estava sendo ardentemente desejada. No fundo, talvez, eu quisesse mais isso. Mas meu namorado também me deseja muito, nos damos bem, prefiro continuar como está. Sei que ele vai compreender que o que aconteceu nesta noite não tem nada a ver conosco, com nosso relacionamento. Já conversamos sobre isso antes. Vi que ele confirmou nossas conversas durante o programa. Por isso, somos felizes. Nos conhecemos muito bem e sempre pensamos um no outro.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5999436714354977947?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5999436714354977947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5999436714354977947' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5999436714354977947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5999436714354977947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/09/reality-television-2.html' title='Reality television 2'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5146816762042101733</id><published>2008-08-05T00:26:00.003-03:00</published><updated>2008-12-01T20:35:21.997-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><title type='text'>Diários de Bali: primeiras impressões</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No avião para Bangkok, depois de comprar um guia em Frankfurt, começo a ler e, finalmente, passo a saber algo sobre o país para onde estou indo. Estou ao lado de um casal de alemães (mais tarde, fico sabendo que os alemães são os europeus que mais vêm a Bali) bastante simpático. Não falam quase nada de inglês mas sorriem o tempo todo, consomem grande parte do arsenal de bebidas que a Thai Airways fornece e brindam quase sempre; parecem em lua-de-mel, mas seus filhos na fileira de trás e sua idade denunciam que já estão juntos há muitos anos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Desço em Bangkok, pego o avião para Bali. Começo a pensar, entre turistas malaios e australianos, nos bombardeios de 2002 e 2005. Incrível o número de pessoas indo à ilha, sabendo que foram o alvo dos ataques terroristas: o objetivo. História colonial típica: companhias comerciais, seguidas pelo próprio governo holandês, antes dos japoneses e, finalmente, a volta dos holandeses, que não iriam largar o osso tão facilmente. Esta foi a integração dos países “não-ocidentais” (o que inclui América Latina e África) à sociedade internacional. Porém, no presente eterno em que vivemos, não há espaço mais para discutir estas coisas. A independência, a influência dos comunistas e a Guerra Fria, os anos sob Sukarno, logo os anos sob Suharto, a influência dos militares na política durante longo período, e o “bem-vindo” período democrático. Megawati, islamismo, hinduísmo, sendo o ex-general Susilo o atual presidente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;É o outro lado do mundo. Chego às 14h, horário local, 3h da manhã no Brasil. Entre conexões e horas de vôo, cerca de 30 horas de viagem. Chego no hotel, pensando em cochilar, e durmo por 8 horas, não sei se por causa do cansaço da viagem ou porque eu estaria dormindo no Brasil, embora aqui fosse o meio da tarde. É o outro lado do mundo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E, ainda assim, é outro mundo. Come-se nodles (come-se nodles em todas as refeições) e batatas no café-da-manhã, tofu, carnes &lt;st1:personname productid="em geral. O" st="on"&gt;em geral. O&lt;/st1:personname&gt; vestuário é todo colorido, até mesmo em ambientes mais formais, como no caso da conferência de que participei. Aliás, tudo aqui é mais colorido, mais vivo: a arte, as roupas, os objetos. Observo que o bigode, ao contrário do Brasil, é muito comum por estas bandas. Badmington é, ainda não consigo acreditar, o esporte mais popular do país. Badmington? Really?, eu pergunto. Badmington?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O trânsito é um capítulo a parte. Há mais motos e mototáxis do que a média brasileira. Detalhe: metade deles sem capacete. Outro detalhe: crianças dirigem grande parte das motos. Crianças são colocadas em motos com os pais e, se algum deles está sem capacete, são sempre os filhos. Em Bali é comum ver cigarros de Bali, que me fizeram começar a fumar, e ainda não há a perseguição ao tabaco que se costuma perceber na maioria dos países “ocidentais”: pode-se fumar em praticamente todo lugar. O trânsito é caótico, eu não teria a mínima condição de dirigir por aqui, por mais imprudente que alguns me considerem. Dirige-se do lado esquerdo, como os ingleses, e a buzina é onipresente. Dentro de um táxi, observo o motorista utilizando a buzina de 15 em 15 segundos, e não consigo compreender para quê, para quem está buzinando. Parece um hábito, algo mecânico, embora eu saiba que é algo que me escapa. E qualquer pessoa pode entrar no meio da rua e parar o trânsito, sem grandes reclamações dos motoristas. É o que fazem os funcionários dos hotéis, para chamar táxis ou permitir a saída de algum veículo, ou até mesmo para permitir que os turistas consigam atravessar a rua. Aliás, as ruas são muito estreitas e as calçadas, mais ainda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Grande parte da minha vida social com os nativos ocorreu dentro de carros, em conversas com os motoristas e guias. O sotaque em inglês é muito diferente daqueles aos quais eu tinha me habituado, e é comum eu pedir para que repitam a frase para que eu consiga entender. Todos trabalham muito (é impressionante o número de estabelecimentos que ficam abertos até tarde da noite, senão 24h) e, não obstante, parecem sempre estar de bom humor. São orientais de pele morena, e tendem a ser mais baixos do que eu. Outro susto: ao tirar foto para minha credencial, a funcionária da conferência, ao ver que teria que ajeitar a câmera, disse-me, com um ar sério, que eu era “alto demais”. Eu quase agradeci o elogio!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;O governo não parece ser tão presente na vida das pessoas de Bali. Poucas vezes vejo funcionários governamentais, incluindo a polícia, ou estabelecimentos públicos. A economia, aqui, é toda voltada para o turismo, que representa cerca de 70% da renda local. Assim, quase todas as placas são escritas em inglês, e praticamente todo mundo consegue estabelecer uma conversa, ainda que simples, nesta língua. Assim, todos tentam fazer sua parte para facilitar a vida dos turistas. Há muitas casas de câmbio (não sei se autorizadas; algumas têm escrito “authorized money changer”. Isso quer dizer que as outras não são?), hotéis, spas, caixas automáticos, feiras, vendedores ambulantes, restaurantes para todos os gostos. Os bombardeios foram uma péssima notícia para todo mundo: o movimento turístico é cerca de metade do que era até outubro de 2002. Muita gente, na ocasião, perdeu o emprego, muitos estabelecimentos faliram. Ouvi muitas histórias desse tipo em minhas conversas. Mais uma vez, os estabelecimentos privados fazem sua parte: todos os carros que entram em hotéis têm os porta-malas revistados e um detector é passado na parte de baixo de cada um deles. Em outras palavras, ainda pode-se respirar os ataques por aqui. Os mais jovens brincavam com palavras como “fuck terrorists”. Cheguei a ver camisetas a venda com estes escritos. Um turista ocidental mais inteligente não usaria estas camisetas: poderia parecer arrogância, provocação e, dependendo, até mesmo uma ofensa direta. Mas eu não acredito na inteligência dos turistas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5146816762042101733?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5146816762042101733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5146816762042101733' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5146816762042101733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5146816762042101733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/08/dirios-de-bali-primeiras-impresses.html' title='Diários de Bali: primeiras impressões'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5598963132576031288</id><published>2008-07-29T23:43:00.003-03:00</published><updated>2008-12-01T20:42:19.848-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><title type='text'>Querida Sara,</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No início, quando vi você começar a sair de casa e fazer amigos, ficava muito feliz de vê-la feliz. Era um entra-e-sai de casa, seus amigos vinham buscá-la para sair à noite, e eu estava contente de ver que você aproveitava a vida. A participação no grupo e seus segredos dissimulados em rosto completamente apaixonado faziam sua pele ficar ainda mais bela. Passei gradualmente a ter menos contato com você. Isso era natural, pensava eu, nenhum pai tem acesso real às vidas de seus filhos adolescentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Você chegando cada vez mais tarde, eu dormindo cada vez mais cedo. Imaginava que estava correndo tudo bem na faculdade. Não estava mal, de fato. Você sempre elogiava as aulas de publicidade, gostava dos colegas, trazia alguns &lt;st1:personname productid="em casa. Eu" st="on"&gt;em  casa. Eu&lt;/st1:personname&gt; divertia-me com as gírias que surgiam a cada segundo em suas bocas, nas refeições em que partilhávamos a mesa. Finalmente, vieram também os namorados. Você tratava-os com altivez, não sei se isso os agradava, mas o fazia a mim, que ficava certo de que você não se arrastaria facilmente aos pés de qualquer homem. Eu tinha tanto orgulho da sua independência, desta sua altivez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Houve preocupações. Esbarrões nos móveis madrugada afora, ânsias de vômito, despertar no chão da casa, nos chãos de outras casas, reclamações de vizinhos, enquanto eu viajava. Você, popular, o celular sempre vibrando de amigos, tocando solicitações de presença. E você disse sim a todos, irei, claro, não posso perder, já estou lá. Haja festas para você. Nem havia tantas, e você então as levava para nossa casa, amigos bebendo na sacada. Cartão de crédito cada vez mais alto. Eu faço estágio, pai, posso me virar sozinha. E lá foi você, adiante, cada vez mais longe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;          &lt;/span&gt;Mudou-se de casa.Visitava pouco, nossas conversas sempre terminavam com você chateada comigo, eu chateado com você. Na mesma cidade, não conseguíamos nos ver muito. Confesso que, muito embora eu manifestasse vontade de te ver mais, estava imerso em outras coisas, e (sou obrigado a dizer) nossas discussões diminuíam um pouco esse desejo de vê-la, pois eu sabia que esses encontros não seriam bons. No fundo, eu tinha saudade de você quando criança. Eu deveria ter vergonha de dizer isso, de manifestar verdades cruéis a você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu vi, porém, que você não era mais criança quando seus hábitos passaram a ser mais claros para mim. Você não estava mais no estágio, e nem haveria razão, pois já havia terminado a faculdade. Não obstante, não parecia estar interessada em emprego algum. Continuou vivendo como adolescente, embora com discurso até mais adulto, talvez, do que o meu. Mais inteligente. Sua vida era noite afora. E foi durante a noite que você afetou todo o meu dia, lenta e dolorosamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Seus amigos ligavam pedindo que eu fosse buscá-la nos mais diversos lugares. Depois, a polícia pedia que eu fosse buscá-la na delegacia. Soube que você dormira diversas vezes no carro, nas praças, nas ruas, em casas de pessoas que você não conhecia. Nem sempre havia alguém para buscar, amigo ou namorado para levar para casa ou para algum lugar seguro. A verdade é que não era seguro deixar você sozinha. Eu não sabia disso, digo isso agora, depois de tudo. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Quando já é tarde demais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Quando você sumiu por três dias, eu só fui saber muito depois. Ninguém quis colocar-me a par, acho que faltou coragem. Afinal, todos os que souberam da história eram meio culpados. Eu não sabia que minha família estava desmoronando. Para mim, estava tudo normal. Preferi ignorar. Continuava trabalhando, escrevendo meus artigos eventuais nos periódicos, mantendo relações com o pessoal do gabinete, fazendo a política de todo dia. Até que, um dia, minha rotina foi atropelada por notícias suas. Notícias publicadas nos jornais que costumava ler.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Aquela rotina é passado. As notícias foram multiplicando-se, fui varrido pela verdade e pelo moinho de fofocas que se deu depois. Perdi posição, perdi quase todo o meu dinheiro e propriedades duramente conquistados (tendo eu nascido em casa pobre) em pouquíssimo tempo, para pagar as dívidas que eu não soubera que você tinha acumulado. Meu nome agora é lama. O nome de toda a família. E sequer nos entendemos, você e eu, durante tudo aquilo. Sua postura arrogante, sua suposta independência de tudo o que se falava. Finalmente, não havia diálogo nem coisas sobre as quais lamentar. Tudo havia acabado. Eu reafirmava que ainda amava-a, e tantas vezes pedi para você mudar em nome do amor que eu dizia sentir e que não passava de mentira. Não sabia como você podia ter nascido. Olhava para você e via uma conspiração divina, um carma, punição, flagelo de minha existência. E menti, menti, menti, porque precisava sentir-me como pai, apesar de todos os meus sentimentos negarem isso. Eu odiava você, minha filha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;Ontem, porém, quando a vi de novo, algo em mim virou ao avesso. Você não era a sombra do que já tinha sido. Cabelo raspado, parecia caminhar pela casa de pijama há semanas, como sonâmbula, sem assear-se ou comer direito, e sóbria. Todos os amigos afastados, agora que não havia comemoração alguma de que você participasse. Os amigos que, soube, transavam com você (bêbada) quando bem entendiam, já que você pedia e se despia, que se divertiam com você. Seus namorados que não mais existiam porque você os traiu todos, diversas vezes. Alguns bateram &lt;st1:personname productid="em voc￪. Tantos" st="on"&gt;em você. Tantos&lt;/st1:personname&gt; pegaram dinheiro e coisas emprestadas nunca devolvidas. Menina mimada, catalogavam. Estavam certos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Olhando para você, outro rosto. Bem mais velha. A falta de lágrimas ao tentar explicar que, realmente, não se lembra de praticamente nada do que fez ou sofreu nos últimos cinco anos. Olha fotos, ouve relatos, lê notícias, não se reconhece. Você estava bêbada, doida, sei lá, os dois, você diz. Sequer sabe o que aconteceu. Está sem rumo. Não consegue arrumar emprego, não estudou muito nos últimos tempos, publicidade decaiu muito, você tenta argumentar. A verdade é que você mal compareceu às aulas da faculdade, não precisava para ser aprovada. Resolvi ficar em casa por enquanto, eu te vejo mentindo. A visita é um suplício para você, sequer consegue olhar-me nos olhos. Só para o tapete manchado de coisas várias e indefiníveis. Você não quer que lhe vejam tão frágil, não quer que tenham pena de você. Porque você sabe que você não merece pena de ninguém. Você não se preocupou, não teve consideração com absolutamente ninguém durante todo esse tempo. Vivia exclusivamente para você e paa ninguém mais. Você não merece pena nem do seu pai. Ainda mais do seu pai, de quem você arruinou a vida. Você sabe que metade dos meus cabelos brancos, das minhas rugas, dos meus olhos cansados, veio de preocupações causadas por você. Você tem vergonha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Quanto a mim, voltei à condição de criança sem que haja tempo de construir novamente minha identidade. Sua mãe morreu tragicamente, ignorada, enquanto eu trabalhava. Só fui suspender tudo nos últimos dias, para vê-la emagrecer e adquirir manchas na pele. Você, nem isso. Perdi, sem sequer ter consciência, egoisticamente, a única pessoa que me amou de verdade. Dos amigos, sobraram tão poucos. Vagueio pela cidade sem rumo, como alma penada. Não imaginava que minha velhice seria assim. Eu tinha pena de mim mesmo. Um rancor imenso do mundo e, particularmente, de você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E algo aconteceu desde ontem. Você não tinha esperança de mais nada. Sentia um ódio mortal de si mesma. O seu rancor não era do mundo ou de ninguém, era de você mesma. Você considerava-se desgraçada. Derrotada. E ainda tão jovem, tão jovem. Minha dor adquiriu novas tonalidades, ontem. Eu não tenho condições de assistir ao espetáculo com indiferença. Você desmoronou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;E tudo o que eu havia recusado sentir por você veio, tão inesperadamente. Você ainda tem tempo, minha filha, pode recuperar tudo. Eu sinto que suas provações têm um propósito, e este propósito é bom. Eu quero fazer você ter vontade de colocar uma roupa bonita e sair de casa. Eu quero fazer você ter vontade de amar os outros, de ter uma vida da qual você se orgulhe. Eu sei que isso ainda é possível, para você. Pensa mais um pouco, filha, e veja que não há porque se esconder o resto da vida. As pessoas esquecem, você também pode esquecer. Um dia, isso tudo parecerá só um sonho ruim. Você ainda é tão bela, mesmo com toda a sua tristeza, com toda a sua fragilidade. Você terá sua redenção, e ela virá sub-repticiamente, em pequenos momentos. Basta você recuperar a vontade de viver. Meu rancor de você transformou-se &lt;st1:personname productid="em esperan￧a. Voc￪" st="on"&gt;em esperança. Você&lt;/st1:personname&gt;, filha, é minha esperança de tempos melhores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;Eu nunca soube ou quis ser um bom pai. Eu reconheço que também fui egoísta e que, não fosse eu, as coisas poderiam ser bem diferentes. Eu sei que você não quer ouvir isso, sei que você não concorda. Mas eu também sei, agora, que eu amo você. Eu que pensava que, em minha velhice, isso já não era possível. Você não está sozinha, minha filha. Não enquanto eu estiver vivo. Eu prometo: você ainda há de ser feliz.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Do seu&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;M.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:12;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5598963132576031288?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5598963132576031288/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5598963132576031288' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5598963132576031288'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5598963132576031288'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/07/querida-sara.html' title='Querida Sara,'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-6574321571277518189</id><published>2008-07-18T12:00:00.005-03:00</published><updated>2008-07-18T12:29:54.967-03:00</updated><title type='text'>Interpretação do toque</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu imaginava que estava fazendo carinho. Não era carinho, ela disse, você aproveitava da minha carência, destruiu-me emocionalmente, tornou-me dependente de você. Mas eu era, eu respondi, eu era dependente de você. Você não era, como todo homem, aliás, eu a vi dizendo. Você nos violenta, com seus falsos atos de carinho e amor, para continuar a viver do mesmo jeito, para depois abandonar-nos, mesmo mantendo tudo aparentemente como estava. Eu fiquei sozinha, solitária. Sozinha, esperando que você viesse tocar-me para recompensar toda essa solidão, longe de tudo e de todos, com exceção de você. Depois, derretia-me com sua violência, com esse seu falso afago que me prendia, que me impedia de seguir minha vida, enquanto você seguia o curso da sua, como se eu não existisse. Anos sendo violada e sem acesso a qualquer coisa sua. Foram esses carinhos eventuais que me fizeram transformar você no centro de minha vida, enquanto eu permaneci na sombra, em algum canto obscuro da sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi, a partir daquele momento, duas possibilidades de toque: carinho e violência. Concluí, ainda, que o toque, o tocar alguém, pode ser as duas coisas, simultaneamente. Depende do ponto de vista, da pessoa, do momento em que se pensa sobre isso. Todo toque é diálogo, pois envolve dois corpos. O toque é ambíguo, portanto. A violência é, eventualmente, carinhosa, um ato de amor tresloucado. O carinho pode ser o pior ato de violência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-6574321571277518189?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/6574321571277518189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=6574321571277518189' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6574321571277518189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6574321571277518189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/07/interpretao-do-toque.html' title='Interpretação do toque'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-662160842937447312</id><published>2008-06-02T18:51:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T18:27:18.154-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Dúvidas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Se uma pessoa está em constante mudança, ela nunca é o que era antes. Logo, numa perspectiva temporal, não existe uma pessoa, mas várias pessoas, com corpo e alma diversos.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Nós nunca conhecemos totalmente alguém, nem mesmo a nós próprios. Portanto, há sempre espaço para o imprevisível. E, se estamos em constante mudança, como parece ser nosso caso, é ainda mais difícil e problemático dizer “eu conheço aquela pessoa” ou até “eu realmente me conheço”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Apesar das afirmações anteriores, o amor existe. Nós dizemos, constantemente, “eu amo aquela pessoa”. Porém, se nós jamais conhecemos alguém, e se este alguém é sempre outro no tempo, a quem realmente amamos?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Tem gente que ama alguém querendo que ela realize um potencial imaginário, criado pelo amante (“amo porque sei que ele pode ser outra pessoa”). Tem gente que ama porque acha que o amado vai fazê-lo realizar o seu potencial imaginário. Tem gente que cria um sujeito imaginário e o ama. Em geral, a gente faz os dois, simultaneamente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Mas o amor também muda com o tempo. Ele toma formas diferentes, ele tem graus variados. Ele aumenta, diminui, acaba. Essa variação tem alguma relação com a mudança individual dos amantes-amados? Podemos dizer que paramos de amar porque o amado mudou? Como, se nunca o conhecemos realmente, nem agora nem antes? Será que o amor acaba porque nossa capacidade de vestir o ser amado com a roupa que nos agrada, ou com as diversas roupas que podemos amar, esvai-se? O amor muda porque amante e amado mudam?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Mas o amor também tem contato com a realidade. O amante entende e percebe algo do ser amado: é quando dizemos “compreendo-o” (parcial e episodicamente, ao menos). É quando não mais porque pensávamos “que ela fosse diferente”. O amor tem fantasia vista como realidade. O ser amado tenta mudar para corresponder à fantasia do amante. Por isso, o amor também é, por sua vez, motor de mudança dos amantes-amados. Nós tentamos, ainda, ocultar o que pode não corresponder a estas criações imaginárias. Também podemos ver que os amantes mudam um ao outro, fazendo que com ambos fiquem bem parecidos a olhos de terceiros e deles mesmos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Se o amor muda, de onde vem a estabilidade do amor? O amor é independente dos sujeitos-objetos do amor? E seu contato com a realidade, como fica? Como o amor dura se tudo muda, inclusive nós próprios?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Cá estão, nossos amigos de longa data. Anos, décadas. Nosso amor romântico pela mesma pessoa, amor longínquo. A gangorra eterna do amor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;Como funciona o amor? Ele pode explodir, como partículas instáveis numa molécula, como bomba atômica? De onde vem toda essa energia, de onde veio o amor? Como se mantém? Para onde ele vai?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;O que é isso que chamados de amor?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-662160842937447312?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/662160842937447312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=662160842937447312' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/662160842937447312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/662160842937447312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/06/dvidas.html' title='Dúvidas'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7059593186886932930</id><published>2008-05-28T11:43:00.001-03:00</published><updated>2008-05-28T11:52:11.172-03:00</updated><title type='text'>29/19</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acho que não vi acontecer. Quando olhava no espelho, não via nada. Nada de diferente, digo. O que particularmente me incomodava eram algumas fotos. Mas, então, eu achava que era a pose, a luz, o ângulo. Enfim, eu achava que não era comigo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Certa vez, li que uma das dificuldades para uma pessoa emagrecer é que, quando o objetivo é alcançado, ela não consegue reconhecer-se no espelho, não se acostuma à sua nova imagem. Comigo, aconteceu o mesmo, mas de maneira inversa, por assim dizer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos últimos tempos, andei passando por um processo de reconhecimento do meu eu exterior. Descobri que meu aspecto, ao contrário do que eu tinha como certo, mudou muito. Finalmente, descobri que não sou a mesma pessoa de dez anos atrás. Uma bochecha que não havia antes. Rugas de expressão. Até mesmo fios de cabelo branco. Uma barriga saliente. Uma memória que já foi melhor. Menos vontade de falar. Dentes amarelos, sorriso amarelo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E nem é só isso. Já há festas nostálgicas sobre épocas que eu pensava não terem acabado (o presente está cada vez mais curto). Documentários sobre ídolos meus de pouco tempo atrás. Existem pessoas com quem tenho conversas interessantíssimas e que nasceram bem depois de mim. Certas roupas que vestia voltaram a ser usadas como “vintage”. Há várias gírias de que sequer tomo conhecimento e, quando por acaso tomo, não entendo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Contudo, sinceramente, sequer tenho mais vontade ou paciência para acompanhar tantas novidades, tendências, novas bandas, novos cortes de cabelo e novas classificações da música pop. Não me apetece mais ser “in” (e como ficou chato ser moderno...).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu acompanhava esse ritmo naturalmente. Agora, para mim (eu, que era só mudança), para mim as coisas parecem ter ficado mais fixas, enrijecidas como meus membros. Algumas coisas levadas a sério me parecem hilárias.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Deve ser a idade. Eu tenho 29 anos, falta pouco mais de um mês para os fatídicos 30. Na semana passada, descobri ter 19% de gordura entranhada no corpo, um ponto percentual a menos de ser considerado “acima do recomendável”, bem acima do ideal. Eu não entendo por que atingir um número redondo na vida é sempre doloroso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Falta pouco para eu não saber mais sobre coisas da moda, novos jogos de videogame e até novos videogames, novas formas de ouvir música, novos acessórios e periféricos, novas conexões, novas maneiras de trocar idéias. Falta pouco para eu sequer ter idéia de como ligar os aparelhos, assim como meus pais e avós, ou, ainda pior, instalá-los.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Devo, então, correr atrás do prejuízo&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;? Devo viver sobre esteiras? Devo ler todas as revistas sobre estilo? Devo cortar o cabelo? Devo imaginar que não serei ridicularizado como aqueles velhos que tentam dar uma de “jovem” (e até a maneira com que se referem aos “jovens” é tão anacrônica e afetada que parece ridículo)? Serei eu um kidult, adultescente, ou qualquer novo nome que inventem para pessoas assim?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Devo mergular na velhice? Reclamar da vida o dia todo e já tomar remédios para prevenir minha futura e inevitável hérnia? Recusar tudo o que é novo e falar sempre do passado como se fosse melhor do que os tempos atuais?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Recuso-me a tomar qualquer um desses rumos. Vou deixar-me viver, como tenho vivido, em eterna mudança e com a memória do que já foi. O tempo, seja como for, sempre é presente, passado e futuro concentrados em nosso interior. Não vou negar nada. Continuo com os risos de criança e o mal humor de velho rabugento: ambos estão em mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Aqui estou, num café em Lisboa, lendo Montaigne e ouvindo Radiohead com meu novo iPod. Logo depois, leio Coetzee ouvindo Schubert. Depois, corro um pouco ao redor do Lago Léman, &lt;st1:personname productid="em Genebra. Tento" st="on"&gt;em Genebra. Tento&lt;/st1:personname&gt; trabalhar muito e melhorar no que faço. Depois, danço Smiths, Björk e outras velharias de meus tempos. Vou ao cinema ver Bergman e François Ozon. Tudo isso é muito bom e tudo isso, antigo ou novo, pode ser aproveitado agora. Nos intervalos, escrevo besteiras e penso sobre a vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Envelheço, sim. Como é bom a vida seguir e vê-la seguir. Como são belas as coisas que passam e vejo passar. Eu passo, também, e nada poderia ser mais interessante e natural.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-weight: normal;font-size:12;" &gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7059593186886932930?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7059593186886932930/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7059593186886932930' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7059593186886932930'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7059593186886932930'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/05/2919.html' title='29/19'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7057799041984752186</id><published>2008-05-03T14:57:00.004-03:00</published><updated>2008-12-01T20:42:40.250-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Farol</title><content type='html'>Estando em meio ao mar deserto&lt;br /&gt;E ondulante, o incerto náufrago,&lt;br /&gt;Ofegante, do inferno azul avista&lt;br /&gt;Um farol, que dista dele&lt;br /&gt;Muito pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com farol em proa,&lt;br /&gt;Remos cansados&lt;br /&gt;No remanso consolam-se&lt;br /&gt;Em antever,&lt;br /&gt;Em vez de temer,&lt;br /&gt;Um fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escalando o insulado edifício,&lt;br /&gt;Construção mágica, paredes&lt;br /&gt;Flácidas formam ecos&lt;br /&gt;Trágicos a ouvidos&lt;br /&gt;Antes moucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O farol, agora via-se,&lt;br /&gt;Iluminava toda direção e&lt;br /&gt;havia uma voz a dizer:&lt;br /&gt;"Do caminho importa o que&lt;br /&gt;Dele se fez". Dúbia&lt;br /&gt;Reverberação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sua embarcação de volta,&lt;br /&gt;O olhar enevoado duvida do outrora&lt;br /&gt;Límpido farol, e o determinado&lt;br /&gt;Náufrago some na imensidão&lt;br /&gt;Sem fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7057799041984752186?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7057799041984752186/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7057799041984752186' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7057799041984752186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7057799041984752186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/05/farol.html' title='Farol'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5026051763383649909</id><published>2008-04-27T22:31:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T18:15:28.385-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostálgicas'/><title type='text'>Filosofia, interrompida</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Há mais ou menos treze anos atrás, eu ainda lia pouquíssimo. Eu deveria ter vergonha de dizer isso mas, como tenho considerado a sinceridade virtude muito importante, confesso que comecei a ler bastante quando, fazendo um simulado de inglês e terminando muito rapidamente (pois não me esforçava muito nas provas), um amigo passou-me um livro para ler enquanto esperava. Eu estava &lt;st1:personname productid="em San Diego" st="on"&gt;em  San Diego&lt;/st1:personname&gt;, pela primeira vez no exterior para estudar outra língua (e até hoje não sei falar nenhuma). O amigo era um suíço que nunca mais vi, mas cujo nome não esqueço porque ainda o prezo muito por isso: Richard Bruder. O livro era “O mundo de Sofia”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Esse livro do Jostein Gaarder foi best-seller durante muito tempo, tanto no Brasil quanto em vários países do exterior. Acho que esses romances que prometem ensinar tudo o que se deve saber sobre determinado assunto, vez por outra, são muito vendidos. Esse era um dos casos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Embora eu tivesse gostado muito da história, o que realmente me interessava eram os capítulos em formas de cartas que explicavam resumidamente idéias de filósofos famosos. Desde então, eu nunca mais parei de ler. Logo, eu devo praticamente todo o meu interesse em livros, ao menos inicialmente, à filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Praticamente todo o tempo restante que tive nos Estados Unidos, passei-o lendo. Lendo o livro, que comprei no mesmo dia por não poder roubar o de meu amigo, lendo a poeta Dorothy Parker e Walt Whitman (do qual nunca tinha ouvido falar), lendo revistas sobre música. Até hoje, minha impressão mais nítida de San Diego é sobre o sofá da sala dos Maine, com livros na mãe. Da cidade, sinceramente, lembro muito pouco, com exceção da escola. Essa estada, de vez em quando, parece só um sonho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha mãe, que não gostava nada desse meu péssimo hábito (ou não-hábito) de não ler, resolveu incentivar-me de diversas maneiras. Uma delas foi quando eu tive interesse na coleção “Os Pensadores”, que já foi lançada diversas vezes em bancas, em diferentes versões. A minha é aquela em capa dura verde. Minha mãe comprou-a toda para mim, cada um dos 30 volumes. E eu passei a ler todos, na ordem, para tentar aprender mais coisas sobre filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;À época, eu cheguei mesmo a prestar o vestibular para filosofia em duas faculdades: Unicamp e UCG. Passei nas duas, matriculei-me na Unicamp, mas a vida acabou levando-me a fazer Direito na UnB. Seja como for, esse amor pela filosofia durou muito tempo. Cheguei a pensar em parar o curso de Direito para fazer Filosofia, tal como tinha planejado alguns anos antes. Acabei considerando que os argumentos de meu pai, de que eu não deveria gastar os anos de Direito que já havia cursado, eram mais ponderados do que meus impulsos de largar tudo e fazer algo do qual realmente gostava. A resposta para esse dilema, se deveria ou não ter-me dedicado a algo de que gostava tanto mas que provavelmente não daria retorno financeiro, até hoje não a tenho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A paixão pela filosofia, pouco a pouco, foi sumindo. Eu parei de ler a coleção, lá pelo décimo volume, por volta de 1998. Desde então, pensei em fazer história (que cheguei a cursar por um período, após ter conseguido o diploma do primeiro curso), psicologia, sociologia, e por aí vai. A questão da minha indecisão daria milhões de páginas, e perpassa toda a minha vida, mas ficará para outra ocasião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O fato é que resolvi retomar a leitura daquela velha coleção que minha mãe havia dado, tantos anos e tantas experiências depois. O volume que resolvi ler foi um que tinha deixado pela metade, e que sempre é citado por aí: são os “Ensaios”, de Montaigne.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu teria milhões de comentários a fazer sobre o livro e sobre Montaigne, e tenho feito por aí, &lt;st1:personname productid="em conversas. Mas" st="on"&gt;em conversas esparsas. Mas&lt;/st1:personname&gt;, por escrito, eu só queria relembrar essa trajetória interrompida e dizer que este livro tem mudado minha vida e que eu não poderia estar mais feliz por tê-lo retomado, depois de mais de dez anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Eu voltei a morar na filosofia.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5026051763383649909?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5026051763383649909/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5026051763383649909' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5026051763383649909'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5026051763383649909'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/04/filosofia-interrompida.html' title='Filosofia, interrompida'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-4345260758366769568</id><published>2008-03-27T20:05:00.004-03:00</published><updated>2008-12-01T20:35:44.172-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><title type='text'>Fria Genebra...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp1.blogger.com/_aYC-hTx6lUI/R-wpAK8TXFI/AAAAAAAAAAg/FFoqiHwVkGY/s1600-h/Genebra+032008+022.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp1.blogger.com/_aYC-hTx6lUI/R-wpAK8TXFI/AAAAAAAAAAg/FFoqiHwVkGY/s320/Genebra+032008+022.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5182562354110618706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Foto tirada há alguns dias atrás, em Genebra. Uma figura tentando desesperadamente expor-se, apesar do frio e apesar da indiferença.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-4345260758366769568?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/4345260758366769568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=4345260758366769568' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4345260758366769568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4345260758366769568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/03/fria-genebra.html' title='Fria Genebra...'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_aYC-hTx6lUI/R-wpAK8TXFI/AAAAAAAAAAg/FFoqiHwVkGY/s72-c/Genebra+032008+022.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-8604889192811615665</id><published>2008-03-27T10:29:00.004-03:00</published><updated>2008-12-01T20:36:26.686-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Distinção</title><content type='html'>Há uma diferença&lt;br /&gt;Entre omitir e contar.&lt;br /&gt;Entre falar e conversar.&lt;br /&gt;Entre sorrir e chorar.&lt;br /&gt;Entre viver e durar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diferença entre&lt;br /&gt;Nós e laços&lt;br /&gt;Laços e casos&lt;br /&gt;Casos e acasos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma diferença entre&lt;br /&gt;Entre na minha vida&lt;br /&gt;E aguarde na sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma divergência.&lt;br /&gt;Uma insistência.&lt;br /&gt;Há uma diferença&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre eu&lt;br /&gt;E você&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-8604889192811615665?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/8604889192811615665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=8604889192811615665' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8604889192811615665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8604889192811615665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/03/distino.html' title='Distinção'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7525998790124666854</id><published>2008-03-15T17:31:00.006-03:00</published><updated>2008-12-01T20:44:41.633-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Contos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><title type='text'>It ain't etiquette</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Ler livros de etiqueta, ou sequer saber algo sobre regras de “civilidade”, é algo fora de questão durante a adolescência. A modernidade destaca livros com idéias românticas, em que a individualidade e a autenticidade estão entre as coisas mais grandiosas de uma pessoa. O conceito de “regras de convivência” só pode ser seguido por pessoas sem interioridade, que precisam de guia para interagir com outras pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;Como conciliar as idéias libertárias de Sartre e Rousseau, de Byron e Nietzsche, com a idéia de algo tão aprisionador quanto regras de convivência? A etiqueta era símbolo da hipocrisia, da necessidade absurda de imaginar-se parte de um grupo por partilhar modos semelhantes à mesa. Finalmente, a etiqueta é também um símbolo de exclusão e, portanto, era anti-democrática: não participavam do grupo os não-iniciados na arte de bem manejar talheres, de saber os vinhos apropriados a cada prato, das conversas agradáveis durante uma xícara de café ou enquanto tomavam um sorbet para melhor apreciar o requinte que se seguiria.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A etiqueta ainda é para muitos o símbolo dos ideais antigos de nobreza e de sua dissimulação nos palácios, é contrária à autenticidade e aceitação que marcam as sociedades democráticas. É a contraposição ao comportamento do artista, que busca manifestar o seu interior e não ser podado pelo dever-ser do outro.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O jovem esclarecido, com esses ideais, integra-se ao mercado de trabalho, integra-se a outras famílias (de namorados, de colegas). O jovem esclarecido tem necessidade de sentir-se aceito nesses novos círculos, que não conhecia. O jovem esclarecido quer que os outros o reconheçam como parte do grupo, independentemente de seus pais, e observa que existem regras que outras pessoas seguem e que ele não segue. Em sua infância, não havia jantares de gala, não havia convites indicando o tipo de roupa adequado à ocasião, nem convivência com pessoas com esse tipo de preocupação.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Sua infância havia sido muito feliz, na medida de possível, e talvez essa felicidade tenha a ver com o fato de não ter sido repreendido por falta de modos, e por ter convivido com pessoas extremamente espontâneas nas comemorações de que participou. A etiqueta não havia feito falta em sua vida e, sinceramente, deve ter sido melhor que ela não existisse naquele tempo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Agora, nota que não se comportava como deveria, ou ao menos como esperavam dele em uma série de situações. Ele percebe que havia pessoas que correspondiam a tais ideais, que havia pessoas que se comportavam conforme esperava-se delas, e que tal comportamento agradava bastante, especialmente às pessoas mais velhas, com quem ele pouco convivia. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Ele observa, a contragosto, que sempre teve acesso a esse mundo e que nada o impediu de conhecê-lo, contrariamente aos despossuídos ao qual sempre se sentiu mais próximo. Não podia fingir que era absolutamente alheio a isso tudo. Ele era próximo dessas pessoas concretas que se vangloriavam de sua etiqueta para excluir os demais, para menosprezar aqueles não-iniciados. Ele era cúmplice disso, embora não fosse tão iniciado quanto alguns amigos.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O que o manteve alheio a esse saber foi sua arrogância. Diante da ignorância a respeito do assunto, ele preferiu dar de ombros, abominar toda a humanidade por saber algo que ele não podia admitir desconhecer. Por praticar algo do qual ele era incapaz. O seu orgulho próprio era encoberto pela arrogância suposta dos outros.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;*&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;A pessoa acima, dissimulada em terceira pessoa, tem algo de mim. Talvez represente mais gente, mas não posso seguir a hipocrisia de fingir que seja alguém ideal. A etiqueta mais moderna, ou a pós-moderna, não permitiria. Por isso, passo a admitir minha precária condição usando a primeira pessoa.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Naturalmente, eu sabia algo sobre essas regras de convivência, porque convivo com outras pessoas. Com o tempo, deixei de agir exatamente de acordo com minha vontade tirânica. Eu passei a controlá-la para o bem geral, e essa contradição gerou meu mal-estar na civilização. Preciso expressá-lo. Mesmo que isso não siga as atuais regras de etiqueta.&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;" align="center"&gt;*&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Admitir ler manuais de etiqueta é como admitir ler livros de auto-ajuda: há algo de humilhante nisso. Os livros de etiqueta não estão destacados na estante da sala, não estão embaixo dos vidros das mesas de centro das salas de apartamentos de classe média. Esses novos livros eróticos (que agora são tão soberbamente exibidos como sinal de modernidade) estão nos recônditos dos armários. Sobretudo, não se fala sobre essa leitura. Por quê?&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Em primeiro lugar, pela contradição colocada acima. A modernidade foi construída a partir da relevância do indivíduo e decorrentes ideais de espontaneidade, originalidade e criatividade. No entanto, a etiqueta representa o oposto desses ideais, por exigir um comportamento contido, regulado, uniforme. Algo semelhante à idéia de comunidade que exigia antes da ascensão do liberalismo. A etiqueta, nesse sentido, é reacionária. Ela lembra que, embora tenhamos enforcado o último nobre nas tripas do último padre, algo dessa sociedade ainda resta. Pior, ela permanece nos estratos mais favorecidos, na nobreza moderna. A etiqueta é um sinal de distinção.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;O discurso sobre etiqueta, portanto, é contraditório. Tenta-se resolver essa contradição defendendo-se a “etiqueta natural”. Diz-se que não há nada mais belo do que ver alguém portar-se civilizadamente do modo mais natural. Assim, a etiqueta ideal é aquela que já nasce conosco, que já está presente no berço. Deseja-se que um dever-ser obviamente heteronômico seja visto como algo natural, ou seja, como autonômico. Não há naturalidade alguma em uma criança usando vários talheres durante as refeições. O absurdo desse discurso é tamanho que, na maioria das vezes, prefere-se o silêncio.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Outra maneira de tentar atenuar é oferecer regras dizendo que podem ser quebradas “segundo o bom senso”. Ora, há várias regras que não são ditadas pelo bom senso e que, no entanto, seria falta de bom senso infringi-las. Não há bom senso em não partir folhas depois dos talheres em aço inox. Não há bom senso em usar a mão com menos habilidade para manejar este ou aquele instrumento. Grande parte das normas construídas no processo civilizador decorre de aspectos alheios à racionalidade. Logo, infringir com bom senso é uma regra que não pode ser seguida. Além disso, o dever-ser perde o sentido quando se nega sua própria condição, dizendo-se que ele pode não ser. A etiqueta é espécie de direito, e exige uma comunhão minimamente cega às normas, para que possa ser eficaz. Como não se admite o caráter normativo da etiqueta, mais uma razão para preferir-se o silêncio.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Embora a etiqueta tenha função social, ela é apresentada tão contraditoriamente que não consegue perder a timidez por não saber o que é ou que papel tem no nosso tempo.&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Enquanto isso, seguimos conversando durante as refeições, sem mencionar a satisfação de nos sentirmos iguais à mesa e nos distinguirmos de outras pessoas por pequenos detalhes de comportamento. Continuamos a vangloriar a nossa elegância natural, adquirida depois de longas lições e duradoura prática, quiçá reforçadas com a leitura de alguns livros escusos no vão da parede. &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Ora, não falemos de política. Ah, sim, este vinho está maravilhoso. Não precisava ter se incomodado em trazer, querida. Há tempos não tinha uma noite tão agradável.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7525998790124666854?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7525998790124666854/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7525998790124666854' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7525998790124666854'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7525998790124666854'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/03/it-aint-etiquette.html' title='It ain&apos;t etiquette'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-9176327910874248602</id><published>2008-02-05T13:54:00.000-02:00</published><updated>2008-02-05T13:58:44.293-02:00</updated><title type='text'>Novos provérbios, op. 1.</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;Se as paredes tivessem ouvidos,&lt;br /&gt;seriam todas torturadas&lt;br /&gt;até que dissessem não.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se as paredes falassem,&lt;br /&gt;seriam todas executadas&lt;br /&gt;num grande paredão.&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-9176327910874248602?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/9176327910874248602/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=9176327910874248602' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/9176327910874248602'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/9176327910874248602'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/02/srie-provrbios-do-admirvel-mundo-novo-1.html' title='Novos provérbios, op. 1.'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-563113926516625476</id><published>2008-01-24T20:59:00.001-02:00</published><updated>2008-12-01T20:43:06.772-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostálgicas'/><title type='text'>Bolo de cenoura</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Na frente do meu trabalho, descubro um rapaz que vende bolos e alguns outros quitutes, praticamente toda tarde. Eu nunca o havia notado. Subindo os degraus da escada, e dando um furtivo olhar nos doces (eu já estava com fome, pouco depois do almoço), descubro algo que não comia há tempos: bolo de cenoura com cobertura de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como o olhar havia sido furtivo, foi também a primeira mordiscada, entre alguns papéis aos quais eu deveria estar prestando mais atenção. O bolo de cenoura na minha boca, o chocolate derretendo no palato, pregando nos dentes, a massa pouco a pouco absorvida e revelando seu gosto. Meu deus, bolo de cenoura com cobertura de chocolate!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi um sabor que me lembrou bastante de outros tempos mais felizes e inocentes. Por que eu nunca mais comi, eu não sei. Mas que saudades daqueles velhos tempos! O bolo de cenoura, essa semana, foi o meu chá da Madeleine. Mas eu não me chamo Marcel. Ao invés de sete livros, escrevo essas linhas (ainda) furtivas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-563113926516625476?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/563113926516625476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=563113926516625476' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/563113926516625476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/563113926516625476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/01/bolo-de-cenoura.html' title='Bolo de cenoura'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5399296980768878905</id><published>2008-01-22T18:06:00.002-02:00</published><updated>2008-12-01T20:38:41.904-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><title type='text'>Vida e época de Michael K (Life and Times of Michael K), de J. M. Coetzee</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O livro "Life and Times of Michael K", do sul-africano (depois naturalizado australiano) J. M. Coetzee, rendeu ao autor o Booker Prize, em 1983, e maior notoriedade no meio literário internacional. Estou buscando ler mais literatura contemporânea, algo que não fazia antes, e, agora, estou tentando ler mais livros em inglês, por dois motivos: aprimorar uma língua que não consigo aprender direito e ter mais contato com a vasta literatura que não conheço muito bem.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O livro conta a história de Michael K, uma pessoa simplória e de aspecto desagradável (possui lábio leporino) vivendo em meio à guerra civil na década de 1970. Em meio à violência vigente na cidade do Cabo, sua mãe enferma pede-lhe que a leve para uma fazenda &lt;st1:personname productid="em Prince Albert" st="on"&gt;em Prince Albert&lt;/st1:personname&gt;, que se torna, para ela, o Éden perdido e nostálgico que poderá reparar os estragos feitos pela guerra. Michael K improvisa um desajeitado riquixá, depois de perceber que não obterá permissões para deslocar pelo país, instala sua mãe no aparato e sai puxando-a por estradas secundárias, para evitar postos de controle. No meio do caminho, sua mãe piora, devido às condições precárias do transporte e do tempo, e morre em um hospital. Seu corpo é cremado sem autorização do filho, que resolve levar suas cinzas aonde sua mãe nasceu, tal como havia prometido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;K, entre vários contratempos, consegue chegar a Prince Albert, e encontra uma fazenda similar à descrita pela mãe. Lá, passa a viver precariamente - abatendo ovelhas, tentando retirar água de um açude, comendo larvas – até a chegada de um dos proprietários da terra, desertor de guerra, que tenta transformá-lo num servo pessoal. O protagonista, então, vive um tempo nas montanhas, até que é encontrado semi-vivo por funcionários do governo, que o levam a um campo de refugiados. Lá, tem de trabalhar para comer, em fazendas ou reparando estradas e ferrovias. Não satisfeito com a falta de liberdade, e após testemunhar diversos abusos depois da explosão de um prédio na cidade vizinha, K foge do campo e volta à fazenda, já abandonada. Tenta, novamente, viver da terra, plantando abóboras e melões, mas sua quase inexistente alimentação faz sua condição piorar, até que, novamente, é encontrado por pelotões do governo, que o tomam por ajudante dos conspiradores que vivem nas montanhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Michael segue, então, para um hospital em outro campo, e é tratado por um médico que, malgrado K recuse a alimentação, nega-se a deixá-lo morrer e dá-lhe tratamento especial. O protagonista continua a definhar, mas consegue, finalmente, fugir do hospital improvisado numa pista para corridas de cavalos, e volta ao lugar onde começou, a cidade do Cabo. Percebe a cidade ainda mais devastada pela guerra, conhece um bando de amigos e tem, provavelmente, sua primeira experiência sexual, com uma provável prostituta do grupo, que lhe faz sexo oral. O livro termina com a divagação de Michael K de que poderá voltar para algum lugar onde, novamente, tentará viver da terra, com recursos mínimos com os quais conseguirá sobreviver.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;O livro é narrado em terceira pessoa. Porém, o narrador não é onisciente, e confunde-se com seu personagem principal, muito simplório, pois não apresenta reflexões além do que ele seria capaz de oferecer. Também há utilização do discurso indireto livre, assim como de diálogos, ao longo do texto. No entanto, a interiorização precária do protagonista e a falta de onisciência do narrador leva a um texto descritivo, frio e estéril como a guerra em meio à qual vivem os personagens. Enquanto ocorrem as piores violências e arbitrariedades, os maiores contratempos e tragédias, a proximidade da morte, não há uma reflexão de Michael K sobre a situação que vive, com raras exceções. A situação só muda no segundo capítulo, relativamente curto, cuja narração fica a cargo do médico que assiste K. Somente aí há uma tentativa de explicação da trajetória de Michael K, mas ainda essa tentativa de explicação é insuficiente, visto que o médico não consegue arrancar do protagonista mais do que algumas vagas palavras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;Então, o que se oferece ao leitor é um texto sem muitos adjetivos, com poucos diálogos e poucos reflexões. O livro é, em suma, uma grande descrição da viagem e das desventuras de Michael K, que parece não entender muito bem o que se passa, e busca viver alheio à guerra que o envolve. Coetzee, ganhador do Nobel de Literatura em 2003, tem grande força expressiva em todas as descrições: é extremamente preciso em cada ação e movimento, em cada substantivo e seus qualificativos. Para um leitor que, como eu, não domina o inglês, o desafio é imenso. São vários os tipos de ruído e de movimentos corporais, as alterações do tempo e da condição do protagonista, o detalhamento na descrição dos mecanismos com que se lida. Coetzee cria, realmente, um mundo vivaz. Algumas vezes, o leitor tem a impressão de que aprende a construir um carrinho de mão com rodas de bicicleta e um eixo roubado de um depósito, a consertar uma bomba d’água e, à medida que a fome se apodera, como o corpo transforma-se e o que se sente nesse processo.&lt;br /&gt;A força descritiva é tão envolvente que cheguei a ler resenha afirmando que o segundo capítulo, o único com alguma reflexão, seria o maior defeito do livro. Diante da crueza da história de Michael K em si, não haveria necessidade de um narrador mais consciente, a dar um sentido à sua peregrinação. O ideal seria o próprio leitor buscar seu sentido, diante de tudo que lhe é exposto. Confesso que não sei se estou de acordo. A pessoa que busca dar sentido é um dos personagens, e muito mal informado, e não há razão para que o leitor aceite sua autoridade ou dê-lhe credibilidade. O que se tem é uma interpretação possível da aventura de K, e nada impede que o leitor discorde dela. Talvez, na falta total de impressões alheias, o livro ficasse com ausência de alguém com quem ter empatia. É como alguém com quem se possa conversar sobre o que, afinal, quer dizer toda a trajetória do livro. O livro, porém, não oferece sentido pronto. A fuga de K representa também sua discordância daquele que o mantém sob seu jugo, mesmo que supostamente benevolente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;As interpretações do livro, portanto, são várias. O fato de o personagem chamar-se Michael K foi lido como uma aproximação de Kafka, cujos personagens costumam encontrar-se num emaranhado de acontecimentos que não conseguem entender, e do qual não podem desvencilhar-se. É uma possibilidade, pois Michael K tem isso em comum com Joseph K, por exemplo. Outros vêem Michael K como alegoria do próprio escritor: seria abreviação aproximada de John Maxwell Coetzee. A leitura, a meu ver, fica mais rica ao fazer tais aproximações que, provavelmente, não são gratuitas, ao tratar-se de um escritor tão consciente do ofício e professor de literatura, com livros publicados e muito respeitados. Outra interpretação seria a de que o personagem principal seria uma alegoria de todos os negros da África do Sul, sendo o lábio leporino a marca visível de sua posição social, ou mesmo de toda a população devastada pela guerra, que não encontra sentido em meio a uma guerra cuja causa todos já esqueceram. Finalmente, sequer seria preciso localizar a guerra na África do Sul: os campos de concentração, a exploração mútua, a violência generalizada, as precárias condições de vida e a própria banalidade da morte podem ser situadas em qualquer conflito bélico.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;A narração do livro também é bastante peculiar. Não é narrador externo, nem participante: trata-se, afinal, de uma mistura entre os dois. É um narrador que transita entre a consciência do protagonista e a terceira pessoa. Isso dá ainda mais margem à divagação. O narrador só é claro durante um breve período do texto, quando o médico assume a narração. Mas esse lapso logo é cortado, para que a narração siga como era inicialmente, até o fim do texto. Essa narrativa permite que o narrador utilize um vocabulário altamente preciso, que dificilmente seria dominado pelo protagonista, e que não faça divagações além do que a inteligência de K seria capaz.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%; text-align: justify;"&gt;No final, só me senti atordoado. E não soube dizer, afinal, que papel coube a Michael K com base na epígrafe do livro: "War is the father of all and king of all./ &lt;span style="" lang="EN-US"&gt;Some he shows as gods, others as men./ Some he makes slaves, and others free". &lt;/span&gt;Dependendo do ponto de vista, Michael K poderia ser deus ou homem, escravo ou homem livre. Cabe a cada um criar sua própria interpretação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5399296980768878905?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5399296980768878905/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5399296980768878905' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5399296980768878905'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5399296980768878905'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/01/vida-e-poca-de-michael-k-life-and-times.html' title='Vida e época de Michael K (Life and Times of Michael K), de J. M. Coetzee'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3264351128255979192</id><published>2008-01-11T17:17:00.000-02:00</published><updated>2008-01-11T17:20:52.067-02:00</updated><title type='text'>De corpo e alma</title><content type='html'>Costelas espaçadas&lt;br /&gt;Hélix curvada&lt;br /&gt;Amputada enxertada&lt;br /&gt;Será colocada&lt;br /&gt;Prótese mini-texturizada&lt;br /&gt;Jamais será rejeitada&lt;br /&gt;Sua anatomia facilita a cirurgia&lt;br /&gt;Deus te criou para intervenções&lt;br /&gt;Em todas as regiões&lt;br /&gt;À sua imagem e semelhança&lt;br /&gt;Não consigo sair desse corpo&lt;br /&gt;Não te pertence&lt;br /&gt;A alma aprisionada&lt;br /&gt;Merece músculos tonificados&lt;br /&gt;Hoje se quer se parece&lt;br /&gt;Eu pareço melhor que&lt;br /&gt;O próximo me apóia me disse&lt;br /&gt;Agora mais um corte&lt;br /&gt;No meu pós-moderno&lt;br /&gt;Culote.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3264351128255979192?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3264351128255979192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3264351128255979192' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3264351128255979192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3264351128255979192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2008/01/de-corpo-e-alma.html' title='De corpo e alma'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-2662930329252547130</id><published>2007-12-12T02:22:00.001-02:00</published><updated>2011-03-18T17:44:37.905-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Nostálgicas'/><title type='text'>Noturno n.º 9</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            As grades da varanda, onde se passava após subir uma íngreme rampa, que dificultava a entrada dos carros. Meu pai e sua mania de sempre ter Monza, e que me fazia pensar que o Monza era o melhor carro do mundo, e Chevrolet, a melhor marca. O asfalto da frente, o terreno baldio ao lado, onde inventávamos guerras com mamonas, onde imaginávamos um campo de futebol só pra gente, mas nunca concretizado. O terreno baldio era meu esconderijo secreto, mesmo estando à vista de todos. Eu me escondia dentro de um semi-arruinado suporte para caixas d’água, e lá me sentia um coronel de meu próprio mundo. Eu ruminava amores secretos, eu sonhava o dia em que seria o mais forte e o mais belo, quando meus amores platônicos se declarassem delicadamente a mim, e meus amigos reconhecessem que, afinal, eu teria algum valor.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            O muro era alto do lado da minha casa, e baixo do lado daquele lote vago, e eu o pulava dos dois lados. Encontrávamos insetos, bichos, até cobra já vimos, e eu morria de medo de cobra, mas me recusava a arredar o pé daquele espaço, o meu espaço. Perto de lá, os prédios públicos, tão parte de minha vida mínima. Do lado oposto, uma rinha de briga de galos, que insistia em ficar ali, e que recebeu minha visita mais de uma vez. Aquele cheiro de granja, aquelas marcas de sangue, e as pessoas, suadas, gritando, animadas. Meu pai dizia que era errado, e que tinha de fechar aquilo. Então, eu achava que era errado, só era curioso.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            As idas ao clube, os primeiros “melhor amigo”, as conversas ao meio-fio, até anoitecer. As histórias de perdas de virgindade, com meninas mais velhas. O meu sonho de perder e ganhar nova vida com aquelas que conhecia, da minha idade, que namoravam os mais velhos. A inveja dos meninos mais velhos, a ânsia de ser logo mais velho e alto e forte. A recusa em ser adulto, triste, usar calça ou, pior, terno. A idéia de que o mundo inteiro se resumia àquela cidade onde eu morava e que, portanto, eu não precisava sair de lá. Mas meu pai mudava, coisas de trabalho, a vida vai ser melhor, você vai ver. Eu não gostava de trabalho, nem de escola, que era, para mim, uma preparação para o pior. E não gostava de que meu pai fosse aquele que me fizesse ser “filho do juiz”, e torcia para que houvesse muitos juizes logo nesse mundo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            Jogar bola todo dia, dibrar todo mundo antes de chegar no gol, sem ninguém estrovando. Brigar de vez em quando, e ver o tremor imenso que vem depois, batendo ou apanhando. A vontade de ser menino, a vontade de entender o mundo das meninas e adivinhar o que pensam. Como será beijar aquela que eu adoro e nem imagina. Gostar de alguém só depois de todo mundo dizer que você gosta, e você inventa de gostar, morre de gostar, e começa a espalhar por aí que gosta. Os nomes estranhos. Meu nome estranho, sem xará na escola. Sem amigos com pais com idéias parecidas com as do meu pai. Lula vai roubar sua casa, ele vai colocar 10 pobres na sua, você vai ficar sem quarto. Piano é coisa de viado, já te disse. Ninguém gosta de ler, é chato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            Mas as revistas de cinema lá, após inúmeras revistas &lt;st1:personname productid="em quadrinhos. A" st="on"&gt;em quadrinhos. A&lt;/st1:personname&gt; primeira masturbação, achar aquilo estranho, ter medo, conversar com o pai, ele rir e dizer que todo mundo fazia, até o tio Ítalo, e que depois, sem dizer porquê, um dia, pára. Não era errado. Meu pai dizia masturbação, mas nas quadras de futebol, todo mundo batendo punheta pra lá e pra cá. Eu não xingava, não xingava quase nada. Era feio, mas ninguém gostava das idéias dos meus pais, e eu já estava era me desligando de muitas delas. Todo mundo entende nós vai, não precisa dizer vamos. Cara de decepção e raiva na mesa do almoço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            Coleção “para gostar de ler”, para meu filho, pelo amor de deus, gostar. Phantom System e Nintendo. Futebol. Pizzaria Gota de Mel. Bicicleta. Festas com refrigerante e salgados. Para sair, dinheiro somente para um refrigerante e um salgado. Edjane, Chadia e nomes diferentes. Todo mundo chamava Juliana, Mariana, Rodrigo e Pedro. Não entendia meu nome, veio da parte errada da Bíblia, veio na época errada para nomes. Não queria ter nome com “A”, pois vinha primeiro na chamada. Seria bom, talvez, Marcos, quem sabe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 100%;"&gt;            Eu me lembro tendo aulas caseiras de teoria musical. Comprarem uma flauta doce para mim, fácil de tocar. Eu tocar umas musiquinhas que pareciam exercícios, e querer tocar mais. Quero tocar como minha tia, umas músicas difíceis. Daí, toco parte de Noturno n.º 9, do Chopin. Eu gostava de Beethoven e Chopin, além das músicas que tocavam nas boates que eu não conhecia e não poderia ir. Eu toco o Noturno n.º 9, só um pedaço, e penso que as coisas estão melhorando. Eu penso que já tinha um melhor amigo, que eu era apaixonado pela menina que diziam que era apaixonada pelo filho do juiz com cara de índio, que alguns me escolhiam antes na seleção dos times, que tinha vergonha de a professora dizer que eu era bom aluno mas gostava. Eu pensava que o Noturno n.º 9 resumia tudo, aquele pedaço, bastando alternar posições nos dedos e soprar como era devido. Ele estava esperando eu descobri-lo.  Foi atrás das grades da varanda, a rua com carros e casas e meus pais, tudo à vista, com a coleção de livros e discos em capa branca. Era aquela minha tristeza e ansiedade, sorriso e contentamento. Esse Noturno segue tocando dentro de mim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-2662930329252547130?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/2662930329252547130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=2662930329252547130' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/2662930329252547130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/2662930329252547130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/12/noturno-n-9.html' title='Noturno n.º 9'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3190117295311726263</id><published>2007-12-04T11:56:00.000-02:00</published><updated>2007-12-12T18:38:51.849-02:00</updated><title type='text'>Cegos, surdo e mudo</title><content type='html'>Tô indo,&lt;br /&gt;Ai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peraí,&lt;br /&gt;ugh!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês,&lt;br /&gt;putz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hein?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3190117295311726263?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3190117295311726263/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3190117295311726263' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3190117295311726263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3190117295311726263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/12/cegos-surdo-e-mudo.html' title='Cegos, surdo e mudo'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7709620805809839334</id><published>2007-12-04T11:44:00.000-02:00</published><updated>2007-12-04T11:54:17.627-02:00</updated><title type='text'>Ócio criativo</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Estou lendo&lt;br /&gt;medianamente.&lt;br /&gt;Novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E toda vez que leio&lt;br /&gt;É sempre a impressão&lt;br /&gt;de que meu texto,&lt;br /&gt;não sei a que veio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamento que,&lt;br /&gt;levianamente,&lt;br /&gt;não mente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que escrevo, sei,&lt;br /&gt;é besteira.&lt;br /&gt;Coisas sem eira&lt;br /&gt;nem beira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7709620805809839334?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7709620805809839334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7709620805809839334' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7709620805809839334'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7709620805809839334'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/12/cio-criativo.html' title='Ócio criativo'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-6859154665535797949</id><published>2007-11-08T18:03:00.000-02:00</published><updated>2007-11-08T18:06:43.933-02:00</updated><title type='text'>Invisível</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Eu sou o vento, não tenho rumo definido: meu destino é lugar nenhum. A liberdade é transparente. Sinto o corpo das pessoas em quem toco, e algo delas fica &lt;st1:personname productid="em mim. Você" st="on"&gt;em mim. Você&lt;/st1:personname&gt; não me olha e, se olhasse, não me veria. No entanto, eu participo das brisas e das tempestades da sua vida. Eu corro e me entranho nos seus recônditos mais secretos, eu imagino o que se passa dentro de você. Depois, vou embora. Eu chego ao Rio de Janeiro, passo a Santiago, parto a Genebra. Eu vou a praias, a cordilheiras, a campos. Eu sou frio, eu sou quente. Percebo tudo, e fico tem-po-ra-ria-men-te. Paro em lugares, para sentir algumas pessoas longamentshshshshsh... E vooooooou... &lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;    &lt;/div&gt;&lt;p style="text-align: justify;" class="MsoNormal"&gt;Deixo nelas um sentimento, uma sensação, um pensamento. Elas sentem que ganharam algo. Algo há de carnal no vento, há algo sensual &lt;st1:personname productid="em mim. O" st="on"&gt;em mim. O&lt;/st1:personname&gt; vento é o sexo que você tem ao passear pela rua. Eu arrombo a porta da sua casa. Algumas vezes, eu sinto vontade de voltar para você, e volto. Eu sou o vento. Pense em mim quando seu cabelo oscilar, quando sua pele tremer, quando seu pelo eriçar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-6859154665535797949?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/6859154665535797949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=6859154665535797949' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6859154665535797949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/6859154665535797949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/11/invisvel.html' title='Invisível'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-8496105683419781566</id><published>2007-10-24T02:14:00.001-02:00</published><updated>2011-03-18T17:45:25.736-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônicas'/><title type='text'>Viagens, Alain de Botton, Paloma, Fernando Pessoa</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Amanhã, começo uma viagem relativamente longa. Vou ver paisagens que nunca vi antes, fazer coisas que nunca antes havia feito, falar outras línguas, falar português, vou cantar, ficar silencioso em alguns caminhos. Vou me sentir tímido, vou me jogar em situações, misturar-me ao todo. Durante viagens, é assim. A gente aprende mais, lê mais (no meu caso), diverte-se mais. Enfim, é impressionante a viagem. Estou lendo, agora, um livro de Alain de Botton, em inglês, The Art of Travel, que fala coisas interessantíssimas, e que merece ser lido. Agora, depois de conversar com a Paloma, que pensa outras coisas interessantíssimas, posto aqui um poema a que sempre retorno, de um poeta a que sempre todos retornam: Fernando Pessoa. Quem não leu Fernando Pessoa está tendo defeito de formação, ainda mais porque ele se contradiz o tempo todo, e a formação precisa de contradições, negações, paradoxos. E, nesse tempo de tantas dúvidas, é melhor ter orgulho de nossos erros do que viver em culpa. Enfim, Lisbon Revisited.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Não: não quero nada.&lt;br /&gt;Já disse que não quero nada.&lt;br /&gt;Não me venham com conclusões!&lt;br /&gt;A única conclusão é morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me tragam estéticas!&lt;br /&gt;Não me falem em moral!&lt;br /&gt;Tirem-me daqui a metafisica!&lt;br /&gt;Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) ¬&lt;br /&gt;Das ciências, das artes, da civilização moderna!&lt;br /&gt;Que mal fiz eu aos deuses todos?&lt;br /&gt;Se têm a verdade, guardem-na!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.&lt;br /&gt;Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.&lt;br /&gt;Com todo o direito a sê-lo, ouviram?&lt;br /&gt;Não me macem, por amor de Deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?&lt;br /&gt;Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?&lt;br /&gt;Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.&lt;br /&gt;Assim, como sou, tenham paciência!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vão para o diabo sem mim,&lt;br /&gt;Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!&lt;br /&gt;Para que havemos de ir juntos?&lt;br /&gt;Não me peguem no braço!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.&lt;br /&gt;Já disse que sou sozinho!&lt;br /&gt;Ah, que maçada quererem que eu seja de companhia!&lt;br /&gt;Ó céu azul o mesmo da minha infância¬,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eterna verdade vazia e perfeita!&lt;br /&gt;Ó macio Tejo ancestral e mudo,&lt;br /&gt;Pequena verdade onde o céu se reflete!&lt;br /&gt;Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.&lt;br /&gt;Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo …&lt;br /&gt;E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio, quero estar sozinho!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-8496105683419781566?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/8496105683419781566/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=8496105683419781566' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8496105683419781566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8496105683419781566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/10/viagens-alain-de-botton-paloma-fernando.html' title='Viagens, Alain de Botton, Paloma, Fernando Pessoa'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-4011085500467180611</id><published>2007-10-05T13:33:00.000-03:00</published><updated>2007-10-05T13:34:28.380-03:00</updated><title type='text'>Pé rachado</title><content type='html'>O meu pai era goiano&lt;br /&gt;Meu avô, também goiano&lt;br /&gt;O meu bisavô, goiano&lt;br /&gt;Meu tataravô, goiano&lt;br /&gt;Meu maestro soberano&lt;br /&gt;é - entrego - outro goiano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-4011085500467180611?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/4011085500467180611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=4011085500467180611' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4011085500467180611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4011085500467180611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/10/p-rachado.html' title='Pé rachado'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1226070587364066710</id><published>2007-09-26T16:02:00.002-03:00</published><updated>2008-12-01T20:39:34.691-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Súbito</title><content type='html'>É um dia.&lt;br /&gt;Melhor: é um momento.&lt;br /&gt;A fantasia&lt;br /&gt;(num momento!)&lt;br /&gt;expira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, aí,&lt;br /&gt;(nesse exato momento)&lt;br /&gt;é livre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1226070587364066710?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1226070587364066710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1226070587364066710' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1226070587364066710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1226070587364066710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/09/sbito.html' title='Súbito'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1262490674130786526</id><published>2007-09-19T01:56:00.000-03:00</published><updated>2007-09-19T02:00:53.498-03:00</updated><title type='text'>Preconceito de classe média</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Este texto foi escrito em maio de 2006. Após receber um e-mail absurdo, com todos estes preconceitos típicos da classe média contra os pobres, me explodi nessas palavras. Mas nada disso mudou. Aliás, parece que piora. Aparentemente, a classe média simplesmente nem quer mais ver os pobres. Ao vê-los pedindo dinheiro no trânsito, ou em seus carros velhos, ou em lugares públicos que inevitavelmente vão, o brasileiro mais abastado pensa: "que chato". Por isso, vai aqui um outro texto chato:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos que você nasça num barraco, com pai desconhecido e mãe adolescente, na periferia de uma grande cidade. Suponhamos que você consiga sobreviver, de alguma maneira, apesar das milhões de doenças que causam o ainda alto índice de mortalidade infantil do Brasil. Suponhamos, então, que você não possa estudar, porque tem de ajudar a família a catar lixo para vender para reciclagem. Suponhamos que, milagrosamente, você não seja cooptado pelo tráfico nem consuma drogas. Suponhamos que sua família perca o barraco numa ação judicial a favor dos verdadeiros proprietários da terra, que a compraram anos antes. Suponhamos que façam uma fábrica lá. Você não consegue trabalhar na fábrica, porque não tem educação formal. Suponhamos que sua mãe morra cedo. Suponhamos que você vá pra debaixo da ponte e morra assassinado. Suponhamos que ninguém note, não saia nos jornais, porque ninguém liga para morte de pobre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suponhamos, agora, que você nasça num bairro de classe média. Que seus pais tenham condições de te sustentar para você não precisar trabalhar. Suponhamos que, então, você passe numa universidade pública gratuita, paga por impostos de todos. Ou não passe e pague caro por uma particular. Suponhamos que continue sem trabalhar, porque não precisa, e continue estudando. Depois de anos, suponhamos que consiga um emprego bom e forneça o mesmo padrão de vida a seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, suponhamos que as pessoas da situação 2 culpem as pessoas da situação 1, a grande maioria da população, por sua miséria. E que digam, inclusive, que eles não têm nada porque não trabalham. Suponhamos que as pessoas da situação 2 achem que as pessoas da situação 1 sejam aproveitadores que pretendem roubar o fruto de seu suado trabalho. Imagine que porcaria de país seria esse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-vindo ao Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1262490674130786526?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1262490674130786526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1262490674130786526' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1262490674130786526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1262490674130786526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/09/preconceito-de-classe-mdia.html' title='Preconceito de classe média'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7111490118554043408</id><published>2007-09-04T17:41:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T17:49:49.314-03:00</updated><title type='text'>Eu é você</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Não vou negar o amor que tenho (tive). Pois negar o amor que tenho (tive) seria negar a própria vida. Eu nunca iria negar a mim mesmo, mas numa tristeza profunda em que mergulhei, perdi os sentidos, a respiração tornou-se difícil, a visão nas águas turvas, limitada, e meus demais sentidos ficaram embotados. No jazigo (cama) em que estava, havia só escuridão, e as lágrimas dificultavam mesmo a visão do breu em que eu nunca soube estar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Numa idealização profunda da outra, que ainda mantenho (sumiu), foi difícil entrever o que havia (há) de humano em nós. Mas o amor, ele nos mudou, e nos abraçou, a nós, que pensávamos abraçar somente um ao outro. E era esse nosso amor ao nosso amor que nos fez ver uma vida diversa, que imaginávamos jamais possível. E foi nessa aventura que eu, afinal, me tornei algo que jamais pensara ser. Por causa de você, das fantasias que você me vestiu, e que eu tanto procurei merecê-las. Algumas daquelas fantasias ficaram. Outras, muitas outras, não couberam no limitado demasiado humano que eu era (sou). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;No momento em que nos descobrimos nus, nus para além do momento do êxtase e dos nossos corpos mesclados e cansados, era como se o mundo inteiro estivesse apontando aquela frágil exposta nudez. Nossas fantasias foram sub-repticiamente retiradas num momento em que eu não esperava. E foi então que as lágrimas dificultaram mesmo a visão do breu em que eu nunca soubera estar. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas a você agradeço, por ter recebido e me dado tanto amor. Um amor que moveu mais a vida do que quaisquer outros sentimentos que passaram por mim nesses tantos anos. Eu agradeço a você por me dar o que eu sou e o mundo que tenho. E agradeço a você, também, porque, ainda (não mais) te amando, quero ainda vestir as mais inefáveis fantasias que experimentei até pouco antes de você ir-se para sempre. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não vou negar o amor que tenho (tive). Pois negar o amor que tenho (tive) por você, seria negar que eu sou eu. Eu é você. E o que há de mudança em mim, inclusive nos meus tantos esforços para mudar o meu jeito de amar de ver de sentir, é ainda vestígio do amor que permaneceu (acabou) e que lhe busca nos mais longínquos espaços, longe dos meus olhos e da minha idéia, mas jamais longe do coração. E é isso que me resta (restou).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7111490118554043408?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7111490118554043408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7111490118554043408' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7111490118554043408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7111490118554043408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/09/eu-voc.html' title='Eu é você'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3873106679016258766</id><published>2007-09-04T00:22:00.000-03:00</published><updated>2007-09-04T00:28:55.304-03:00</updated><title type='text'>Mont Sion</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Estava num bar, ouvindo a Karen, e súbito tive uma revelação. É preciso ouvir a Karen com atenção, pois a fala kareniana é complexa. Ela diz que não acredita numa história de um pescador, e defende-a contra todos os ataques boêmios que contra ela se levantam. Ela diz sempre que não é ongueira, e fala a favor das ONGs que menciona, e outras que não conhece. É preciso compreender a Karen, e eu sou lento para entender as pessoas, ainda mais a Karen.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Pois bem, a Karen estava falando de um tempo em que estava abalada. E como ando ouvindo tanto falar de etimologia como verdade, comecei a pensar na origem da palavra, e foi quando surgiu a revelação: a, do grego, significa negação, ausência; balada, do francês ballade, deu origem ao termo que designa os seres humanos se jogando incessantemente em festas, orgias, esbórnias, sempre com muita música dançante. Abalada é pessoa sem balada. E não há como não pensar assim. Viu que é preciso muita perspicácia com a Karen.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;A Karen, tadinha, ficou um tempo sem balada. Mas esse tempo já passou. Eu estava num bar, ouvindo a Karen. A Karen anda numa balada sem fim. A Karen, para falar bem a verdade, está hiper-badalada.&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3873106679016258766?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3873106679016258766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3873106679016258766' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3873106679016258766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3873106679016258766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/09/mont-sion.html' title='Mont Sion'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5228943149516851134</id><published>2007-08-26T14:50:00.000-03:00</published><updated>2007-08-26T14:52:13.618-03:00</updated><title type='text'>Cabaret Kalesa</title><content type='html'>Início da festa,&lt;br /&gt;eu pergunto:&lt;br /&gt;Você tem fogo?&lt;br /&gt;Ela responde:&lt;br /&gt;Lógico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meio da festa,&lt;br /&gt;ela passa:&lt;br /&gt;Você ainda tem fogo?&lt;br /&gt;Ela me olha:&lt;br /&gt;Sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é carioca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5228943149516851134?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5228943149516851134/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5228943149516851134' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5228943149516851134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5228943149516851134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/08/cabaret-kalesa.html' title='Cabaret Kalesa'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-4700648139347198597</id><published>2007-07-27T22:42:00.000-03:00</published><updated>2007-07-27T22:43:35.925-03:00</updated><title type='text'>Mais citações</title><content type='html'>&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;" lang="EN-US"&gt;Citação a propósito de uma conversa que tive com uma pessoa muito legal:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"We all want to be told stories, and we listen to them in the same way we did when we were young. We imagine the real story inside the words, and to do this we substitute ourselves for the person in the story, pretending that we can understand him because we understand ourselves. This is a deception. We exist for ourselves, perhaps, and at times we even have a glimmer of who we are, but in the end we can never be sure, and as our lives go on, we become more and more aware of our own incoherence. No one can cross the boundary into another – for the simple reason that no one can gain access to himself".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Paul Auster, em "The New York Trilogy")&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-4700648139347198597?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/4700648139347198597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=4700648139347198597' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4700648139347198597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/4700648139347198597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/07/mais-citaes.html' title='Mais citações'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1432206809439311330</id><published>2007-07-27T21:55:00.003-03:00</published><updated>2008-12-01T20:37:27.675-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Viagens'/><title type='text'>Numa noite parisiense...</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:times new roman,times,serif;font-size:100%;"  &gt;Eu estava em Paris, em fevereiro deste ano, num quarto de hotel, com preguiça de sair, com ressaca. E é nesses momentos em que eu sinto como a poesia é importante na minha vida. Eu, como sempre, já havia gastado todo o dinheiro que não tinha em livros, e um deles era uma antologia de poemas franceses do século XX. Quando li esse poema do Blaise Cendrars, naquela noite, não sei bem a razão, chorei. Eu achei maravilhoso. Logo depois, gastei mais do meu limite do crédito do banco com sua obra completa. Eu realmente o recomendo. Simplesmente maravilhoso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quand tu aimes il faut partir&lt;br /&gt;Quitte ta femme quitte ton enfant&lt;br /&gt;Quitte ton ami quitte ton amie&lt;br /&gt;Quitte ton amante quitte ton amant&lt;br /&gt;Quand tu aimes il faut partir&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le monde est plein de nègres et de négresses&lt;br /&gt;Des femmes des hommes des hommes des femmes&lt;br /&gt;Regarde les beaux magasins&lt;br /&gt;Ce fiacre cet homme cette femme ce fiacre&lt;br /&gt;Et toutes les belles marchandises&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II y a l'air il y a le vent&lt;br /&gt;Les montagnes l'eau le ciel la terre&lt;br /&gt;Les enfants les animaux&lt;br /&gt;Les plantes et le charbon de terre&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apprends à vendre à acheter à revendre&lt;br /&gt;Donne prends donne prends&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quand tu aimes il faut savoir&lt;br /&gt;Chanter courir manger boire&lt;br /&gt;Siffler&lt;br /&gt;Et apprendre à travailler&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quand tu aimes il faut partir&lt;br /&gt;Ne larmoie pas en souriant&lt;br /&gt;Ne te niche pas entre deux seins&lt;br /&gt;Respire marche pars va-t'en&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je prends mon bain et je regarde&lt;br /&gt;Je vois la bouche que je connais&lt;br /&gt;La main la jambe l'œil&lt;br /&gt;Je prends mon bain et je regarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le monde entier est toujours là&lt;br /&gt;La vie pleine de choses surprenantes&lt;br /&gt;Je sors de la pharmacie&lt;br /&gt;Je descends juste de la bascule&lt;br /&gt;Je pèse mes 80 kilos&lt;br /&gt;Je t'aime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Blaise Cendrars)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1432206809439311330?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1432206809439311330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1432206809439311330' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1432206809439311330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1432206809439311330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/07/quand-tu-aimes-il-faut-partir-quitte-ta.html' title='Numa noite parisiense...'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-1138303136825097411</id><published>2007-07-23T04:51:00.000-03:00</published><updated>2007-07-23T13:20:31.580-03:00</updated><title type='text'>"Minha filhinha querida,</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Você foi de um egoísmo monstruoso. Acho que é em parte culpa minha que você tenha se tornado o que é. Gostaria de não te amar, mas, das duas filhas que nós tivemos, sua mãe e eu, você era a mais linda. E você precisava me seduzir. E eu preciso ser seduzido. Eu estava muito só, sua mãe vivia no hospital, e isso facilitou as coisas pra você. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Amei você loucamente todos esses anos. Sua irmã se fechou e, você, você desabrochou. Cada dia mais agressiva, mais insolente, acre, fria, superficial. Mas não pude evitar de amar você. Agora, sinto um ódio por você que não some nem estando meu corpo &lt;st1:personname productid="em frangalhos. Eu" st="on"&gt;em frangalhos. Eu&lt;/st1:PersonName&gt; fervo de ódio, diante de sua rebelião cruel. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Sou culpado, pois fui eu que tornei minha filhinha arrogante. Eu realmente amei o seu orgulho. Como a coalhada, sua arrogância virou uma vaidade azeda. Seu orgulho tornou-se uma afetação estúpida. Hoje, você é uma pessoa amarga. É mesmo minha filha. Por trás do seu riso seco, acha que não vejo como se diverte? Diverte-se, porque o orgulho te enfraquece, mas sua amargura lhe dá uma força terrível. Você era toda submissa. Até que descobri, por trás de sua submissão, uma vontade e uma inveja que me encheram de terror. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Tenho medo de você. Odeio você, minha filhinha. Estou morrendo, e acho injusto que eu morra e que você viva. Queria que você tivesse o meu câncer, que sofresse. Ter tempo de perdoar você após a sua morte. Então, morro cheio de ódio. Não suporto que você sobreviva a mim. Eu queria que você morresse no meu lugar, e isso não é possível.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Ma petite fille cherie,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Tu étais d’un egoïsme monstrueux. Je pense que c’était un peu de ma faute si tu es devenue ce que tu es. Je voudrais ne pas t’aimer. Mais des deux filles que nous avons eues, ta mère et moi, tu étais la plus jolie. Et tu avais besoin de me séduire. Et j’ai besoin d’être séduit. J’étais très seul, ta mère était souvent à l’hôpital, et cela t’est rendu la partie facile. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Je t’ai follement aimé, toutes ces années. Ta soeur s’est renfermé, et toi, tu t’es epanouie. Chaque jour plus agressive, plus insolente, âcre, froide, superficiel. Mais je n’ai pu m’empêcher de te chérir. Maintenant, j’ai une colère contre toi que je n’arrive pas à arrêter alor que mon corps est devasté. Je brûle de colére, en avant ta rébellion mauvaise. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Je suis coupable, parce que c’est moi qui a poussé ma petite fille à ètre fière. J’avais tellement aimé ton orgueil. Comme le caillé, ta fierté a tourné une vanité aigre. Ton orgueil est devenu une coqueterie stupide. Aujourd’hui, tu es une autre d’une amertume, mon enfant, comme moi. Tu es bien ma fille. Derriére ton rire sec, crois-tu que je n’entends pas comme tu jouis? Tu jouis parce que l’orgueil t’enfaible mais ta amertume te donne une force terrible. Toi, tu étais toute soumise. Mais que je decouvre, derrière ta soumission, une volonté et une envie qui me plonge dans la terreur. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;Je te crains. Je te hais, ma petite fille. Je suis en train de mourir et j’estime injuste que je meure et que, toi, tu vives. Je voudrais que tu aie mon cancer et que tu soufres. Avoir du temps pour te pardonner après ta mort. Alors, je meurs dans la colère. Je ne supporte pas que tu me survives. Je voudrais que tu meures en ma place, et ce n’est pas possible.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="" lang="FR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;(do filme « Reis e Rainhas », de Arnaud Desplechin)&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-1138303136825097411?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/1138303136825097411/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=1138303136825097411' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1138303136825097411'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/1138303136825097411'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/07/minha-filhinha-querida.html' title='&quot;Minha filhinha querida,'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-7321704484268696719</id><published>2007-07-10T17:04:00.000-03:00</published><updated>2007-07-10T17:11:38.124-03:00</updated><title type='text'>A propósito de meu aniversário. A propósito do livro que estou lendo no meu aniversário.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O. to A. in conversation, describing what it felt like to have become an old man. O., now in his seventies, his memory failing, his face as wrinkled as a half-closed palm. Looking at A. and shaking his head with deadpan wit: "What a strange thing to happen to a little boy."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yes, it is possible that we do not grow up, that even as we grow old, we remain the children we always were. We remember ourselves as we were then, and we feel ourselves to be the same. We made ourselves into what we are now then, and we remain what we were, in spite of the years. We do not change for ourselves. Time makes us grow old, but we do not change.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;(Paul Auster, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The invention of solitude, &lt;/span&gt;p. 145).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-7321704484268696719?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/7321704484268696719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=7321704484268696719' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7321704484268696719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/7321704484268696719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/07/propsito-de-meu-aniversrio-propsito-do.html' title='A propósito de meu aniversário. A propósito do livro que estou lendo no meu aniversário.'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-3629108503067399287</id><published>2007-07-09T15:28:00.002-03:00</published><updated>2011-03-18T18:27:57.321-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><title type='text'>Identidade na obra de Bernardo Carvalho</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;O presente artigo busca analisar a questão da identidade na obra do escritor brasileiro contemporâneo Bernardo Carvalho. Para efeitos de síntese, centrar-se-á a análise às quatro obras de maior repercussão junto à crítica literária: &lt;i&gt;Teatro, Nove Noites, Mongólia &lt;/i&gt;e &lt;i&gt;O Sol se Põe em São Paulo&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn1" name="_ftnref1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/i&gt;Serão estudados três aspectos relacionados à formação da identidade: produção do espaço, sexualidade e nome. Observar-se-á que o estilo do autor, ao colocar em questão o dualismo ficção/história, discute identidade sob a ótica dita pós-moderna, por meio da desconstrução de oposições típicas do pensamento racional, similar ao procedimento de Jacques Derrida, na filosofia.  &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            A questão da identidade nacional deixou de ser o centro de debate pelos literatos, desde a década de 1960. O pós-modernismo colocou em questão a própria noção de identidade, e enfatizou sua faceta normativa (em detrimento da puramente interpretativa) como um dos totalitarismos dos discursos. No entanto, o paradoxo criado foi que a discussão sobre a pertinência do conceito de identidade levou a discussão ainda mais intensa sobre o conceito&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn2" name="_ftnref2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Os romances de Bernardo Carvalho, especialmente os últimos, funcionam muitas vezes como alegorias para a colocação de questões discutidas por autores contemporâneos. E uma dessas questões é a (possibilidade de) identidade. Nas tramas do autor, os personagens possuem uma posição muito questionável, frágil. Essa fragilidade advém de diversos aspectos indefinidos, que são relacionados diretamente à formação da identidade. Pretende-se trabalhar a identidade em relação a três aspectos relacionados à formação da identidade: o espaço, a sexualidade e o nome.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            A estabilidade em termos de &lt;b&gt;espaço&lt;/b&gt;, a noção de que se tem um lugar, é simbolizada pelo lar. Segundo Doreen Massey&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn3" name="_ftnref3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, o lugar a que se chama de “lar” é um refúgio que provê tanto a estabilidade espacial, uma estrutura geográfica ou arquitetônica fixa para a qual se pode sempre retornar, assim como uma fonte de identidade que não pode ser contestada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Essa estabilidade espacial não existe para a maioria dos personagens de Carvalho. Embora se possa dizer que a instabilidade, o estranhamento do lugar, no Brasil, foi trabalhada pela literatura sobre migrantes (especialmente o nordestino), na obra em questão há uma radicalização do movimento e uma problematização maior da questão da possibilidade de um lar. Em &lt;i&gt;Teatro, &lt;/i&gt;nas duas histórias paralelas que dialogam, se confrontam e se desmentem, os protagonistas saíram de seu país de origem, pobre, para aventurar-se no país “dos sãos”, após uma árdua caminhada para atravessar a fronteira clandestinamente. E há também o caminho de volta, sendo realizado pelo que cruzou a fronteira ou pelo filho daqueles que emigraram. A alusão aos imigrantes latinos nos Estados Unidos é evidente. &lt;st1:personname productid="Em Nove Noites" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;Nove  Noites&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;a história se passa no Brasil e nos Estados Unidos, mas a parte que se passa no Brasil tem como protagonista um norte-americano, Buell Quain, antropólogo que veio ao Brasil para estudar os índios krahô no Xingu e que, sem razão aparente, suicida-se de maneira brutal. O narrador é um jornalista que busca, décadas depois, a explicação para o suicídio do antropólogo, que percorre seu caminho e acaba indo também aos Estados Unidos em busca de mais evidências em sua investigação. Em &lt;i&gt;Mongólia, &lt;/i&gt;dos três narradores da história, dois são diplomatas brasileiros, sendo um deles um velho diplomata removido para a China, que envia um inferior hierárquico, o segundo narrador, para a Mongólia, com a missão de encontrar um fotógrafo (o terceiro narrador), também brasileiro e filho de influente empresário, que desapareceu nesse país. &lt;st1:personname productid="Em O Sol" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;O Sol&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt; se Põe &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:personname&gt;, &lt;/i&gt;o narrador, brasileiro filho de imigrantes japoneses, resolve escrever a história de uma imigrante japones; para descobrir toda a história, acaba indo ao Japão, relutantemente. Este último romance é todo preenchido por pessoas cuja história não se dá inteiramente nem no Japão, nem no Brasil, mas na passagem entre os dois.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Os personagens, portanto, não migram dentro do espaço nacional, que definiria a mais discutida das identidades: a nacional. Eles transitam entre países, quase nunca estão dentro daquele território que poderia defini-los como parte de um todo cultural. Há um estranhamento, uma barreira evidente à comunicação e ao entendimento (sendo a língua o aspecto mais evidente), que leva à sensação de se estar fora do lugar. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyTextIndent"&gt;O mero movimento, no entanto, não implicaria a eliminação do lar, de um lugar para onde se poderia voltar: um brasileiro poderia definir-se como brasileiro sempre que estivesse fora do país. E eis a radicalização da problemática da formação da identidade na obra analisada: a maioria dos personagens vive em transição, não possuem um lugar exato para onde podem voltar, ou que podem definir como “de onde sou”. Quanto mais transitam, mais a noção de lar é colocada em questão: a falta de estabilidade impossibilidade a fixidez do lar. Nesse aspecto, duas figuras trabalhadas pelo autor são exemplares nesse quesito: o migrante e o diplomata. A identidade espacial, nos dois casos, é claramente problemática.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            O &lt;b&gt;migrante internacional&lt;/b&gt; é aquele que, mesmo que se movimente contra suas expectativas iniciais, resolve abandonar o seu lugar de origem e começar a vida em outro lugar. Eis a diferença dele para o viajante ou o turista: a adoção de um novo referencial, nacional e cultural, em termos definitivos. O migrante não é considerado, nem por si nem pelo outro, nem nacional de seu país, que abandonou, nem nacional do país que habita. O migrante é aquele que habita o entre-lugar, tal como trabalhado por Homi K. Bhaba, é aquele que se encontra na passagem, no não-lugar&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn4" name="_ftnref4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. A situação chega ao limite no caso do migrante de segunda geração. Na obra de Carvalho, ele continua a ser tratado como imigrante pelo outro e não pensa possuir um referencial absoluto no país onde nasceu: é estrangeiro. Por outro lado, o referencial que poderia adotar, de seus ascendentes, sequer é por ele conhecido. O migrante de segunda geração é o nacional-estrangeiro, aquele cujo referencial não é legitimado. Por isso, ressente de seu passado imaginado, na figura de seus ascendentes e de sua origem, e com o país onde nasceu, por ser por ele rejeitado, ou não totalmente acolhido.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            O &lt;b&gt;diplomata&lt;/b&gt; é outra figura sem referencial espacial claro. Embora o diplomata esteja sempre a serviço do mesmo país, o seu “lar”, e até o represente, sua vida é marcada pelo nomadismo. O diplomata sequer vive num mesmo país, ou procura adotar um referencial como definitivo, como faz o migrante. O diplomata é aquele que veio de outro lugar, e que está indo para outro. Seu espaço é a própria transição entre espaços, é a passagem, a travessia.  Bernardo Carvalho, em &lt;i&gt;Mongólia, &lt;/i&gt;menciona que, “num país de nômades, por definição, as pessoas nunca estão no mesmo lugar. Mudam conforme as estações. Os lugares são as pessoas. Você não está procurando um lugar. Está procurando uma pessoa. Pois é atrás dela que estou indo”&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn5" name="_ftnref5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. O referencial espacial do diplomata é muito frágil, pois o lugar que representa não é aquele que habita e, ao mesmo tempo, o lugar que habita jamais é definitivo, mas passageiro (uma mera passagem).&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Nos livros analisados, mesmo os personagens que não se definem como migrantes ou diplomatas possuem um referencial espacial muito frágil. O antropólogo norte-americano que vem ao Brasil já se sentia um estrangeiro em seu próprio país, e sua vinda ao Brasil era vista como um meio de fuga do lugar onde não se sentia &lt;st1:personname productid="em casa. O" st="on"&gt;em casa. O&lt;/st1:personname&gt; mesmo é o caso do jornalista que investiga as razões de seu suicídio, para quem o Xingu, que visitava quando pequeno (assim como o próprio Bernardo Carvalho&lt;i&gt;)&lt;/i&gt;, era detestável. O diplomata que parte em busca do fotógrafo, em &lt;i&gt;Mongólia, &lt;/i&gt;é chamado de “Ocidental” pelos mongóis. Porém, sua própria concepção a respeito tanto do Ocidente quanto do Oriente é tão problemática que passamos a nos perguntar sobre a pertinência da classificação. A formação da identidade, em suma, possui relação com a produção do espaço e, no caso daqueles que não possuem um espaço definido, aqueles que habitam o entre-lugar ou o não-lugar, sua identidade é problematizada, é fragilizada, por causa de sua instabilidade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Outro meio de definição de identidade é a &lt;b&gt;sexualidade&lt;/b&gt;. Antes mesmo do nascimento, a primeira pergunta formulada é: “menino ou menina?”. A sexualidade é geralmente definida em termos de oposição: o homem é aquele que não é mulher, e vice-versa. O gênero é aspecto importante na definição de quem uma pessoa é, ou de como ela se diferencia do outro (o sexo oposto): em suma, o gênero é definidor de identidade. A definição de gênero implica a expectativa de certo padrão comportamental. Em outras palavras, o gênero possui também aspecto normativo.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            A frustração das expectativas provocadas pela definição de gênero, na obra de Bernardo Carvalho, ocorre por meio de assunto recorrente em sua obra: a homossexualidade. Em &lt;i&gt;Teatro, &lt;/i&gt;o protagonista da segunda história é astro de filmes pornográficos homossexuais. &lt;st1:personname productid="Em Nove Noites" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;Nove  Noites&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;o antropólogo norte-americano, que é caracterizado como “casado” no início da investigação, tem sua sexualidade colocada cada vez mais em cheque, até o ponto em que, talvez, a própria indefinição quanto à sua sexualidade é uma das causas possíveis de seu suicídio. Em &lt;i&gt;Mongólia, &lt;/i&gt;o fotógrafo desaparecido não possui nome, mas é chamado pelos locais de “Buruu Nomton”, que significa “desajustado”. Em certo momento da narrativa, certa declaração homofóbica deixar entrever a falta de credibilidade dos personagens e, consequentemente, ilumina passagens cuja única evidência era seu testemunho&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn6" name="_ftnref6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;. O nome “Buruu Nomton”, então, passa a ter uma conotação homossexual, mesmo que indiretamente, visto que “desajustado” é alguém que “não segue as regras”. No mesmo livro, são retratadas práticas homossexuais de monges budistas. &lt;st1:personname productid="Em O Sol" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;O Sol&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt; se Põe &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:personname&gt;, &lt;/i&gt;um dos protagonistas da história, que até então fazia o papel de marido traído, começa a exercer o papel oposto, tendo um caso com o ex-amante da esposa, ora desprezada por ambos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            A divisão clássica de gêneros é feita segundo maneira de pensar típica do racionalismo, que contrapõe, em termos absolutos, um gênero a outro. A homossexualidade, ao comprometer a divisão absoluta dos papéis atribuídos ao gênero, segundo a divisão clássica e não-problemática, implica formação de uma identidade que não se baseia no papel antes atribuído. A homossexualidade, e todas as diversas orientações sexuais agora reconhecidas, questiona a identidade baseada nos papéis clássicos atribuídos aos dois gêneros, assim como o “heterossexualismo compulsório” imposto pela antiga sociedade patriarcal.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Ainda que todos os referenciais de identidade individual pudessem ser atacados, restaria sempre o nome. O nome tem função essencial de identidade. O prenome é o que caracteriza a individualidade. O sobrenome indica o grupo familiar ao qual se pertence, a comunidade de sangue. Desde a mitologia grega, dá-se poder especial ao nome: personagens davam seu verdadeiro nome a pessoas em quem confiavam. E não há dúvidas de que a definição gramática, de “nome próprio”, assim como sua figuração em letra maiúscula, indica a importância social do nome dado a uma pessoa. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;O questionamento do &lt;b&gt;nome&lt;/b&gt; é maneira de problematizar a identidade dos personagens. Em &lt;i&gt;Teatro, &lt;/i&gt;ao narrador só é atribuído prenome ao final: Daniel. Seu grande amor chama-se Ana C., e personagens paralelos possuem apenas letras como designação: N. e V. Na segunda história, N. e V. desaparecem, Ana C. é agora um astro de filmes pornográficos homossexuais, e o narrador continua a se chamar Daniel, mas agora outro Daniel, fotógrafo contratado para encontrar Ana C., que está foragido da polícia. Ana C., segundo Daniel da segunda história, é, na verdade, o autor da primeira, após ter fingido sua morte e voltado a seu país de origem. Em &lt;i&gt;Mongólia, &lt;/i&gt;os personagens são chamados por apelidos dados pelos mongóis: não há estabilidade, visto que os nomes mudariam assim que saíssem de lá. Os apelidos dados durante a viagem são provisórios e, portanto, igualmente o é a identidade nominal. &lt;st1:personname productid="Em O Sol" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;O Sol&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt; se Põe &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:personname&gt;, &lt;/i&gt;Setsuko é uma idosa que propõe ao narrador contar a história de sua vida. Porém, em certa parte do livro, descobre-se que ela é, em verdade, a pessoa de quem se dizia amiga, Michiyo: não havia Setsuko alguma. O nome “Setsuko” perde sua denotação, perde seu referencial. Era nome sem dono, identidade criada que evapora-se. Há personagens que assumem novas identidades, novos nomes, para assumir o papel do outro no restante, ou em parte, da vida. Os nomes são distribuídos, portanto, de forma transitória. Os nomes podem desaparecer quando se descobre que a pessoa não existe, ou podem permanecer, mas agora referindo-se a outra pessoa&lt;i&gt;.&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;A função do nome, na literatura de Carvalho, é colocada &lt;st1:personname productid="em jogo. Discute-se" st="on"&gt;em jogo. Discute-se&lt;/st1:personname&gt; o valor e a função referencial da linguagem. Os referenciais dos nomes nem sempre são claros, e a radicalização do processo se dá quando se discute até mesmo o nome próprio, o nome que é dado para discernir um único ser. Os personagens não têm função clara ou identidade única: assumem novas identidades, as perdem, ou simplesmente desaparecem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Aspectos duradouros no estilo de Bernardo Carvalho são essenciais para a problematização da identidade, como a narração em primeira pessoa. Deste tipo de narrador decorrem: desconfiança do leitor; impossibilidade de onisciência e, logo, a probabilidade do engano; possibilidade de perceber a escrita como algo em construção, em detrimento de algo perfeito ou acabado: a escrita é vista como processo, com tentativa e erro. O narrador, geralmente, é autodiegético ou homodiegético (protagoniza ou participa da história), geralmente um investigador, que procura encontrar a verdade sobre algum evento ou sobre outra pessoa. Os livros de Bernardo Carvalho, portanto, assemelham-se ao escritor estadunidense Paul Auster. Ambos utilizam-se da alegoria da busca da verdade para fazer questionamentos típicos de autores pós-modernos e, particularmente, de autores pós-estruturalistas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            A linguagem ao estilo realista faz com que o leitor recepcione as obras à maneira de um artigo jornalístico (e aqui nota-se a influência da profissão do escritor, jornalista que domina o estilo dos periódicos). O autor diz, em entrevistas e artigos, querer seguir o escritor austríaco Thomas Bernhard, que utiliza estilo semelhante ao realismo para contar histórias que, pouco a pouco, vão revelando-se contraditórias, quase absurdas.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            &lt;st1:personname productid="Em Nove Noites" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;Nove  Noites&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;o efeito é justamente esse: a investigação em torno do suicídio do antropólogo norte-americano parece seguir raciocínio indutivo perfeito: análise de documentos, especialmente cartas, coleta de depoimentos, busca de indícios. Porém, à medida em que a pesquisa prossegue, o narrador revela motivos que o levaram a interessar-se pelo assunto. Nota-se que suas impressões, antes vistas como verdade, decorrem de seu passado, de sua visão de mundo. Os documentos não são interpretados de forma imparcial. Além disso, documentos e depoimentos contradizem-se, fontes da pesquisa revelam-se frágeis, por virem de pessoas cujos preconceitos são expostos: tudo é interpretação. As contradições entre todos e as lacunas são eliminadas pela imaginação do narrador. A escassez de informações que possam esclarecer dúvidas, que aumentam ao invés de diminuir, leva o narrador a confessar sua impotência diante da realidade, a admitir que está criando uma versão, uma nova realidade. Mesmo que a linguagem clara, com pretensão de realismo, siga ocorrendo, o leitor já a recepciona inversamente ao início: como paranóia, como criação de lógica ou sentido para o ilógico e para o sem sentido. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;              A obra, assim, coloca em questão outras duas oposições clássicas: a &lt;b&gt;diferenciação entre sujeito e objeto&lt;/b&gt; na teoria do conhecimento, e a &lt;b&gt;oposição história/ficção&lt;/b&gt;. &lt;st1:personname productid="Em Nove Noites" st="on"&gt;Em &lt;i&gt;Nove Noites&lt;/i&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;i&gt;, &lt;/i&gt;o narrador chega a suplicar por ter um campo de visão onde ele não seja visível; busca ocupar um lugar impossível. No entanto, cada movimento na pesquisa é uma prova de que seu conhecimento é obtido segundo a posição que ocupa. O estilo da obra, evidenciando o processo da pesquisa, em detrimento do texto já pronto e acabado, revela que a versão final é um conjunto de criações do narrador para preencher um sentido que não existe, que jamais é apreendido. O choque é maior ao se saber, de antemão, que o antropólogo, Buell Quain, realmente existiu e suicidou-se violentamente sem maiores explicações; quando se sabe que Carvalho fez pesquisa de campo para esclarecer as circunstâncias de sua morte, mas que a construção final, baseada na investigação, não passe de obra ficcional. Admite-se a impossibilidade de escrever livro sobre eventos reais que não seja ficção.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            Outro procedimento adotado pelo autor que apaga ainda mais as fronteiras entre sujeito e objeto, e entre ficção e história, é a inserção de crônicas inteiras publicadas no jornal &lt;i&gt;Folha de S. Paulo&lt;/i&gt;, em que relata experiências pessoais, dentro de suas obras de ficção, como se fossem experiências do personagem, geralmente o narrador. Sempre há, ainda, personagens reais que participam das narrativas, supostamente ficcionais, como, no caso de &lt;i&gt;O Sol se Põe &lt;st1:personname productid="em S￣o Paulo" st="on"&gt;em São Paulo&lt;/st1:personname&gt;, &lt;/i&gt;o escritor japonês Junichiro Tanizaki.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            A comparação com os temas tipicamente classificados como pós-moderno, particularmente ao procedimento de Derrida, conhecido como desconstrução (termo evitado, no entanto, pelo filósofo), é inevitável. A necessidade de síntese leva a eleger excelente resumo de Terry Eagleton sobre pós-estruturalismo, em especial sobre a obra de Derrida&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn7" name="_ftnref7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;               A desconstrução, portanto, compreendeu que as oposições binárias, com as quais o estruturalismo clássico de trabalhar, representam uma maneira de ver típica das ideologias. Estas tendem a traçar fronteiras rígidas entre o que é aceitável e o que não é, entre o eu e o não-eu, a verdade e a falsidade, o sentido e o absurdo, a razão e a loucura, o central e o marginal, a superfície e a profundidade. Esse pensamento metafísico não pode ser simplesmente evitado. Não podemos nos lançar, para além desse hábito binário de pensamento, a uma esfera ultrametafísica. Mas através de uma determinada maneira de operar sobre os textos – sejam “literários” ou “filosóficos” – podemos começar a revelar um pouco dessas oposições, a demonstrar como um termo de uma antítese está secretamente presente no outro. De modo geral, o estruturalismo contentou-se em separar de um texto as oposições binárias e expor a lógica dessa análise. A desconstrução tenta mostrar como tais oposições, para se manterem como tais, por vezes traem-se a si mesmas invertendo-se ou desaparecendo, ou precisam colocar à margem do texto certos detalhamentos insignificantes que podem voltar e perturbá-las. A leitura típica habitual de Derrida consiste em tomar um fragmento aparentemente periférico da obra – uma nota de rodapé, um termo ou imagem menor e repetido, uma alusão casual – e nele trabalhar tenazmente até o ponto em que ele ameace desmantelar as aposições que governam o texto como um todo. A tática de crítica desconstrutiva é, em outras palavras, demonstrar como os textos podem embaraçar seus próprios sistemas lógicos dominantes. E a desconstrução mostra isso tomando os pontos “sintomáticos”, os &lt;/i&gt;aporia &lt;i&gt;ou impasses de significado, nos quais o texto enfrenta problemas, perde a coesão, e se abre a contradições.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;               Não se trata apenas de uma observação empírica sobre certos tipos de escrita; trata-se de uma proposição universal sobre a própria natureza da escrita. Se a teoria da significação tem alguma validade, então há, &lt;/i&gt;na própria escrita, &lt;i&gt;alguma coisa que finalmente pode escapar a todos os sistemas e lógicas. Há um oscilar constante, uma contínua difusão e derramamento de significados – o que Derrida chama de “disseminação” – que não pode ser facilmente contida nas categorias estruturais do texto, ou nas categorias de uma abordagem crítica convencional do texto. Escrever, como qualquer processo de linguagem, funciona pela diferenciação; mas a diferenciação é, em si mesma, um &lt;/i&gt;conceito, &lt;i&gt;não alguma coisa que possa ser &lt;/i&gt;pensada. &lt;i&gt;Um texto pode “mostrar-nos” alguma coisa sobre a natureza da significação que ele não é capaz de formular como proposição. Toda a linguagem, para Derrida, encerra esse “excedente” em relação ao significado exato, está sempre ameaçando ultrapassar e escapar do sentido que tenta limitá-la. É no discurso “literário” que isto se torna mais evidente, embora ocorra também em outros tipos de escrita: a desconstrução rejeita qualquer distinção absoluta. O advento do conceito &lt;/i&gt;escrita, &lt;i&gt;portanto, é um desafio à própria idéia da estrutura: pois a estrutura presume sempre um centro, um princípio fixo, uma hierarquia de significados e uma base sólida, e são exatamente essas noções que a incessante diferenciação e preterição questionam. Em outras palavras, passamos da era do estruturalismo ao reino do pós-estruturalismo (...).&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftn8" name="_ftnref8" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="margin-left: 36pt; text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoBodyText"&gt;            Na obra de Bernardo Carvalho, as operações das ideologias, que consistem em tais oposições binárias, são colocadas em evidência, jamais são escamoteadas. Assim, o autor constrói textos que correspondem à operação filosófica de procurar as contradições, graças ao estilo do texto, que evidencia o processo de produção do conhecimento, em detrimento da aparência de perfeito ou acabado. Tais contradições são melhor expostas pelo estilo aparentemente realista do autor, que dá a impressão de tentativa, contra todas as evidências, de construção da verdade.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;            O conceito de identidade - aqui trabalhado por meio de suas relações com o espaço, sexualidade e nome – é privilegiado como meio de demonstrar as deficiências do pensamento racionalista (ou metafísico clássico), justamente por depender de operação binária duradoura: a igualdade e a diferença (ou alteridade). Ao problematizar tais relações, o autor coloca em cheque toda a noção que se tinha, habitualmente, da identidade.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;hr align="left" size="1" width="33%" /&gt;&lt;div id="ftn1"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref1" name="_ftn1" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Todos publicados pela editora Companhia das Letras.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn2"&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref2" name="_ftn2" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[2]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Vide, por exemplo, as obras que tratam do assunto por Stuart Hall (A identidade cultural na pós-modernidade), Renato Ortiz (Cultura brasileira e identidade nacional), Manuel Castells (A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura. O poder da Identidade), entre outras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn3"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref3" name="_ftn3" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[3]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; MASSEY, Doreen. &lt;i&gt;Space, Place, and Gender. &lt;/i&gt;&lt;st1:city st="on"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Minneapolis&lt;/span&gt;&lt;/st1:city&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;: &lt;st1:place st="on"&gt;&lt;st1:placetype st="on"&gt;University&lt;/st1:placetype&gt; of &lt;st1:placename st="on"&gt;Minnesota&lt;/st1:placename&gt;&lt;/st1:place&gt;, 1994, p. 135.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn4"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref4" name="_ftn4" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[4]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Bhaba, Homi D. &lt;i&gt;O local da cultura. &lt;/i&gt;Belo Horizonte: UFMG, 2001.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn5"&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref5" name="_ftn5" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 12;"&gt;[5]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; CARVALHO, Bernardo. Mongólia. São Paulo: Companhia das Letras, 2003, p. 115&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn6"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref6" name="_ftn6" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[6]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; A respeito dessa interpretação: VIEIRA, Yara Frateschi. &lt;i&gt;Refração e Iluminação &lt;st1:personname productid="em Bernardo Carvalho. Campinas" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em Bernardo Carvalho." st="on"&gt;em Bernardo Carvalho.&lt;/st1:personname&gt;  &lt;span style="font-style: normal;"&gt;Campinas&lt;/span&gt;&lt;/st1:personname&gt;&lt;span style="font-style: normal;"&gt;: Revista Novos Estudos, n.º 70, Novembro 2004, pp. 195-206.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn7"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref7" name="_ftn7" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[7]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; Deixa-se de citar trechos do próprio Derrida em virtude da difícil exposição de seu pensamento em um único fragmento, devido a seu estilo fragmentado, cheio de exemplos, que é avesso à síntese. Grande parte de conceitos relativos a identidade encontra-se em: DERRIDA, Jacques. &lt;i&gt;A escritura e a diferença. &lt;/i&gt;São Paulo: Perspectiva, 2005.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div id="ftn8"&gt;&lt;div class="MsoFootnoteText"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/post-edit.g?blogID=782129256548313392&amp;amp;postID=3629108503067399287#_ftnref8" name="_ftn8" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;; font-size: 10;"&gt;[8]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; EAGLETON, Terry. &lt;i&gt;Teoria da literatura: uma introdução. &lt;/i&gt;São Paulo: Martins Fontes, 2006, pp. 200-202.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-3629108503067399287?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/3629108503067399287/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=3629108503067399287' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3629108503067399287'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/3629108503067399287'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/07/o-presente-artigo-busca-analisar-questo.html' title='Identidade na obra de Bernardo Carvalho'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-8576922414793162266</id><published>2007-07-01T12:02:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T18:28:31.716-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Resenhas'/><title type='text'>On Paul Auster: "City of Glass"</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;The story of a man hired to do a tail job is not particularly creative. It is, indeed, very similar to many detective stories throughout literature. However, the first part of Paul Auster’s &lt;i&gt;The New York Trilogy&lt;/i&gt; is a text with many layers. The story brings questions about identity, the role of chance, the search for meaning and understanding, the production of space, the relation between literature and the world, among many others. There is a controversial classification of this work: detective fiction, metaantidetective fiction, mysteries about mysteries, and so on. It is most commonly seen as postmodern detective fiction.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;            City of Glass&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt; is considered to be Auster’s first novel. He had previously published a book, &lt;i&gt;Squeeze Play, &lt;/i&gt;under pseudonym Paul Benjamin (his middle name), and had also spent many years devoted to poetry, which led to the publication of his &lt;i&gt;Selected Poems&lt;/i&gt;. But it was only after the appearance of &lt;i&gt;City of Glass &lt;/i&gt;that Auster attracted critical attention, which could be considered quite surprising, since the novel had collected seventeen rejections, due to the fact that Auster would steadfastly refuse to make any changes in the manuscript.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;            The purpose of the presentation performed in class, as well as of this text, is to point out a few characteristics of Auster’s novel which make it different from the classical detective novel. The detective fiction followed a usual pattern: a certain order is broken, and someone must play the role of restoring it by solving a mystery. The investigator has an ambiguous role: on the one hand, he is responsible for maintaining the petit bourgeois security (thus, he is its representative); on the other hand, he is the person who goes through the unknown, the threat to the petit bourgeois order. This is the reason why the investigator, generally unmarried, has some pleasing eccentricities or striking characteristics: he is, in many ways, an outsider.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;            The usual means of obtaining the truth is through a complex and mysterious process combining intuitive logic, astute observation, and perspicacious inference (Arthur Conan Doyle’s Sherlock Holmes could be the paradigm). The crime, normally a murder, is committed in a closed environment: narrowing the space also narrows down the list of possible suspects and the search for clues and evidence. In other words, the social space is subject to Western metaphysics and its impulse to rationally order and control.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;            The main character of &lt;i&gt;City of &lt;st1:city st="on"&gt;&lt;st1:place st="on"&gt;Glass&lt;/st1:place&gt;&lt;/st1:city&gt;, &lt;/i&gt;Daniel Quinn, is passionate for detective fiction: he writes mystery novels. The senselessness of his life (no relatives, friends, nor connections) incites his belief in reason, in revelation of the sense: he is in a quest for stable identity. When his routine of walking aimlessly through the streets of &lt;st1:state st="on"&gt;&lt;st1:place st="on"&gt;New York&lt;/st1:place&gt;&lt;/st1:state&gt; is suddenly broken by a wrong number call, the possibility of assuming someone else’s identity (a certain private eye named Paul Auster) seems to him an interesting opportunity of change. Peter Stillman wants Quinn/Auster to follow his father (also Peter Stillman) in order to ensure that he will not try to harm him. Stillman had locked his son in a dark room for many years, trying to make him speak God’s language, the one spoken before the episode of the &lt;st1:place st="on"&gt;&lt;st1:placetype st="on"&gt;Tower&lt;/st1:placetype&gt; of &lt;st1:placename st="on"&gt;Babel&lt;/st1:placename&gt;&lt;/st1:place&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;Quinn accepts the job, but, no matter how hard he tries, he does not see any sense in the wanderings of Stillman senior, until the old man suddenly disappears. Then, Quinn decides to watch the doorway of Stillman’s son for months, living like a homeless person with almost no time to sleep nor money to eat, so that his father would not be able to come into the building without Quinn’s foreknowledge. In this process, Quinn loses all the signs of his self: his rented apartment, his outward appearance, his reason to live. When he finds out that everything he had been trying to make sense is out of his grip, he goes to a dark room himself, and keeps writing in a red notebook, and he eventually disappears from the sight of the narrator, a friend of Auster (who was, in turn, a writer living in &lt;st1:place st="on"&gt;Brooklyn&lt;/st1:place&gt;).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;            The world does not behave according to the detective logic Quinn so admires. The more he tries to find a meaning in the episode, the more he loses himself. He does not know what Stilmann’s intentions are, what should be considered a clue, neither of whom is telling the truth. The space in which the crime could occur is unlimited: he tries to read the space in which Stillman walks, but has only an illusion of understanding. In fact, Quinn does not know if there is even a crime. And the identity of the characters is not precise or stable at all; Quinn already starts the story with his place very much in question. The title of the story itself uses the metaphor of glass, a symbol of transparency, light and rationality, to explore other qualities of that material, its reflectivity and obscurity, thus giving a new meaning to the story (the confrontation between these characteristics, between modern and postmodern).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="EN-US"&gt;            Paul Auster uses the old techniques of classical detective fiction, but only to raise issues connected to poststructuralism: mysteries of his own interpretation and his own identity. The &lt;i&gt;Magazine Littéraire &lt;/i&gt;was not mistaken when it called him “the most French of American writers”, in its December, 1995 edition. Although the influence of American writers like Poe, Hawthorne, and Melville is evident in his fiction, other influences range from Montaigne, and Pascal to Wittgenstein, Merleau-Ponty, and Beckett. The particular influence of contemporary French postmodern philosophy is plain. &lt;i&gt;City of Glass&lt;/i&gt; is the book which showed that Paul Auster is one of the most intelligent and interesting American writers nowadays.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-8576922414793162266?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/8576922414793162266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=8576922414793162266' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8576922414793162266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/8576922414793162266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/07/on-paul-auster-city-of-glass.html' title='On Paul Auster: &quot;City of Glass&quot;'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-782129256548313392.post-5600293186135288616</id><published>2007-06-29T02:18:00.000-03:00</published><updated>2007-06-28T22:23:44.871-03:00</updated><title type='text'>Abrindo o balcão</title><content type='html'>O blog é algo realmente complicado. Não sei como se resolve ter um, e por isso ele está sempre em perigo. Posso desistir, finalmente, de me abrir online, para parar de me arrepender sobre as confissões que fiz e não deveria ter feito. Posso achar os textos horríveis, e ninguém merece ler textos horríveis, especialmente quando existem por responsabilidade sua. Enfim, o blog é perigoso porque revela nossa própria mediocridade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos blogs não há por aí, com os escritos mais ridículos e sem interesse. Para quê ser mais um nesse universo? Para que escrever algo que ninguém lerá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É para descobrir que o estou abrindo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/782129256548313392-5600293186135288616?l=matcarvalho.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://matcarvalho.blogspot.com/feeds/5600293186135288616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=782129256548313392&amp;postID=5600293186135288616' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5600293186135288616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/782129256548313392/posts/default/5600293186135288616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://matcarvalho.blogspot.com/2007/06/abrindo-o-balco.html' title='Abrindo o balcão'/><author><name>Matheus Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06546896601064658001</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-cf06D1KKIOE/TxhpTJnuomI/AAAAAAAACBg/k-GfIQkAM40/s220/Casamento%2Bigreja%2BAna%2B%25282%2529.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
